De Marco Aurélio Leite da Silva a 17 de Dezembro de 2010 às 16:47
Eu acho que os portugueses não entendem como é o espírito do brasileiro. Não se trata de menosprezo aos portugueses, os quais, ressalto com toda a ênfase, continuam sendo MUITO BEM TRATADOS nas terras além do Atlântico.

O brasleiro não é brasileiro somente a partir de 1822... Há até hoje, na verdade, muitos Brasis, todos irmanados no senso de unidade que permeia culturas em tudo diferentes. Um habitante da região norte usa de expressões que o habitante do sul (distante mais de 3.000 quilômetros) muitas vezes não entende. Mas há algo em comum a todos: a irreverência. Já era assim antes de 1822. Seja uma virtude, seja um defeito, pouco importa, o brasileiro ri de si próprio com a mesma facilidade com que abraça, com pirraça, os que lhe são caros. Somente a indiferença é dedidaca aos indesejados.

Para cá vieram muitos escravos. Povo belíssimo de cultura maravilhosa, o africano trouxe ao brasil a ginga que o português jamais conquistou. Lamento. Vocês continuam se ofendendo com a fuga do rei. Ora, o brasileiro não cansa de apontar, com todas as letras, todas as mazelas de nossa própria sociedade. O brasileiro não tem falsos pudores com quem não os merece.

O negro foi aqui espoliado, trucidado, e o Brasil (vejam bem: o Brasil, não Portugal) tem uma mácula fétida em sua história por ter sido o último a acabar com a escravidão.

Recentemente (em termos históricos) fomos os primeiros a depor um presidente por corrupção. Tivemos uma ditadura militar que cometeu atrocidades que são continuamente desnudadas hoje em dia.

Por que o rei não pode ser visto como covarde? Foi um ato de coragem? Deixou o povo português aguardando Napoleão sob a necessária proteção? Por que tanto melindre acerca de uma figura bondosa, inteligente, que talvez jamais devesse ter sido rei? Era hesitante... Era medroso.

Se o português se ofende com isso, deveriam os brasileiros ficar felizes quando o mesmo rei --- tão logo as coisas voltaram à calma --- resolveu retornar à pátria mãe e reconduzir o Brasil ao status de colônia?

Foi preciso coragem para retornar a Portugal e tentar reter o "projeto" de um "reino unido"?

Não, meus amigos. O português continua e sempre continuará sendo tratado como irmão no Brasil. Exatamente por isso, não tenhamos meias palavras entre nós.

O rei fugiu. É fato. Deixou o povo português à mingua de comando e proteção.

Nosso primeiro grande e valoroso brasileiro foi um português: Dom Pedro I. Era mulherengo e cresceu em meio à nudez com que os trópicos enlouquecem um jovem. Cresceu brasileiro. Brincalhão, dava ouvidos ao Chalaça ao invés de procurar os filósofos. Não se trata de menosprezo --- o próprio brasileiro continua sendo assim.

Graças a Deus!!!

Acabemos com essa piequisse de passar verniz sobre a madeira riscada. O rei fugiu. E daí?


De Isabel A. Ferreira a 17 de Dezembro de 2010 às 19:54
E daí, Marco Aurélio?

E daí, o rei NÃO FUGIU. Transferiu a corte.

E daí, o rei NÃO ERA UM COVARDE. Foi o único monarca que não se vergou a Napoleão e defendeu o seu Reino e o seu nome.

E daí, o rei NÃO DEIXOU O POVO SEM PROTECÇÃO.

E daí a história que nos contam no Brasil (e eu já estudei História no Brasil, inclusive a nível superior) não está correcta.

E daí, o autor do 1808 escreveu com muito preconceito.

E daí, eu não gostei.
E daí, contestei.
E daí, eu, que sou de cá e também de lá (daí do Brasil), tenho o privilégio de conhecer os dois lados da moeda.

E daí, Marco Aurélio, 80% da minha família é brasileira. Nada tenho contra o Brasil, nem contra os brasileiros.

E daí, eu defender a HONRA e a HISTÓRIA de Portugal, com a mesma garra que defenderia a HONRA e a HISTÓRIA do Brasil, e os brasileiros, se estes fossem tão maltratados, como foram Portugal e os Portugueses.

E daí, quem não sabe FAZER HISTÓRIA, é melhor NÃO FAZÊ-LA.

Estão muito interessados, neste momento, na minha «Contestação», porquê?

O «1822» está a ser um fracasso?
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