Quinta-feira, 16 de Agosto de 2018

SÃO DEMENTES OS QUE SE DIVERTEM A MALTRATAR UM SER VIVO

 

«Quão podre devem ter a alma aqueles que se divertem com a tortura e o assassinato de um ser inocente…»

"Que tan podrida deben tener el alma aquellos que se divierten con la tortura y el asesinato de un ser inocente..."

Fernando Aaron

Repare-se na expressão de profundo sofrimento deste belo animal…

 

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 Fonte:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1830766390376895&set=a.100241003429451.228.100003306540246&type=3&theater

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:23

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APELO À PRESENÇA NO PROTESTO SOLIDÁRIO CONTRA A TOURADA EM ALBUFEIRA A 17 DE AGOSTO!

 

No passado dia 9 de Agosto, o Peter Janssen, o Artur Nascimento e o Helder Silva saltaram, interventiva e completamente indefesos e sem qualquer comportamento violento, para a arena da Praça de Touros de Albufeira, antes da largada do 3º touro. Foram maltratados e presos e, apesar de já algemados, continuaram a ser maltratados por tipos da organização e do público, sem que a GNR se tivesse oposto a isso. Isto foi filmado.

 

Agressores foram elementos da equipa de tauromáquicos e gente do público e agente da GNR. Foi filmado e testemunhado.

 

Notável a cobardia dos que atacaram os 3 heróicos abolicionistas e ainda a Carla Sananda e a Mónica Gaspar.

 

 

 

Por amor aos touros, cavalos e pessoas solidárias, eles arriscaram sofrimento e integridade física, exposição para o seu futuro e cadastro.

 

Com a nossa presença, vamos também demonstrar que reconhecemos a sua atitude e vamos render-lhes homenagem.

 

Apelamos a uma grande presença para que a PRESSÃO para o encerramento desta Praça de Touros / lugar de tortura / se torne avassaladora e vitoriosa e para que o conhecimento científico, a compaixão, a empatia, a ética, que obrigam ao respeito pelos touros e cavalos (seres sencientes, conscientes, dotados de emoções e sentimentos muito semelhantes aos dos seres humanos) vençam a luta contra o mau hábito, a cruel "tradição" e a negociata defendida por aficionados, lobistas e seus apoiantes à custa do sofrimento dos animais e provocando imensa indignação em pessoas conscientes.

 

A manifestação será pacífica e está autorizada pela Câmara Municipal de Albufeira e vai ter acompanhamento da GNR.

 

Vamos informar sobre o sofrimento dos animais; vamos denunciar a publicidade enganosa e que nega o sofrimento na tourada; vamos lastimar que os turistas sejam assim enganados e atraídos; vamos afirmar a nossa indignação e oposição e exigir a abolição; vamos apelar a não assistirem àquele espectáculo de tortura; vamos estar disponíveis para conversar com quem o desejar.

 

É uma oportunidade para pessoas respeitadoras dos direitos dos animais se reunirem numa atmosfera de generosidade e solidariedade!

 

A nossa argumentação não será agressiva contra os turistas!

 

Ponto de encontro - pelas 20 h 30 m no parque de estacionamento da Corcovada. Às 21 horas partiremos de ali para estarmos em frente da Praça de Touros, como de costume.

 

Vasco Reis,

Aljezur

 

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publicado por Isabel A. Ferreira às 15:02

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Segunda-feira, 13 de Agosto de 2018

E ASSIM SE DIVERTEM OS BRONCOS NOS AÇORES

 

E chamam a isto “cultura”…

Coitados! Não têm a mínima noção do que é a verdadeira CULTURA.

 

 

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publicado por Isabel A. Ferreira às 19:15

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AINDA OS INCÊNDIOS EM MONCHIQUE - O MAIOR OCORRIDO NA EUROPA ESTE ANO

 

Um Portugal tão pequeno, com tantas tragédias maiores do que ele, será um país a sério?

 

E para António Costa o que se passou em Monchique foi um sucesso, e a grande vitória foi não haver mortos, como se salvar vidas não fosse o dever máximo de um governo. Como é possível um primeiro-ministro vangloriar-se do sucesso do seu DEVER?

 

MONCHIQUE.jpg

Origem da imagem:

https://radioregional.pt/incendios-de-monchique-ja-destruiram-mais-de-21-mil-hectares/

 

Os 27 mil hectares de área ardida (algo que, diz quem sabe, poderia ser evitado) a flora e a fauna destruída, as casas e empresas ardidas, as mais de três dezenas de feridos, a incompetência e a descoordenação dos meios, o deixa-andar, a falta de uma política florestal, a continuidade da política-zero dos governos anteriores também foram um sucesso?

 

Espero bem que os Portugueses abram os olhos, e nas próximas eleições legislativas saibam penalizar quem não tem o mínimo sentido do DEVER.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:53

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Domingo, 12 de Agosto de 2018

OBRIGAÇÕES CAMARÁRIAS PARA A DEFESA DE ANIMAIS ERRANTES

 

Carta a enviar às seguintes entidades:

geral@cmav.pt, geral@cmpb.pt, geral@cm-pontedelima.pt, geral@cm-caminha.pt, geral@cm-melgaco.pt, geral@cm-valenca.pt, gap@cm-moncao.pt, cmviana@cm-viana-castelo.pt, contacto@cm-paredes-coura.pt, gap@cm-vncerveira.pt, imprensa@cm-viana-castelo.pt, chefegab@cm-viana-castelo.pt, gci@cm-viana-castelo.pt

 

LEGISLAÇÃO.jpg

 

Exmos. Srs.

A Lei n.º 27/2016, nos seus vários artigos, estipula, claramente, as várias obrigações camarárias para a defesa de animais errantes. (Ver imagem)

 

Como é do vosso conhecimento, esta lei entra em vigor, na sua forma plena, muito em breve. Foi dado um prazo de dois anos para que as câmaras se preparassem para o cumprimento da lei.

 

Foram disponibilizadas pelo governo, verbas de apoio à implementação da criação das condições para que a lei seja cumprida. Não faz qualquer sentido que um município recusasse esta ajuda e faz ainda menos sentido que, caso a tenha solicitado, não a tenha aplicado para se preparar para a obediência à lei.

 

Não se teve conhecimento de absolutamente nenhuma campanha de esterilização levada a cabo com o apoio dos diversos municípios que fazem parte da CIM ou através das verbas disponíveis para o efeito. (também estas à distância de uma candidatura ás mesmas).

 

Mais preocupante, é saber que a CIM serve a 10 municípios e mantém a pretensão de que será o suficiente para que a lei seja obedecida.

 

É também deveras preocupante que um canil Intermunicipal não esteja, ainda, preparado para evitar surtos de qualquer tipo... Um local que deve receber apoio financeiro de 10 municípios diferentes deveria estar como merecedor da medalha de ouro no pódio dos melhores... E não está. Nem de perto e nem de longe. E, se não solicitou as verbas disponibilizadas pelo governo, é porque tem dinheiro de sobra, decerto.

 

Foram abatidos 56 (que se saiba) animais devido a um “surto”. É essa a forma como estes municípios, no seu conjunto, tencionam cumprir a lei? Que relatórios serão tornado públicos? (A nova lei implica a publicação de relatórios públicos).

 

É também preocupante o facto de um canil que serve a 10 municípios não tenha verba suficiente para a contratação de um veterinário a tempo inteiro. A visita de um veterinário uns dias da semana não é o suficiente e permite que os animais estejam ao cuidado de pessoas sem conhecimentos para lhes prestar auxílio e, infelizmente, muitas vezes sem a empatia que, num local destes, deveria ser considerada essencial.

 

No entanto, a empatia ou sensibilidade não parecem ser uma preocupação dos municípios envolvidos. O vice-presidente da CIM trabalha ao lado de um vereador que deveria ser uma pessoa sensível a estas questões (tendo em consideração o cargo que ocupa) mas que afirmou, em reunião de Câmara, que “só é pena não terem ido todos” referindo-se aos animais que foram abatidos devido ao alegado surto. Esta frase foi gravada durante a reunião e (caso as actas da reunião sejam fieis) estará em acta.

 

Muito respeitosamente, achámos por bem emitir este alerta. Todos os que se preocupam com o bem-estar animal estarão atentos e irão exigir o cumprimento da lei. A cerca de um mês da proibição do abate de animais errantes não existe qualquer tipo de justificação ou desculpa para o facto de não se terem preparado. Dois anos foi o prazo concedido. As verbas estavam ao alcance de uma candidatura. Câmaras, com sentido de responsabilidade e noção do dever e da importância desta lei, estão já mais do que preparadas para o futuro.

 

A nossa região e as nossas câmaras... tem a CIM... e surtos, que obrigam ao abate de animais. E chega -se a esta data, 12 de Agosto de 2018, a uma situação absolutamente ridícula... Não existe, neste momento, um único local que permita a recolha de animais errantes. O canil está de quarentena devido a um “surto”, a Vila Animal está fechada à espera de respostas da Câmara Municipal, os Gatos de Ninguém estão sobrelotados, o Abrigo Selva dos Animais está a “rebentar pelas “costuras”... etc., etc...

 

Caso não sejam conhecedores dos artigos da lei que em breve estará em vigor envio, em anexo o link que vos poderá servir de apoio.

https://dre.pt/home/-/dre/75170435/details/maximized?p_auth=oAdvWfS8

 

Atentamente,

 

Um eleitor da região onde os senhores são candidatos.

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:08

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Sexta-feira, 10 de Agosto de 2018

O QUE DIZER QUANDO SE DIZ QUE O QUE SE PASSOU EM “MONCHIQUE FOI UM SUCESSO”

 

Se o primeiro-ministro tivesse um pingo de dignidade pedia a demissão.

No ano passado foi o que foi, em Pedrógão. Este ano é o que está a ser, em Monchique, (à excepção dos mortos) devido à descoordenação, à incompetência, ao deixa-andar, à continuação da falta de uma política florestal a sério.

Monchique estava sinalizado. E o que se fez? Nada.

Este governo, e todos os governos anteriores têm culpa no cartório. Falta-lhes dignidade e honestidade políticas.

 

António Costa vem agora a público atirar areia para os nossos olhos, como se fôssemos todos muito parvos.

Abram os olhos, portugueses! Estão a ser comidos por lorpas!

 

MONCHIQUE.jpg

 Foto: FILIPE FARINHA

 

Não é só no que toca à política florestal, que continua a ser zero, que esquerda e direita dão as mãos. Que fossem só essas as mãos dadas! A política de António Costa, em muitas mais áreas é uma política nitidamente à direita. O PS de Costa está de mãos dadas com o PSD e CDS/PP em muitas outras matérias, como por exemplo, na abolição da selvajaria tauromáquica (onde também está incluído o PCP, que se diz de esquerda) para referir apenas uma, das mais gritantes.

 

O governo de Costa, se tivesse um pingo de dignidade, ter-se-ia demitido, já no ano passado, devido à descomunal tragédia dos fogos de Pedrógão; devido ao roubo das armas num paiol do Estado; devido ao fracasso das políticas do Ensino, da Cultura, da Saúde; devido à absurdez da venda da Língua Portuguesa ao Brasil; devido a esta mediocridade em que Portugal está atolado, vivendo apenas em prol dos estrangeiros, que não vêm a Portugal devido ao bom clima, ou à segurança, ou à boa gastronomia, ou à amabilidade dos Portugueses. Eles vêm a Portugal, porque aqui são BAJULADOS, só falta lamber o chão por onde pisam, numa subserviência vergonhosa. Quando vamos nós lá fora, somos tratados com uma notória indiferença. E esta vocação para lacaios que me dá náuseas.

Mas há muito mais.

 

Não, ninguém que já passou pelo Poder, teve “os frutos da horta" no devido lugar, para SERVIR o País. E duvido sequer, que os tenham.

 

Dizem-me que o meu tipo de retórica serve a direitalha. Pois o meu tipo de retórica é do tipo livre. Porque, para mim, esquerdalha e direitalha, para mim, que sou anarquista pacifista, tal como Jesus Cristo, Mahatma Gandhi e Luther King (meus mestres na arte da não-subserviência) são todos farinha do mesmo saco. Costa devia demitir-se porque é politicamente desonesto. Não aprendeu nada com o fracasso de Pedrógão. O fracasso repetiu-se em Monchique, à excepção dos mortos. E mais fracassos ainda virão.

 

E nem sequer teve a hombridade de vir a público dizer que o governo, uma vez mais, FALHOU em Monchique. E continuará a falhar, porque é um governo tão incompetente como todos os seus antecessores.

 

O governo de Costa limitou-se a seguir os erros do PSD e CDS/PP (farinha do mesmo saco) cuja política florestal foi ZERO.

 

Ainda está por se instalar em São Bento um Governo que Governe, e não seja governado por interesses estrangeiros e por lobbies.

 

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E o presidente de TODOS os portugueses, desta vez, não foi a Monchique, para não atrapalhar. Porquê? Talvez porque andasse ocupado e preocupado em banhar-se, por aí, com a comunicação social atrás dele.

 

E como não sou  escrava do Poder, mas uma cidadã livre-pensadora, que vejo, ouço e leio, e não posso ignorar os desmandos de um Poder apodrecido, gasto e incompetente, como posso levar esta classe política a sério? 

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:34

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Quarta-feira, 8 de Agosto de 2018

O DESAFECTO DOS QUE MUTILARAM A LÍNGUA PORTUGUESA

 

Sou fã do Blogue “Delito de Opinião” e, de passagem por lá, encontrei esta “Reflexão do Dia” (que aqui reproduzo) publicada por Pedro Correia, em 09.02.17, e ainda muito actual.

Lá encontrei um comentário, curioso, estranho, absurdo, falacioso, bem ao género dos acordistas, que pretendem vender-nos gato por lebre.

É esse comentário que vou tentar desmontar

 

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Este é o texto da “Reflexão do Dia”:

«O ministro dos Negócios Estrangeiros diz que rejeita a revisão do acordo ortográfico. E eu rejeito essa forma de rejeição, porque a considero autoritária, arrogante, dogmática e deselegante para com a Academia das Ciências. A Academia, que é, de acordo com a lei, conselheira do Governo em matéria da língua, não foi ouvida nem achada no que diz respeito ao acordo. E limitou-se a apresentar, agora, um conjunto de sugestões indicativas para que se começasse a debater este assunto e para tentar melhorar, se possível, um acordo que nasceu mal, um acordo falhado.

 

Esta posição do ministro [Augusto Santos Silva], que fala em nome do Governo, revela um grande desprezo por todos aqueles que se têm oposto desde o princípio a este acordo. Desprezo por escritores, por gente das letras, por académicos, por professores e por muitos cidadãos que manifestam a sua oposição a este acordo, que está a fragmentar a língua e a dividir os portugueses. Já nem falo de mim, falo do Vasco Graça Moura, que mostrou de mil e uma maneiras todos os erros deste acordo, que, aliás, considerava inconstitucional. Não conheço nenhum escritor de nomeada que seja favorável a este acordo.»

 

Manuel Alegre, hoje, no Público

 

Tudo o que Manuel Alegre escreveu, foi reescrito e redito vezes sem conta, mas quando se fala para paredes, a reacção é zero. Daí que Portugal ainda continue a arrastar pelo chão a Língua Portuguesa.

 

***

Esta reflexão mereceu um comentário muito falacioso de um tal Einstürzende Neubauten (que traduzido dá colapso de novos edifícios) e que no final assina Pedro Almeida Cabral, jornalista. Seja quem for o colapso de novos edifícios, colapsou no que respeita à avaliação que fez a esta reflexão de Manuel Alegre.

 

O colapso de novos edifícios abordou, em oito itens, a questão do AO90, que rebaterei item a item. (O que está em itálico é do colapso, e o que está a negrito é meu):

 

1 - Começando pelo princípio. Foi Portugal que, em 1911, alterou a grafia da língua portuguesa sem consultar o Brasil, o que fez com que passasse a haver duas ortografias para a mesma língua. O Acordo vem resolver este erro histórico.

 

 

 Ora, começando pelo princípio, foi Portugal que em 1911, propôs ao Brasil, Estado já livre do jugo português, uma reforma ortográfica que, sem desenraizar as palavras, sem alterar a pronúncia, e sem as desviar do seu significado original, simplificou a grafia, para combater o analfabetismo, bastante acentuado num e noutro país. O Brasil não aderiu, e, a partir daí optou por distanciar-se de Portugal. Na verdade, passou a haver duas ortografias: uma portuguesa, outra brasileira, que se prolonga até aos dias de hoje. E o AO90, não veio resolver este erro histórico, porque nisto não há qualquer erro histórico, simplesmente porque o Brasil é, oficialmente, desde 7 de Setembro de 1822, um país LIVRE, com direito a expressar-se diferentemente do seu ex-colonizador, aliás, é do senso comum brasileiro, dizerem que preferiam ter sido colonizados pelos Ingleses. Portanto, fica aqui muita coisa dita a respeito do distanciamento opcional do Brasil, em relação à Língua Portuguesa. Em 1943, elaboraram um Formulário Ortográfico, que mutilou os vocábulos de origem Latina, suprimindo-se as consoantes mudas (que o AO90 preconiza) afastando ainda mais o Brasil da Língua Portuguesa. Em 1945 elaborou-se a Convenção Ortográfica Luso-Brasileira, que o Brasil assinou, para logo a atirar ao lixo, continuando a distanciar-se do Português, ao implantar definitivamente o  Dialecto Brasileiro, em desfavor da Língua Portuguesa, que, sub-repticiamente, tem sido banida dos currículos escolares brasileiros. Esta é que é a verdade histórica.

 

2 - As alterações do Acordo Orográfico facilitam a aprendizagem. Quer de crianças, quer de estrangeiros. Por uma razão simples: as palavras passam a ficar mais próximas da forma como se lêem.

 

As alterações do AO90 não só não facilitam a aprendizagem como passam um atestado de ignorância a quem assim cogita. Por uma razão simples: as palavras mutiladas distanciam-se das suas origens, das suas raízes e passam a ser coisa nenhuma. Todas as coisas têm uma história. Uma origem. As palavras também. E quando se decide, por exemplo, que a palavra aspeCto (do Latim aspeCtus) passe a grafar-se aspeto (que se lê aspÊto), ela não só perde a sua história, como a sua pronúncia e o seu significado, que é completamente desconhecido. E o mesmo acontece a todas as palavras que o Brasil mutilou em 1943, no Formulário Ortográfico, e que serve de base ao AO90.

 

3 - O Acordo Ortográfico apenas afeta (lê-se afÊta) um número diminuto de palavras, cerca de 1,6%. O que significa que as alterações trazidas pelo Acordo são mínimas face ao português que se escreve.

 

O AO90 afÊta um número considerável de vocábulos de origem latina, que, desenraizados, nada significam, e isto basta para que a Língua Portuguesa deixe de ser portuguesa e passe a ser uma cópia de um dialecto sul-americano, na sua grafia, agravado por uma hifenização e uma acentuação, baseadas na maior das ignorâncias.

 

4 - As escolas portuguesas já ensinam conforme o Acordo Ortográfico. As leis portuguesas já são publicadas conforme o Acordo Ortográfico. O Governo já governa conforme o Acordo Ortográfico. A maioria dos jornais já publica conforme o Acordo Ortográfico. Parece impossível, mas tudo isto acontece sem revolta, dor ou trauma.

 

As escolas portuguesas não ensinam, desensinam as crianças, obrigando-as a grafar à moda brasileira, quando a Língua Materna delas é a Língua Portuguesa, grafada à portuguesa, constituindo este um dos maiores logros e crime de lesa-infância, jamais visto em todo o mundo. As leis portuguesas são publicadas ignorantemente à moda brasileira. O governo não governa conforme o AO90, porque ninguém governa conforme um acordo ortográfico. O governo grafa tudo em MIXORDÊS, que é o resultado da aplicação da grafia brasileira misturada com a grafia portuguesa, mostrando o governo com isso que nem domina uma, nem outra, e demonstra uma monumental e vergonhosa subserviência a uma ex-colónia, hoje um Estado livre e independente. Apenas os jornais submissos ao Poder e dotados de uma monumental ignorância da Língua, que usam como instrumento de trabalho, publicam num MIXORDÊS de fazer corar as pedras da calçada portuguesa. Parece impossível, mas tudo isto acontece sem um pingo de vergonha na cara, sem dignidade alguma, e sem o mínimo senso comum.

 

5 - Entrando no Acordo, é evidente que nunca poderia haver qualquer acordo com o Brasil para unificar a ortografia que não abrangesse as consoantes mudas. É que, simplesmente, os brasileiros não as afloram nem as pronunciam.

 

Entretanto neste (des)acordo, é evidente que nunca poderia haver qualquer acordo com o Brasil para unificar a ortografia que não abrangesse as consoantes mudas, porque simplesmente esta fraude chamada AO90 assenta na grafia brasileira, e não só no que respeita às consoantes mudas, onde existem umas pouquíssimas excePções, mas também na grafia em minúsculas dos meses do ano. Já agora, não tardam em obrigar os portugueses a grafar AntÔnio, AmazÔnia etc., para UNIFICAR o que nunca será possível unificar.

 

6 - E quem acha que abdicámos da nossa forma de escrita, é bom lembrar que o Brasil também cedeu e deixou, por exemplo, de usar o trema em algumas palavras, como no "u" em linguiça.

 

(Este argumento é o mais parvo de todos). E quem acha que não abdicámos da nossa forma de escrita? Só um muito, muito cego mental é que acha que não abdicámos da grafia portuguesa. É bom lembrar que a única coisa que mudou para o Brasil foi a supressão do trema em algumas palavras como no “u” de lingüiça (que os brasileiros continuam a grafar com trema, não haja qualquer dúvida) e na apoucada acentuação e hifenização. Só isto é que mudou para os Brasileiros. De resto, a grafia, à excePção de excePção, recePção, e mais uma ou outra palavra, a grafia que nos querem impingir é a brasileira. Que não reste qualquer dúvida.

 

7 - Há apenas oito países no mundo que têm o português como língua oficial. E só há duas ortografias, a portuguesa e a brasileira. Chegar a um consenso quanto à forma de escrever é relativamente fácil. O que é altamente vantajoso para uma língua falada em quatro continentes por mais de 250 milhões de pessoas.

 

Havia oito países (não há mais) no mundo que tinham o Português como língua oficial. Cabo-verde não tem mais. A língua oficial de Cabo-Verde é o Crioulo Cabo-verdiano, oriundo do Português. E existem duas grafias: a portuguesa, em Portugal, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau e Timor-Leste. E a brasileira, no Brasil. Chegar a um consenso quanto à forma de escrever é absolutamente impossível, e só não vê isto quem é muito, muito cego mental. Cada país é um país. Cada país fala e escreve com as suas especificidades. Uma grafia comum, só se for a portuguesa, a original, a europeia, a culta, que a maioria dos países lusógrafos escreve. Não temos de nos subjugar ao Brasil, apenas porque são milhões. Eles são milhões com um Dialecto. Nós somos milhares, com uma Língua. E não vamos passar de uma Língua íntegra, para um Dialecto, apenas porque sim.

 

8 - Numa perspectiva egoísta, o Acordo Ortográfico contribui, de forma modesta, para que o português do Brasil se mantenha português do Brasil e não se torne brasileiro. Sim, interessa-nos que o português seja falado por mais de 200 milhões de pessoas na América do Sul.

 

Numa perspectiva ignorante, o AO90 contribuiu de uma forma pretensiosa, para que se instalasse em Portugal o MIXORDÊS, e de um modo natural para que o Dialecto Brasileiro (erroneamente tido como Português do Brasil) evolua (como evoluíram outros dialectos) para Língua Brasileira; e a Língua Portuguesa ou continuará a ser Portuguesa através dos países africanos de expressão portuguesa, ou desaparecerá do mapa, se Portugal insistir neste servilismo rastejante, caso único em todo o mundo. E NÃO, não interessa a Portugal que o Português seja falado por mais de 200 milhões de pessoas na América do Sul, simplesmente porque o que se fala na América do Sul não é Português, mas um Dialecto oriundo do Português, na sua forma grafada e escrita, de tanto que se distanciou da sua Matriz. E à América do Sul, o que é da América do Sul. E à Europa, o que é da Europa. É só isso que nos interessa.

 

Isabel A. Ferreira

 

Fonte:

http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/reflexao-do-dia-9087915

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:42

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Terça-feira, 7 de Agosto de 2018

A PRETENSÃO DE ELEVAR A SELVAJARIA TAUROMÁQUICA A PATRIMÓNIO MOSTRA O DESESPERO DOS TAURICIDAS

 

Agora é Arruda dos Vinhos, uma terreola que deve bastante à civilização, no que respeita a divertimentos, a candidatar tertúlias móveis a património nacional, como se isso pudesse travar o processo em curso da abolição das touradas.

 

Tais pretensões só dizem do desespero dos tauricidas, que estão a ver esta prática troglodita a cair num abismo…

 

Repare-se nesta imagem:

 

arruda-dos-vinhos-publico.jpg

 Fonte da imagem:

https://www.publico.pt/2018/08/07/local/noticia/arruda-dos-vinhos-candidata-tertulias-moveis-e-festejos-taurinos-a-patrimonio-nacional-1839917

 

Agora, digam de sua justiça, quem tem os neurónios a funcionar, se isto que aqui se vê é algo que possa estar no pódio do Património Nacional.

 

Uma prática assente na estupidez, na ignorância, na violência, no maltrato animal, na crueldade, na falta de senso comum, na maior pobreza de espírito, enfim, nada aqui leva ao conceito de património da humanidade, mas tão só de património da desumanidade dos que ainda não conseguiram evoluir, e acham que torturar bovinos é um bem imaterial herdado de antepassados ainda menos evoluídos, e que merece ser preservado como uma relíquia de tempos antigos e tenebrosos.

 

Mas coitados, deixai-os sonhar. Vivem na ilusão de que podem perpetuar uma prática moribunda que não se encaixa nos tempos modernos.

 

Ó gentes de Arruda dos Vinhos, que não sois capazes de olhar para a frente, andais às arrecuas com a cabeça virada para trás, e não vedes que essas práticas trogloditas não pertencem ao presente, mas a um passado desiluminado, sombrio, assente na maior das ignorâncias!

 

Sonhai. Tentai elevar o que rasteja. A queda será muito maior e fatal. Mas é o que merecem, por rejeitarem a evolução.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:26

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Domingo, 5 de Agosto de 2018

«O fim das touradas: uma semente para a revolução»

 

Um excelente texto, da autoria de Granado da Silva, onde se põe completamente a nu todas as manigâncias que sustentam o negócio do divertimento à custa do sofrimento de Touros, Cavalos, Cães e Seres Humanos para que uma pequena parcela dos maiores parasitas da sociedade portuguesa, incluindo membros da classe política, possam circular por aí nos seus Ferraris e Porches.

 

Neste texto, fica bem claro nas entrelinhas, o que motiva os parlamentares portugueses a votarem contra a Abolição das Touradas em Portugal.

Vivemos a ilusão de uma Democracia. Uma Revolução, precisa-se!

(Isabel A. Ferreira)

 

ABOLIÇÃO da tauromaquia em Portugal e no Mundo

 

O fim das touradas: uma semente para a revolução

Posted: 04 Aug 2018 11:45 AM PDT

 

O que representa realmente a Tauromaquia?
 
“A ligação entre violência sobre pessoas e violência sobre animais está bem documentada na comunidade científica internacional. Na sua forma mais simples: A violência contra animais é um indicador de que o agressor se pode tornar violento contra pessoas, e vive versa. O abuso é abuso não interessa de que forma ou de quem é a vitima.” 1

 Quando pensamos em touradas, a imagem mais comum é a violência na arena sofrida pelo touro. É sem dúvida o touro que acaba a sofrer mais, mas não é de forma alguma este o único animal a ser humilhado e torturado em prol dos aficionados. Se são os touros que todos os anos sofrem e morrem às centenas em nome da tradição, são também os cavalos a ser violentados, usados como autênticos “tanques” na arena. Aqui no entanto, vamos falar também de mais um animal vítima da tradição… Nós. Vamos falar de como a tradição das touradas nos afecta, como indivíduos numa sociedade entendida como livre e igualitária. Vamos falar das ramificações da tourada, do que representa e vive a Tradição Tauromáquica cujos aficionados defendem com declarado amor, esmero e violência.
Na Europa, Espanha, Inglaterra, Portugal e França são focos de um gradual ressurgimento da tauromaquia e, por arrasto, da classe que dela vive. Este ressurgimento não é fruto de um crescente interesse das populações na prática, mas sim resultado da cumplicidade e interesses partilhados por uma minoria que permeia as elites destes países e que crescentemente se imiscui nos processos de decisão política. Um cúmplice destacado neste processo é hoje tão-somente o Comissário do Ambiente e Energia na Comissão Europeia. Miguel Arias Cañete foi nomeado para o cargo em 2014, apesar de ser accionista em duas empresas de petróleo, meros meses após ter sido o cabeça-de-lista do PP espanhol ao Parlamento Europeu. No contexto da candidatura surgiu relacionado no caso “sobresueldos”, uma cabala para esconder dinheiros (300 mil euros) do seu partido. Cañete não chegou a este posto por acaso. Com um longo percurso no aparelho partidário do PP, entre 2011 e 2014 foi Ministro da Agricultura, Alimentação e Ambiente no governo de Mariano Rajoy, tendo antes, entre 2000 e 2004, sido Ministro da Agricultura e Pescas no último governo Aznar.
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Cañete é cunhado por casamento do ganadeiro Juan Pedro Domecp (Ganadeiro de touro bravo para Lide e Cavalos). A sua ligação à tauromaquia manifesta-se ao longo da sua carreira política e governativa de forma clara. Em 2001, em defesa do interesse da nação (e seu e de sua mulher, filha dos marqueses de Valência e restante família tauromáquica), Cañete escusa-se do Conselho de Ministros que aprovava um decreto-lei preparado pelo seu ministério sobre apoios à raça bovina de lide (touros de arena). Nesse mesmo ano Rajoy delega-lhe a pasta de apoio ao sector taurino. Foi Cañete a forçar em Espanha a PAC (Política Agrícola Comum), que entre 2014 e 2020 pretende subsidiar com 47 mil milhões de euros o sector agro-pecuário, que em muito beneficiará a ganadaria. Sem surpresa, o seu nome apareceu relacionado com o branqueamento de capitais no mesmo sector (entre outras coisas, no fabrico de pensos para animais e criação de galinhas), estimado em 2 mil milhões de pesetas (cerca de 12 milhões de euros). É este o curriculum imaculado do actual Comissário do Ambiente e Energia da Comissão Europeia. Isto sim é uma tourada.
Voltando o olhar para Portugal, estima-se que 16 milhões de euros são disponibilizados directamente no apoio à tauromaquia. Porquê? As touradas desde os anos 80 estão em decadência. Nos últimos 10 anos o número de touradas e espectadores tem vindo a diminuir consistentemente 2 e sem o apoio de dinheiros públicos, não seriam as cerca de 60 praças permanentes – com uma média de 3 espectáculos por ano – que manteriam viva a tradição, ou que sustentariam a boa-vida das famílias destacadas da tauromaquia. Assim percebe-se melhor a necessidade de consolidar a tauromaquia, “um dos pilares da nação portuguesa”, como um valor cultural, património nacional e internacional, a ser preservado ou, dito de outra forma, subsidiado.
 
“Neste momento, e mesmo para uma primeira figura, é difícil viver só de toiros… E quem disser o contrário, digo-lhe já que não é verdade!” 3
À luz da crescente crise que vivemos, tendo em conta as dificuldades de agricultores e da população em geral em aceder a serviços essenciais como a saúde, com a falta de condições nas escolas, falta de apoio a cooperativas e grupos artísticos de teatro, dança, aos saberes tradicionais, a grupos e associações de apoio social, etc, o apoio à tauromaquia é de uma prepotência desumana.
Para além dos apoios directos, a União Europeia e o Estado português oferecem dinheiro a ganadeiros de outras formas, dinheiro esse que é frequentemente investido em indústrias paralelas e rentáveis: a criação de bovinos para a indústria agro-alimentar e de curtumes, a produção de cereais usados na confecção de rações ou o turismo rural. Com a desculpa de que sem as touradas os touros entrariam em extinção, os ganadeiros, entre outros apoios, recebem através da Associação de Agricultores e da Associação Portuguesa de Criadores de Toiros de Lide dinheiros abrangidos pela “Estratégia para a Conservação e melhoramento das Raças Autóctones“. Enquanto para se proteger águias, lobos, ou o lince Ibérico, para citar apenas alguns animais selvagens ameaçados, é tantas vezes necessário depender da indústria privada – muitas vezes directamente responsável pelos riscos e destruição de ecossistemas que ameaça esses animais – face ao parco financiamento público para a sua protecção, é a indústria de exploração tauromáquica que, ironicamente, recebe dinheiros públicos, para “manter os toiros vivos“.
Em 2010, a então Ministra da Cultura de Portugal, Gabriela Canavilhas (PS), criou uma secção especial dedicada às touradas no Concelho Nacional de Cultura. No âmbito do trabalho da mesma, os Tauromáquicos além do dinheiro que recebem, passam a poder ir a escolas preparatórias promover junto de crianças a sua tradição sanguinária, com os intrínsecos danos nocivos para o crescimento equilibrado de qualquer ser humano e que, numa sociedade em crescente fragilização, contribuem certamente para a normalização da violência, de comportamentos agressivos, nomeadamente para com outro seres humanos. Não faltam indícios disso mesmo. Em 2012, o toureiro Marcelo Mendes, investiu com o seu cavalo sobre manifestantes anti-tourada, na localidade de Torreira. Em 2014, um carro com forcados atropelou manifestantes na praia de Mira. A violência não é novidade entre elementos da tauromaquia. Em 2003 durante uma largada de vacas no concelho de Montemor, os forcados de Montemor provocaram cenas de pancadaria. Segundo o presidente da junta de Lavre, localidade onde se realizava a largada: “Foram eles que provocaram tudo. São uns arruaceiros. Onde quer que vão armam violência e são protegidos por serem das famílias influentes da zona (…) Acho que já é tempo de serem punidos”. Em 2009, o mesmo grupo envolveu-se em cenas violentas com seguranças da discoteca “Praxis” em Évora. Em 2011, vários focados envolvem-se em pancadaria nas bancadas do Campo Pequeno e no ano seguinte, forcados envolvem-se em desacatos na discoteca “Kapital” na Terceira.
Em 2013 foi notícia uma rixa envolvendo forcados nas festas de Alcácer do Sal, que resultou numa agressão com arma branca. Ainda em 2013, o forcado Carlos Grave agrediu um socorrista da Cruz Vermelha no Campo Pequeno, por este ter fugido de um touro, enquanto socorria um outro forcado. Em 2013, em França, após quase dois anos sem manifestações, um grupo anti-touradas invadiu uma praça de touros em Rion-des-Landes. A reacção dos aficionados fez jus à violência cega da sua tradição e o resultado foram oito feridos. Um deles, em estado grave devido à brutalidade das agressões, teve de ser induzido a um estado de coma artificial. Já em 2011 uma acção com o mesmo objectivo tinha acabado em violência extrema. As imagens que correram as redes sociais são disso exemplo. Os aplausos que se ouvem quando o touro é torturado, são os mesmos que se ouvem enquanto cavaleiros, ganadeiros e aficionados agridem os manifestantes, indefesos, no meio da arena. O modo como a população de Barrancos defende o “Touro de Morte“ e as agressões de que foram alvo alguns activistas, nas barbas da polícia, a facilidade com que se mudaram leis, para tornar legal a chacina que se repete em Barrancos todos os anos, deve preocupar qualquer pessoa vinculada com a ideia de uma sociedade justa. Depois de Barrancos, várias localidades exigem o mesmo direito a matar o Touro aos olhos do público. O caso das touradas em Viana do Castelo, município que se declarou anti-tourada, é um perfeito exemplo da arrogância dos tauromáquicos e do modo como encaram a vontade popular e seus representantes democráticos.
 
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“O homem que mata animais hoje, é aquele que mata as pessoas que atrapalham o seu caminho amanhã” – Dian Fossey
A tradição de que origina a tourada reflecte (e deriva de) alguns dos piores elementos da história humana: a exploração do outro e do meio natural, a glorificação da guerra e do militarismo, o autoritarismo e perversidade de modelos de organização social que pressupõe a superioridade de uns, sobre a maioria dos outros. Na sua génese podem estar práticas ancestrais, mais ou menos disseminadas, mas cuja antiguidade e ritualização não podem esconder ou justificar a sua violência e crueldade. Essas práticas, gradualmente despidas com o passar do tempo, do seu carácter “mágico” ou espiritual, cristalizam-se em “espectáculos”. Essa transição é visível através da história Europeia. Um elemento característico da vida da aristocracia europeia era o ócio, maligno, que os levava a buscar diversões: jogos e torneios vários, sendo um deles o “Torneio de Animais”. Os primeiros confrontos nestes torneios consistiam em lutas entre cães, animais selvagens e touros. O “bullfighting” da aristocracia inglesa do século XV, perdura até hoje, como comprovado pelas fotos publicadas na internet pelo cavaleiro João Moura em 2014, onde se pode ver 5 cães atiçados a um vitelo, com a intenção de os publicitar para posterior venda. No século XVIII (que tanta nostalgia traz aos ganadeiros e cavaleiros) os “pretos“ foram acrescentados aos animais que entravam na arena do “Circo de Animais”. Em dias de festa brava, o racismo era alimentado a touros e escravos, como confirmado por uma notícia no Diário do Governo nº 232, de 1844, sobre uma tourada na cidade da Nazaré, onde se pode ler: “…alguns homens pretos foram ali tratados com estrema barbaridade. (…) A maior parte dos membros da câmara sabia o que se praticava com estes infelizes nas praças de touros, onde eram tractados peior do que os animais”. Esta forma de torneio, a “Tourada”, enquadrava-se já nas vidas dos cavaleiros, permitindo o treino da equitação. Assim, a classe cavalheiresca começou ela própria a desafiar o touro sempre montada a cavalo, fazendo apresentações em celebrações e outros eventos. Casamentos reais, vitórias militares e acções religiosas eram assim “enobrecidos”.
A história europeia fornece inúmeros exemplos destas práticas, como por exemplo durante a coroação de Afonso VII de Castela e Leão no contexto da qual muitos animais terão morrido, ao ponto de se começar a registar o número de touros mortos como medida da grandiosidade do evento. Mais tarde, já no século XVIII, este tipo de torneios ganha um novo âmbito, tornando-se também uma diversão para os trabalhadores das quintas dos senhores. Foi neste momento que se consolida a tourada a pé (Forcados). Segundo José Rodriguez (Pepete), toureiro do século XIX, “grande parte destes novos participantes trabalham nos matadouros ou nas criações de gado dos senhores”. A Tourada também conheceu resistência, tendo sido proibida por Papas e monarcas, mas quando Ferdinando VII ascende ao trono de Espanha, a actividade volta a crescer em popularidade.
Voltando ao presente, Viana do Castelo, depois de ser a primeira cidade do país a declarar-se anti-tourada, enfrenta uma guerra aberta, antidemocrática, por parte do “lobby” para forçar as touradas na cidade. A câmara local comprou a praça existente para a tornar, como centro de Ciência Viva, num espaço de real cultura. Os aficionados querem a praça de volta, e têm realizado touradas na periferia da cidade, utilizando uma praça móvel, montada em terrenos privados. Desta mesma prepotência – voltando também à questão dos apoios – existem dezenas de exemplos. Um pouco por todo o país, onde existem praças fixas, os tauromáquicos exigem dinheiros públicos para as renovar e museus para “iluminar” a sua cultura.
Cavaleiros e ganadeiros parecem desejar recuperar o lema do coliseu Romano: “Pão, (Deus) e Jogos”. Hoje convertido em “Touros, (Fado) e Futebol”, é sob esse lema, que a família tauromáquica se reúne e projecta planos para renovar a tradição. Foi num desses encontros que os aficionados das Caldas da Rainha divulgaram a intenção de reabrir o Museu Joaquim Alves. A Câmara Municipal guarda o espólio do museu, esperando por um local para o reabrir. Pedidos de museus tauromáquicos com dinheiros públicos ou apoios para os já existentes repetem-se por dezenas de cidades.
Esta atitude tem antecedentes que ajudam percebê-la. A arrogância de um grupo que se julga e sente melhor, a aristocracia, tem na classe tauromáquica um repositório e manifesta-se em atitudes e práticas. Muitos dos membros dessa classe, frequentemente oriundos de famílias “antigas” e mais ou menos endinheiradas, têm posições destacadas na comunidade que integram e consequente acesso ao poder político local, nacional e mesmo internacional. Isto ajuda a perceber a desproporcionalidade de representação dos interesses do que é efectivamente uma diminuta minoria. Isto por sua vez reflecte-se na acção de Juntas, Autarquias e do Estado.
Portugal, representado pela Liga portuguesa de Criadores e Proprietários de Cavalos de Corrida, que desde 2014 é membro da European & Mediterranean Horse Racing Federation, organiza várias corridas e promove sistemas de apostas online. Em 2004, o Ministério da Agricultura apresentou em Concelho de Ministros um diploma para facilitar a introdução do sistema de apostas em corridas de cavalos. A intenção era legalizar duas pistas no País, uma no Norte – a Maia rapidamente se colocou na linha da frente – outra no Sul, grande parte pago com dinheiros públicos.
 
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O Estado, ao serviço das elites, como criador de animais para lide?
Em 1908 a Ganadaria Real portuguesa enviou touros para lide na Cidade Real, em Espanha. Este foi o relato da ganadaria: “Seis catedrais! Nunca algum toureiro ou algum aficionado vira touros mais monstruosos. Deixaram 16 cavalos no chão”. A ganadaria criou touros a partir de vacas da família Vitorino Avelar Fróis, cobertas por animais de Infante da Câmara e outros criadores. Cem anos mais tarde as proclamações são menos bombásticas, mas o Estado português é criador de cavalos, muitos dos quais são vendidos, para procriação, para os desportos equestres ou para fins militares através da Coudelaria de Alter. Hoje integrada na Companhia das Lezírias SA, nos seus 800 hectares murados coexistem com o espólio equino da Coudelaria Nacional, do Alter e das Lezírias. Tem como missão expressa, em regime de serviço público, “a preservação do património genético animal da raça lusitana, quer na linha genética da Coudelaria Nacional, quer na linha Alter Real”. Curiosamente, em 2004, a Companhia das Lezírias (a maior exploração florestal e agro-pecuária do país),esteve para ser privatizada por Durão Barroso. Em 2014, a Ministra Assunção Cristas recusou a privatização da companhia e acrescentou: “Vamos potencializar o turismo equestre que é uma área de elevado potencial de desenvolvimento no nosso país”. Nesse âmbito, insere-se ainda a EPAE (Escola Portuguesa de Arte Equestre), que trabalha em estreita ligação com a Coudelaria do Alter. Fundada em 1979 e desde 2012 gerida pela Parques de Sintra-Monte da Lua SA, uma empresa pública fundada em 2000 para gerir a paisagem cultural de Sintra. A EPAE tem como função expressa “o ensino, a prática e a divulgação da Arte Equestre tradicional portuguesa” dando sequência ao “ensinamento e tradição” da academia equestre da Corte do século XVIII, a Real Picaria. Então como agora, o “ensinamento e tradição” estão intimamente ligados ao toureio equestre.
Assim, a preservação da “nobre” arte equestre, com o toureio no seu cerne, passou das mãos da Coroa para as do Estado. As rédeas, essas, estiveram sempre nas mesmas mãos, as da “Corte” montada em torno do que não deixa de ser uma indústria, que, bem subsidiada, mantém e gere vastas propriedades e negócios decorrentes. Basta ver que da Corte de então à de agora, muitos apelidos se mantêm para perceber que, despidos de títulos, muitos encontraram na “tradição” um veículo e sustentáculo de poder e influência.
A Quinta do Castilho por exemplo, pertence à família Infante da Câmara, que tem orgulhosamente como antepassado Nuno Tristão, um explorador e pioneiro, em meados do século XV, da venda de escravos pelos portugueses. Mais tarde, D. Emílio Ornelas Infante da Câmara, o então patriarca da família, foi uma das figuras proeminentes da agricultura ribatejana oitocentista, onde o Liberalismo assistiu à criação de uma burguesia agrária, naturalmente ligada à prática equestre. A quinta construída em 1914 durante a 1ª República tem hoje, entre outros serviços, espaços para eventos sociais. Uma das actividades de dinâmica de grupo é uma praça de touros onde se “pode assistir a uma demonstração do que é uma verdadeira corrida de toiros ou de cavalos puros Lusitanos”. Foi a família Infante da Câmara que inaugurou a praça de touros do Campo Pequeno, estando presente no seu Centenário em 1992.
Neste esboço, é possível começar a perceber que, ofuscadas pelo discurso simplista acerca de tradição, estão tensões antigas e relações de poder que em grande medida se mantêm. Está também um historial de exploração humana e animal. Esse discurso é usado pelas elites que dele beneficiam para justificar a instrumentalização de recurso e dinheiro público para beneficiar o que é na realidade um negócio. Frequentemente, os nobres de ontem são os defensores da tradição de hoje. Um pouco por toda a Europa do sul e em Inglaterra há “Cañetes” que em cargos mais ou menos elevados, favorecem os interesses da minoria a que pertencem. A “nobreza” das lides viveu e vive da pobreza das gentes, tanto quanto do sofrimento dos animais e portanto quando falamos de tauromaquia, não falamos apenas do triste espectáculo da arena, mas de toda uma realidade social, com raízes no latifúndio, na exploração e opressão. E ao combatê-la lutamos não só pelos animais, mas pelas gentes e em geral por um mundo um pouco mais justo e um pouco menos cruel.
Notes:
  1. Understanding the Link between Violence to Animals and People: A Guidebook for Criminal Justice Professionals. NDAA (National District Attorneys Association) (2014)↩
  2.  IGAC relatório da actividade tauromáquica Luís Rouxinol, Naturales – correio da tauromaquia ibérica, 2012. ↩
  3.  Luís Rouxinol, Naturales – correio da tauromaquia ibérica, 2012. ↩
 
 
Por Granado da Silva
 
 
Fonte: 
publicado por Isabel A. Ferreira às 16:04

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Sábado, 4 de Agosto de 2018

MAIS UM FIASCO - OLHEM A MAIORIA QUE ONTEM ATAFULHOU O campo pequeno…

 

Torturar touros para bancadas vazias na principal arena do país, tornou-se recorrente. E eles dizem que são a maioria! Além de cegos e atrasados mentais não sabem fazer contas.

Já se sabe que a tauromaquia assenta na mais profunda ignorância e estupidez, mas também numa cegueira mental que mete dó!

Valeu a cena de pancadaria entre os apoderados dos tauricidas de serviço, que levou um ao hospital e a outra a sentir-se mal, para que ficasse provado que as touradas são pura violência, dentro e fora da arena.

E ainda há parvos que aplaudem, apoiam e promovem “isto”! A começar pelos de "cima"!...

 

CAMPO PEQUENO.jpg

 Fonte:

https://www.facebook.com/JuventudeAntiTouradaPortugalMundo/photos/a.375919462483743.89580.373933776015645/1833161783426163/?type=3&theater&ifg=1

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:34

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