Segunda-feira, 19 de Outubro de 2020

Presidente da República Portuguesa mostra-se a vacinar-se contra a gripe para “dar o exemplo”. E que exemplo!!!

 

Pois então?

Não parece que Sua Excelência, o Chefe de Estado Português, está a relaxar-se, algures num SPA, descamisado, mostrando os seus atributos físicos, como manda o seu imenso ego? E isto para dar exemplo ao Povo português... Para a vacina da gripe, claro!

Homens do meu País, descamisem-se, quando forem vacinar-se, e deixem-se fotografar para os jornais. Sigam o exemplo do nosso Presidente da República.

Vacina de Marcelo ANTÓNIO PEDRO SANTOSLUSA.jpg

Foto: António Pedro Santos /Lusa no Jornal do Luxemburgo

publicado por Isabel A. Ferreira às 19:08

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«A sociedade precisa de medíocres»

 

Um texto lapidar de António Lobo Antunes que subscrevo inteiramente.

O que nos vale é que ainda há gente pensante em Portugal.

 

Mediocridade.jpg

 Imagem que diz do triste estado global da sociedade portuguesa... 

Foto:  Prazis Images/shutterstock

 

A Lobo Antunes.png

 

Por António Lobo Antunes

 

«A sociedade precisa de medíocres» 

 

“A sociedade necessita de medíocres que não ponham em questão os princípios fundamentais e eles aí estão: dirigem os países, as grandes empresas, os ministérios, etc. Eu oiço-os falar e pasmo não haver praticamente um único líder que não seja pateta, um único discurso que não seja um rol de lugares comuns. Mas os que giram em torno deles não são melhores.

 

Desconhecemos até os nossos grandes homens: quem leu Camões por exemplo? Quase ninguém. Quem sabe alguma coisa sobre Afonso de Albuquerque? Mas todos os dias há paleios cretinos acerca de futebol em quase todos os canais. Porque não é perigoso. Porque tranquiliza.

 

Os programas de televisão são quase sempre miseráveis, mas é vital que sejam miseráveis. E queremos que as nossas crianças se tornem adultos miseráveis também, o que para as pessoas em geral significa responsáveis. Reparem, por exemplo, em Churchill. Quando tudo estava normal, pacífico, calmo, não o queriam como governante. Nas situações extremas, quando era necessário um homem corajoso, lúcido, clarividente, imaginativo, iam a correr buscá-lo. Os homens excepcionais servem apenas para situações excepcionais, pois são os únicos capazes de as resolverem. Desaparece a situação excepcional e prescindimos deles.

 

Gostamos dos idiotas porque não nos colocam em causa. Quanto às pessoas de alto nível a sociedade descobriu uma forma espantosa de as neutralizar: adoptou-as. Fez de Garrett e Camilo viscondes, como a Inglaterra adoptou Dickens. E pronto, ei-los na ordem, com alguns desvios que a gente perdoa porque são assim meio esquisitos, sabes como ele é, coitado, mas, apesar disso, tem qualidades. Temos medo do novo, do diferente, do que incomoda o sossego.

 

A criatividade foi sempre uma ameaça tremenda: e então entronizamos meios-artistas, meios-cientistas, meios-escritores. Claro que há aqueles malucos como Picasso ou Miró e necessitamos de os ter no Zoológico do nosso espírito embora entreguemos o nosso dinheiro a imbecis oportunistas a que chamamos gestores. E, claro, os gestores gastam mais do que gerem, com o seu português horrível e a sua habilidade de vendedores ambulantes: Porquê? Porque nos sossegam. Salazar sossegava. De Gaulle, goste-se dele ou não, inquietava. Eu faria um único teste aos políticos, aos administradores, a essa gentinha. Um teste ao seu sentido de humor. Apontem-me um que o tenha. Um só. Uma criatura sem humor é um ser horrível. Os judeus dizem: os homens falam, Deus ri. E, lendo o que as pessoas dizem, ri-se de certeza às gargalhadas. E daí não sei. Voltando à pergunta de Dumas

– Porque é que há tantas crianças inteligentes e tantos adultos estúpidos?

não tenho a certeza de ser um problema de educação que mais não seja porque os educadores, coitados, não sabem distinguir entre ensino, aprendizagem e educação. A minha resposta a esta questão é outra. Há muitas crianças inteligentes e muitos adultos estúpidos, porque perdemos muitas crianças quando elas começaram a crescer. Por inveja, claro. Mas, sobretudo, por medo.»

 

 in: https://francisfoto.blogs.sapo.pt/a-sociedade-precisa-de-mediocres-256895

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:30

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