Quarta-feira, 17 de Abril de 2019

CDS/PP RESPONDE À NOSSA SOLICITAÇÃO NO QUE RESPEITA AO POSSÍVEL REGRESSO DA CAÇA À CABRA- MONTÊS NO PARQUE NACIONAL DA PENEDA-GERÊS

 

Na sequência do artigo publicado neste Blogue, sob o título «Caça à Cabra-Montês pode voltar ao Gerês?», que pode ser consultado neste link:

https://arcodealmedina.blogs.sapo.pt/caca-a-cabra-selvagem-pode-voltar-ao-871728

 

e que foi enviado a todos os partidos políticos, com assento no Parlamento, e a outras entidades, obtive do CDS/PP a seguinte resposta, a qual muito agradeço, pois foi a única que recebi até ao momento:

 

«Exma. Senhora,

 

Venho, pelo presente, acusar a recepção do e-mail, datado do dia 1 do corrente mês de Abril, que mereceu a nossa melhor atenção.

 

O Grupo Parlamentar do CDS-PP tem estado atento a esta matéria e, para o efeito, questionou o Ministério da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural e o então Ministério do Ambiente.

 

Quer a pergunta, quer a resposta do Ministério do Ambiente, seguem em anexo.

 

Com os melhores cumprimentos,

 

Lisboa e Palácio de S. Bento, 15 de Abril de 2019

 

Chefe de Gabinete do Grupo Parlamentar

Mariana Freire de Andrade

***

É disto que aqui vou dar conta.

 

CABRA.jpg

É um crime de lesa-natureza matar estes belos exemplares de seres vivos, que connosco partilham o Planeta.

 

Os deputados Patrícia Fonseca (CDS/PP), Ilda Araújo Novo (CDS-PP) e Helder Amaral (CDS-PP) solicitaram ao Ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural, respostas às seguintes perguntas:

 

1 - Existem estudos populacionais recentes que permitam conhecer a realidade actual da espécie Capra Pyrenaica em Portugal?

2 - Qual o estatuto de protecção da cabra-montês em Portugal?

3 - Com base nos dados existentes da população de cabra-montesa, está o Governo a avaliar a possibilidade de revisão do seu estatuto de protecção?

 

Considerando que:

- A cabra-montesa (ou cabra-montês) se extinguiu em Portugal nos finais do século XIX, sendo a causa mais provável a caça excessiva.

 

- No final de 1998, na sequência da introdução de dezoito exemplares de cabra-montês (Capra pyrenaica) no Parque Natural da Serra do Xurés (Galiza, Espanha), junto ao Parque Nacional da Serra do Gerês, ao abrigo de um Programa espanhol, alguns animais passaram acidentalmente os cercados para o lado português, passando a haver cabras-montesas transfronteiriças.

 

- Mais tarde, a Galiza libertou mais 25 indivíduos, reforçando assim esta nova população de cabras, o que fez com que, desde 1999 a presença da cabra-montês seja uma realidade reconhecida nas serras do Gerês.

 

- No ‘Livro Vermelho dos Vertebrados em Portugal’, de 2005, a espécie era ainda considerada como estando em perigo. Dizia a respectiva ficha que “os animais observados em Portugal pertencem a uma população transfronteiriça de cabra-montês, que em território nacional não ultrapassa os 50 indivíduos. Identificam-se duas subpopulações: a da Serra do Gerês, constituída por dois núcleos, e a da Serra Amarela. O aumento do número de indivíduos e a presença de crias confirmam a reprodução na Natureza dos exemplares reintroduzidos”.

 

- A população da espécie não tem parado de crescer, existindo hoje centenas de exemplares.

 

- A classificação dada pela International Union for Conservation of Nature (IUCN) à cabra-montês, com o estatuto de ‘pouco preocupante’, confirma a abundância de exemplares desta espécie.

 

- Em Espanha a cabra-montês é caçada em várias regiões, sendo esta uma forma de controlar as populações, mas em Portugal é ainda considerada ameaçada apesar dos sinais animadores da sua recuperação, sendo proibida a sua caça.

 

- Notícias vindas a público, levantam a questão da eventualidade de o número de exemplares atingir uma dimensão tal que seja superior à capacidade do habitat, levando a sobrepopulação, com os consequentes riscos para a sustentabilidade de própria espécie.

 

A estas questões o Ministério do Ambiente respondeu o seguinte:

 

P - Existem estudos populacionais recentes que permitam conhecer a realidade actual da espécie Capra Pyrenaica em Portugal?

 

R - O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, I. P (ICNF) realiza anualmente a monitorização da população de Cabra-montês, na área do Parque transfronteiriço Gerês - Xurês, sendo que os últimos dados disponíveis se reportam a Novembro de 2017.

 

Dos dois grupos originais, reintroduzidos pela Galiza em 1998 junto à fronteira com Portugal, a cabra-montês tem, lentamente, vindo a ocupar as serras do Gerês e Amarela, estimando-se um número de 600 indivíduos numa "área de ocupação" partilhada entre os dois parques (o Parque Nacional da Peneda Gerês - em Portugal e o Parque Natural Galego do Xurês e baixa Limia).

 

P - Qual o estatuto de protecção da cabra-montês em Portugal?

 

R - A Cabra Montesa é uma espécie protegida, com o estatuto de Conservação em Portugal "Criticamente em Perigo", de acordo com o Livro Vermelho de Vertebrados de Portugal e considerando os critérios matemáticos da Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN) das espécies ameaçadas para este tipo de avaliação de risco.

 

P - Com base nos dados existentes da população de cabra montesa, está o Governo a avaliar a possibilidade de revisão do seu estatuto de protecção?

 

O ICNF considera não ser necessária a revisão do estatuto da Cabra-montês em Portugal. A ainda reduzida "área de ocupação" e "extensão de ocorrência" não alteram o seu estatuto de conservação, atentos os critérios da IUCN que Portugal adopta.

 

***

CONCLUSÃO:

A belíssima Cabra-Montês do Gerês não pode servir de alvo às ganas de caçadores, que gostam de dar gosto ao dedo no gatilho. Matar é a diversão deles!

 

Mas se gostam assim tanto de dar tiros, que vão dar tiros aos pratos lá de casa, lambuzados com sumo de tomate. Deste modo, além de dar azo aos seus instintos assassinos, poderão dar lucro às fábricas de cerâmica, e não despovoam o Parque Nacional da Peneda-Gerês, deste belo exemplar de ser vivo, que é a Cabra-Montês, nem insultam a Humanidade, com a desumanidade implícita no acto de matar por gosto. (Isabel A. Ferreira)

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:16

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