Sábado, 19 de Setembro de 2020

Aeroporto do Montijo: cientistas acusam governo português de ir contra os objectivos do Pacto Ecológico Europeu, violando as directrizes dos acordos internacionais

 

O governo português sempre em rota de colisão com o BOM SENSO e violando acordos intencionais, não só em questões ambientais.

UMA VERGONHA!

 

Cientistas portugueses publicaram um artigo em forma de carta, na Revista científica Science pressionando o governo português no sentido de não construir o aeroporto no Montijo, evidenciando sobretudo o efeito destrutivo em centenas de milhares de aves no estuário do Tejo.

 

esturio-do-tejo-1-638.jpg

Fonte da imagem:

https://pt.slideshare.net/inesserafim/esturio-do-tejo-35403411

 

Dizem os cientistas que prosseguir com a construção do aeroporto é o contrário de “combater a mudança climática global e reverter a crise da biodiversidade”.

 

O biólogo José Alves, da Universidade de Aveiro, co-autor com Maria Dias, da organização Birdlife, afirmou esperar que a mensagem chegue lá fora e que isso ajude a pressionar o governo português, para que “o bom senso” prevaleça e o projecto da construção do aeroporto no Montijo seja abortado. é que  «estamos a falar de 200 mil aves no Inverno e 300 mil nos períodos migratórios», referiu o biólogo, acrescentando que Movimentos e investigadores na Holanda e na Alemanha, por exemplo, “estão atentos, a questionar o que se passa e o que está em cima da mesa”.

 

O que está em causa não diz respeito apenas a Portugal e a questão das aves migratórias “não é uma discussão para fazer apenas a nível nacional” porque “há outros países como a Holanda, Dinamarca, Alemanha e Reino Unido, entre outros, que partilham pontos nas rotas destas aves, que ocupam às centenas de milhares o espaço do estuário do rio Tejo, e investem na sua protecção, porque já estão numa trajectória de declínio.

 

Estamos a falar do maçarico-de-bico-direito, de que há 80 mil exemplares no estuário do Tejo, tal como o pilrito-comum ou a seixoeira estão entre as espécies de aves sobre as quais o voo de aviões a baixa altitude terá impactos muito assinaláveis.



Segundo o citado biólogo, «a ideia de que as aves, porque voam, podem deslocar-se para outros lugares, não corresponde à realidade. Estas aves, apesar de voarem milhares de quilómetros, são fiéis aos locais para onde migram, por vezes ao quilómetro quadrado (…) Haverá mesmo aviões a sobrevoar parte da Reserva Natural do Estuário do Tejo e, em última análise, as aves acabarão por morrer (…) Com os voos, com os altos níveis de ruído, o que acontece é uma perda de ‘habitat’, mesmo sem construção efectiva. Perdem o seu alimento e as populações diminuem. Perdemos aves»

 

Os cientistas evidenciam ainda que “praticamente metade do estuário do Tejo será impactado e não pode ser substituído, e que a declaração de impacto ambiental da Agência Portuguesa do Ambiente tem por base um parecer favorável do Instituto de Conservação da Natureza e Florestas que contraria o “o parecer interno desfavorável dos seus técnicos».

 

Há, pois, muita «falta de informação, erros técnicos e adopção de critérios subjectivos, e as medidas de compensação propostas para as aves não são eficazes, porque não terão para onde ir», afirmam os cientistas.

 

José Alves e Maria Silva assinalam a ironia de Portugal ter conseguido o título de Capital Verde Europeia[uma falácia]alegando a proximidade do estuário do Tejo e de estar na calha um projecto como o do Montijo, que além do impacto nas aves irá gerar “um aumento substancial nas emissões de carbono em torno da capital.

 

«Este é um exemplo evidente de uma tentativa de um estado-membro em desconsiderar directrizes de conservação, acordos internacionais de protecção de espécies e habitats, e os anúncios que o próprio Governo faz na promoção de um futuro mais sustentável e sem emissões de carbono”, acusam os cientistas.

 

Fonte da notícia:

https://blogcontraatauromaquia.wordpress.com/2020/09/18/investigadores-escrevem-carta-na-revista-science-para-pressionar-o-governo-a-nao-construir-o-aeroporto-no-montijo/

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:46

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Sexta-feira, 18 de Setembro de 2020

O mundo civilizado está contra a elevação da selvajaria tauromáquica a Património Cultural Imaterial da UNESCO

 

Se bem que ninguém acredite que a UNESCO pudesse ousar elevar uma prática cruel e violenta a património, fosse do que fosse,  milhares de anti-touradas estão a mobilizar-se e a enviar cartas a Audrey Azoulay, Directora-Geral da UNESCO,  demonstrando  a sua indignação contra esta autêntica  insanidade.

 É que BASTA de tanta crueldade! O mundo precisa de evolução!

Uma desses anti-touradas é o deputado europeu Francisco Guerreiro, que publicou o seguinte, na sua página do Facebook:

 

«❌🐃 Sou e serei sempre contra as touradas!

Não posso admitir sofrimento animal em prol do divertimento humano. Por isso, ao saber da iniciativa por parte da International Tauromaquia Association (com sede em Espanha) para que os eventos tauromáquicos sejam inscritos na lista do Património Cultural Imaterial da UNESCO resolvi agir.

 

‼️Reuni assinaturas de mais de 60 eurodeputados, uni as Património Cultural Imaterial da UNESCO, em torno desta questão e enviei uma carta à Directora Geral da UNESCO a manifestar-me CONTRA! E não estou sozinho: das 7 bancadas no Parlamento Europeu, 6 subscreveram a missiva.

 

 Mas ainda não acabou. A reunião de assinaturas prossegue e o nosso trabalho também para que imagens como esta abaixo não voltem a aparecer nem no nosso imaginário.»

 

Sofrimento animal.jpg

 

O que se vê nesta imagem jamais poderá fazer parte do Património Cultural Imaterial da UNESCO, porque pertence ao domínio da insanidade, não, da Cultura.

 

A carta dirigida à UNESCO,  por Francisco Guerreiro e assinada pelos deputados europeus pode ser consultada neste link:

https://www.facebook.com/franciscoguerreiroMEP/photos/pcb.1058682367888956/1058682267888966/?type=3&theater&ifg=1

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:48

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Quinta-feira, 17 de Setembro de 2020

Ideologia de Género nas Escolas Portuguesas

 

Uma vergonhosa lavagem cerebral às indefesas crianças, a quem lhes são induzidas as "ideias" que são denunciadas neste vídeo, sem que elas percebam porquê.

 

O que pretende o "lobby" que está por trás disto?

É que isto faz parte de regimes totalitários. Não, de regimes democráticos.

 

O que pretende o Ministério da Educação? Robotizar as crianças portuguesas?

 

A sociedade portuguesa está a ser atacada por uma espécie de esquerdalha, que só desprestigia a esquerda, fazendo catapultar uma espécie de direitalha, que desacredita a direita. Cuidado! Já há quem esteja a esgueirar-se por esta brecha…   

Não tenham receio de abordar este tema e de dizerem ALTO o que pensam baixinho.

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:12

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Segunda-feira, 14 de Setembro de 2020

Abraçando as árvores, um grupo de cerca de 50 pessoas impediu o abate de 20 plátanos no Cabedelo, em Viana do Castelo

 

Senhores autarcas, penso que ninguém é contra a obra. Mas é a favor da obra, poupando as árvores. Que mudem o traçado do acesso ao porto de mar, poupando as árvores. É isso que se pretende. Infelizmente, vivemos num mundo em que certos empresários preferem respirar DINHEIRO, e não ar puro.

 

A obra é importante? As árvores também são importantes. São VIDA.

 

Portanto, há que fazer uma coisa apenas: MUDAR o traçado da obra. Simples, não? Naturalmente haverá engenheiros engenhosos que, engenhosamente, poderão mudar esse traçado e poupar as árvores, num Portugal que, desesperadamente, precisa delas.

 

Ah! Não vivo em Viana do Castelo. Mas sou pelos Plátanos que querem abater em Viana do Castelo. E, claro por um melhor acesso ao porto de mar. Mas é da INTELIGÊNCIA conciliar uma e outra coisa.

Sejam, pois, inteligentes!

 

Isabel A. Ferreira

Alameda de Viana.jpg

Eis os Plátanos que querem abater. Um verdadeiro crime ambiental.

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Foto de Rui Manuel Fonseca

 

De acordo com a notícia da edição online da Rádio Alto Minho, a Associação dos Moradores do Cabedelo, em Viana do Castelo, avançou esta manhã com o embargo extrajudicial dos trabalhos de abate de 20 plátanos numa avenida que liga a Estrada Nacional 13 à praia e à zona habitacional daquela localidade.

 

A empreitada ia ser iniciada esta segunda-feira, contudo, cerca de meia centena de pessoas juntaram-se no local, e quando os trabalhos iam começar a Associação avançou com o embargo, um mecanismo legal que permite a suspensão imediata dos trabalhos. Associação tem agora cinco dias para formalizar o embargo extrajudicial no Tribunal de Viana do Castelo.

 

«O nosso objectivo não é inviabilizar o acesso ao porto de mar. Isto que fique bem claro. O que nós queremos é procurar uma alternativa a este traçado que evite o corte de árvores”, declarou Mariana Rocha Neves, porta-voz da Associação de Moradores, acrescentando: “Sempre estivemos convencidos de que esta obra seria feita através de um cruzamento, através do abate de três ou quatro árvores. Existe um pedido do INCF para classificar este arvoredo como de Interesse Público, pela sua idade, porte e enquadramento paisagístico”.

 

O abate das árvores provocou uma onda de contestação nas redes sociais. Deu também origem ao lançamento de uma petição online, que esta segunda-feira já reúne mais de mil assinaturas. Vereadores da oposição (PSD e CDU) na Câmara de Viana (PS) marcaram presença no protesto e anunciaram que vai ser solicitada a realização de uma reunião extraordinária do executivo para debater a questão do abate dos plátanos no Cabedelo.

 

Fonte da notícia:

https://radioaltominho.pt/noticias/associacao-de-moradores-avanca-com-embargo-extrajudicial-de-abate-de-20-platanos-no-cabedelo/?fbclid=IwAR3udwsGjnQJ29PLME1deBnIEoBjU2wIV98b18MXP6e-5VHvU4th0ivkp0s

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:11

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Há alguma coisa errada no pandemónio gerado pela Covid-19

 

Que há alguma coisa errada nisto tudo, é uma grande verdade. Também tenho confiança no desmascaramento desta "coisa", que traz o mundo refém do medo.

 

A ver se eu entendo! – um texto de João M. Félix Galizes para ler e reflectir.

 

CONFINAMENTO.jpg

 

«A ver se eu entendo!

 

Então em Fevereiro a Directora-Geral da Saúde. Graça Freitas dizia que o vírus da China não ia chegar a Portugal.


E afinal, dizem que chegou em Março.
Agora, em Agosto, já sabem que vão precisar de encatrafiar as pessoas novamente em prisão domiciliar, no Natal!? 🤔


Já sabem isso com tanta antecedência!? 🤔
Ou vão falhar novamente, ou se acertarem, então, é porque o plano terá conseguido ser posto em acção, não o vírus.


As pessoas mais distraídas deveriam despertar e perceber que há um plano para desestruturar a ordem natural. Então, trancam as pessoas em casa, disseram que era para protegê-las, e agora vêm, outra vez, assustar as pessoas, dizendo que "a maioria dos novos casos surge no seio familiar"? Isto é de loucos, e não tem razoabilidade científica. As regras que são alteradas a cada momento não têm lógica. Mas as pessoas acreditam na receita dos mentirosos.


Já vos retiraram a Páscoa, e vocês acreditaram que era para o vosso bem. Mais tarde, adeus Natal! E tu com medo do vírus mortal. O vírus está no Poder, na AR, na PR, na Magistratura, e nas sociedades secretas que dominam a sociedade e as instituições, e não em cada uma das habitações da população.


Se acreditarem nisto, eles vão criar outros vírus sempre que precisarem disso, para vos manter em prisão.


Garanto-vos, que se eu não tivesse confiança em que esta farsa vai ser revelada em breve, preferia MORRER por causa do vírus, ou doutra treta qualquer, do que continuar a viver com medo de morrer, e sem liberdade. ;)

Vivam sem medo de serem felizes! ;)»

JmfG

 

Fonte:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1469505129906094&set=a.115100005346620&type=3&theater

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:01

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«Psicologia da “afición" taurina: sadismo, narcisismo e erotismo» - Um texto que confirma a insanidade do massacre de Touros em Reguengos de Monsaraz, no passado sábado

 

Eis um texto que traduzi do original, em que se demonstra, à luz da psicanálise, tudo o que está referido no título.

 

Um texto de leitura obrigatória, para quem pretende entender a psicopatia implícita nas cruéis manifestações taurinas, às quais o Parlamento português, irracionalmente, dá o seu aval.

 

A autoria do texto é de Cecilio Paniagua, e foi publicado na Ars Médica, Revista de Humanidades, 2008. O autor é doutor em Medicina e Membro Titular da Asociación Psicoanalítica Internacional.

 

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Resumo:

Estuda-se a evolução sócio-histórica a partir de uma perspectiva psicanalítica da tauromaquia. Comenta-se a orientação psicológica do sadismo, do narcisismo, do erotismo e das  orientações da afición, concluindo-se que a tauromaquia constitui uma complexa permuta cultural entre impulsos inconscientes e a volúvel sensibilidade social à crueldade expressa por meios estéticos, tradicionalmente validados.

 

***

 

«Existem muito poucos trabalhos publicados sobre a tauromaquia na Literatura Psicanalítica. Num deles, da autoria de Winslow Hunt (1955), pode ler-se: «É surpreendente que uma actividade tão dramática e anacrónica não tenha despertado mais, o interesse dos psicanalistas». A pouca atenção prestada pela psicanálise a esta espectacular manifestação cultural foi atribuída à influência do preconceito.

 

O psicanalista Martin Grotjahn (1959) sustentava: "Os aspectos horríveis da tauromaquia anulam o interesse que o simbolismo inerente ao seu ritual possui. Talvez isso explique a falta de tentativas analíticas para interpretarla fiesta”».

 

A história da tauromaquia proporciona um bom campo para o estudo dos ajustes psicológicos relativos à tolerância e à crueldade. A evolução da regulamentação do nosso feriado nacional reflecte a tentativa de alcançar diferentes compromissos entre as inclinações sádicas da afición e a mudança de sensibilidade da sociedade em relação aos espectáculos sangrentos.

 

Estima-se que cerca de sessenta milhões de pessoas em todo o mundo são espectadores de touradas. A afición tauromáquica baseia-se no facto de proporcionar um momento único para o alívio e a projecção de impulsos instintivos reprimidos. Claramente, o seu atractivo principal é o da recompensa inconsciente dos impulsos sádicos. A dor e a morte do touro são dadas como certas. Na mente de todos os aficionados está o facto de que os cavalos e, é claro, os toureiros podem sofrer o mesmo destino.

 

Com efeito, todas as vezes que um touro é ferido, o aficionado experimenta dois desejos conflituantes: que o toureiro seja colhido e que o feito não tenha consequências sangrentas. Somente o último é geralmente consciente.

 

Esses desejos opostos provocam no espectador duas instâncias psíquicas diferentes: o Id dos instintos e o Superego da consciência. Com efeito, o toureiro é o objecto da projecção de instintos e desejos conflituantes. Os condicionamentos históricos dessa ambivalência ditam as preferências em relação às práticas taurinas. O público que assiste a uma tourada pede ao toureiro que se aproxime das hastes mortais do animal, mas, simultaneamente – não em vez de, como muitas vezes se pensa - ele não quer testemunhar uma desgraça.

 

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 Legenda: Mas como é que o maltrato animal pode ser um bem cultural? De que cultura? E que cultura seria essa? A “Rompesuelas”, Touro de la Vega 2015, em Tordesilhas

 

A maioria dos espectadores de uma tourada rejeitaria a ideia de que vai aos touros por motivos sanguinários. Tão-pouco aceitaria que o seu propósito é assistir ao sofrimento e à morte dos animais.

 

Mais ainda repugnaria aos espectadores a ideia de que tinham ido assistir a uma colhida e que estariam parcialmente certos, porque, desde já, não é esta a única motivação deles. Eles defenderiam argumentos conscientes e mais apresentáveis para o Superego, como a Estética. A maioria dos aficionados simplesmente argumentaria que a tourada é uma festa inigualável no mundo, um espectáculo emocionante e bonito em que se demonstra a bravura, a arte e a inteligência de um homem diante de um touro bravo.

 

Embora compreensível, toda essa argumentação é adicional e não substituta do sadismo inerente às touradas.

 

Quando os espectadores de uma tourada dizem que sofrem com o sofrimento e ficam alarmados se o toureiro é ferido pelo touro, não estão cientes de que esses sentimentos são reactivos aos seus mais ocultos desejos sádicos.

 

Existem engenhosas racionalizações para justificar o espectáculo cruel das touradas. Tomemos por exemplo, que o touro pretende matar o toureiro, como se o animal tivesse escolhido ir para a arena com essa intenção.

 

As touradas encorajam o sadismo da afición, ou melhor, enquadra-o dentro de um marco estético?

 

A questão a ser esclarecida seria a de se a aceitação social do espectáculo dos touros promove a expressão sádica de instintos agressivos que poderiam ter sido sublimados por trajectórias socialmente mais úteis; ou se, pelo contrário, neutraliza o seu potencial destrutivo por meio da descarga parcial dos ditos instintos. Afinal, hoje em dia, o aficionado limita-se a ter fantasias assassinas, gritar e, na melhor das hipóteses, atirar lenços. A resposta a esta questão é, com toda a certeza, que la fiesta dos touros cria efeitos psicologicamente contraditórios no espectador.

 

Para a afición, é importante saber que o touro tem a uma oportunidade de matar o toureiro, e que não se trata de uma caçada. A equiparação de forças possibilitada pelo toureio a pé que, a seu tempo, tornaram a lide uma actividade popular, ao facilitar a identificação da maioria dos espectadores com o toureiro, acrescentou um atractivo decisivo à tauromaquia. Se o toureiro arrisca pouco, o resultado é frustrante. Quando o picador ataca o animal ou quando a espada mata desajeitadamente, os aficionados ficam enraivecidos. O que é entendido como abuso do animal desperta sentimentos de culpa, associados a fantasias sádicas reprimidas.

 

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 Legenda: «Saberá esta gentalha que existe o teatro, o cinema, a música, os livros, a Natureza e um montão de coisas mais para se divertirem? «Nada mais belo do que a vida, nada mais cruel que maltratá-la»

 

Existe também a identificação com a atitude exibicionista do toureiro. Com efeito, uma das dinâmicas mais importantes na organização mental do toureiro é a da gratificação narcisista.

 

A colorido das touradas, o traje dos toureiros, os diversos imprevistos, a própria praça, proporcionam um cenário especialmente apropriado para o desprendimento e gratificação da exibição e da auto-recompensa. Os sonhos de esplendor e imortalidade servem, por sua vez, para neutralizar anteriores sentimentos de inferioridade.

 

Quando o toureiro se sente forçado a gozar de uma sensação de grandiosidade na arena, ou quando necessita da aclamação dos aficionados a qualquer preço, ver-se-á impelido a pôr a sua vida num perigo maior do que o seu senso comum o aconselharia.

 

Quando a praça vibra com o matador, o toureiro participa por alguns momentos dessa exaltação egocêntrica que, na realidade, constitui o regresso ao sentimento feliz da supremacia exibicionista da infância. Mas essa reacção emocional tem pouco a ver com uma verdadeira afeição pelo toureiro. Este sabe, ou a experiência lho diz imediatamente, que o fervor dos aficionados, numa tarde, pode transformar-se em animosidade na tarde seguinte, ou, pior ainda, em indiferença. Muitas figuras do toureio temem mais o declínio da sua popularidade do que as próprias cornadas.

 

A posição privilegiada do toureiro nos cartazes - dinheiro e fama na juventude - inspira admiração, mas também inveja, lado inevitável da mesma moeda. É comum que o espectador tente compensar esse sentimento doloroso, que denota inferioridade e é também condenável para a consciência, através do sentimento de superioridade. Assim, constitui-se juiz do que acontece na arena, faz exigências ao toureiro e arroga-se a prerrogativa da aprovação ou insulto.

 

Tão-pouco é estranho ao toureio o fenómeno que os psicanalistas conhecem como a erotização do perigo, no qual se fundem as respostas psicofisiológicas perante o medo, com a excitação sexual.

 

Além das óbvias implicações heterossexuais destas provas, há que ter em conta, a um nível mais profundo, que a tauromaquia pode ter significados homossexuais inconscientes. Ao fim e ao cabo, os protagonistas na arena são declaradamente machos, excepto nos poucos casos de mulheres toureiras.

 

Há uma passagem arrepiante do romance desse grande aficionado que foi Ernest Hemingway (1960), The Dangerous Summer, em que se narra a colhida de Ordóñez. O relato do acidente evoca um coito sádico homossexual: «Ao receber o touro por trás [...] o corno direito cravou-se na nádega esquerda de Antonio. Não há um lugar menos romântico, nem mais perigoso para ser colhido [...]. Vi como o corno foi introduzido no Antonio, levantando-o [...], a ferida na nádega tinha seis polegadas. O corno penetrou-o junto ao recto, rasgando-lhe os músculos

 

Em tom menos dramático, podemos reconsiderar o facto de que o robusto touro pode ser visto como representativo da virilidade, enquanto a fragilidade do homem pode ser interpretada como feminina (Frank, 1926). Na realidade, o bonito e apertado traje de luces, a melena, o andar em recuos e a atitude exibicionista são, na nossa cultura, mais próprios das mulheres. Vem-nos à memória a letra de uma zarzuela cómica, La corría de toros de Antonio Paso, em que se fala de um toureiro:

 

"Olha que feitos. / Olha que posturas. / Olha que aspecto de perfil. / Um toureiro mais bonito e mais adornado / Não o encontro, nem procuro / Com uma lanterna. / Olha que proeminências, / Olha que melena, / Olha que nádega tão marcada... ".

 

O psiquiatra Fernando Claramunt (1989) escreveu sobre a psicogénese e a psicopatologia das colhidas. Em algumas ocasiões os toureiros exprimem abertamente, no seu comportamento e até verbalmente, as suas tendências autodestrutivas. A lide de Belmonte foi considerada suicida pela maioria dos aficionados. Muitas pessoas foram vê-lo, acreditando que testemunhariam a sua última corrida. Durante anos, Belmonte pensou obsessivamente no suicídio e, já velho, tirou a própria vida na arena.

 

Em algumas colhidas auto-induzidas ou semiprovocadas pode também distinguir-se a dinâmica da vingança contra uma afición – parental - sádica. O sacrifício masoquista do toureiro teria como finalidade punitiva causar ou fomentar na vingança a culpabilidade. A este respeito, num artigo com o título O prazer de ser colhido, D. Harlap (1990) explicou eloquentemente a existência desta motivação no caso de Manolete.

 

Concluímos dizendo que as touradas representam uma complexa projecção psicológica, resultado de combinações entre os gostos sádicos da afición e a sua versátil sensibilidade à crueldade e à morte. Na actualidade, se se contemplar muito sangue, se se faz sofrer o animal "excessivamente" ou se o toureiro correr grande perigo, ferir-se-á a sensibilidade de uma maioria. Se, pelo contrário, esses aliciantes são escassos, desaparece o atractivo da festa. Esta constitui um marco único para a projecção de impulsos instintivos e para a representação de simbolismos inconscientes, transmitidos por meios altamente estéticos e tradicionalmente aprovados.

 

Consulta do artigo completo no original AQUI

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 10:05

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Domingo, 13 de Setembro de 2020

Noite negra e tragédia para os Touros torturados e mortos em Reguengos de Monsaraz

 

Uma terreola troglodita e desapiedada, que nada aprendeu com a tragédia da pandemia que por lá se abateu.

 

No passado sábado, em Reguengos de Monsaraz, realizou-se uma tourada onde foram massacrados e mortos ilegalmente vários Touros, e foram assistidos na enfermaria cerca de uma dezena de forcados, um em estado grave, resultante de cerca de 30 tentativas aos seis touros Fernandes de Castro, por parte dos Forcados Amadores de São Manços e Monsaraz.

 

O massacre de Touros teve de ser de ser suspenso durante algum tempo devido ao elevado número de feridos na enfermaria e por o médico de serviço estar empenhado em socorrer um ferido grave. O massacre só prosseguiu depois da chegada da Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER) de Évora, que se encarregou de acompanhar o ferido grave, que foi intervencionado e este domingo será enviado para uma unidade hospitalar de Lisboa, deste modo libertando o médico de serviço para acompanhar o resto do massacre.

 

Os restantes forcados foram transportados para o Hospital do Espírito Santo de Évora.

TUDO à custa dos nossos IMPOSTOS, com o aval do governo português. 



E os impostos dos Portugueses não são para serem esbanjados a massacrar Touros, nem para esbanjar com o tratamento de criaturas cruéis, que se expõem ao perigo porque tiram disso o maior GOZO, e não temos de pagar por isso.

 

Daí que lamente muito a pouca sorte dos desventurados Touros. Do resto, não há o que lamentar. Em Monsaraz os maus-tratos que dão aos Touros, dão igualmente aos Velhinhos.  E isto é algo inconcebível. Coisa terceiro-mundista e terrivelmente medievalesca. No seio de um povo compassivo isto jamais aconteceria.

 

Forcados de monsaraz.jpg

 Fonte da notícia: toureio.pt

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:45

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Câmara de Viana do Castelo pretende abater 20 plátanos para construir rotunda

 

E pensar que isto acontece num país que precisa desesperadamente de ÁRVORES.

 

«A Câmara de Viana do Castelo começa, nesta segunda-feira, a abater cerca de duas dezenas de plátanos existentes na Avenida do Cabedelo, em Darque, para a construção da nova rotunda que irá permitir um novo acesso ao porto de mar.

 

A medida está a levantar críticas nas redes sociais por se tratarem de árvores antigas e emblemáticas naquela avenida, que possui 170 plátanos ao longo do curso.

 

Apesar da autarquia assegurar o investimento de 30 mil euros para a plantação de outras 200 árvores autóctones (pinheiro-bravo e sobreiro) em várias áreas do Cabedelo, as redes sociais não perdoam, e até Chico da Tina, músico em ascensão do Alto Minho, veio criticar a medida.»

Ler mais aqui:

https://ominho.pt/camara-de-viana-vai-abater-20-platanos-para-construir-rotunda/?fbclid=IwAR22xjvMLmx3Ej89qobAjJxQN_HnaB6YEvCGZF9P-eO6J6Z3r8faePLYLGY

 

Plátanos.jpg

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:37

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«Crianças nas Escolas de Toureio: Abusos e Mais Abusos»

 

pequenos toureiros.jpg

Por Marinhenses Anti-touradas


Ontem, foi notícia que um professor de uma escola de toureio espanhola andava a ABUSAR SEXUALMENTE dos seus alunos há vários anos. Entre as vítimas, há crianças de 11 anos. O professor, ex-toureiro, está agora em prisão preventiva, conforme explicado num comunicado da Polícia, em https://www.policia.es/prensa/20200911_1.html

Em Portugal há várias escolas de toureio, com alunos com idades a partir dos 6 ANOS. Ainda que em Portugal não tenham surgido, até à data, notícias de abusos sexuais, há claramente outro tipo de abusos:

- Há bovinos com POUCOS MESES DE IDADE a serem TORTURADOS e MORTOS;

- Há crianças que são praticamente obrigadas a torturar e a matar animais.

De resto, há podres e mais podres na indústria tauromáquica. Pensamos que uma investigação jornalística sobre tauromaquia pode contribuir para que mais pessoas se passem a insurgir contra a cruel e vergonhosa actividade.


Está activa uma petição/mensagem de pedido de INVESTIGAÇÃO CMTV que pode ser subscrita em ✅ https://bit.ly/3hxm1Ch ✍️ Gratos pela atenção.

 

Fonte:

https://www.facebook.com/antitouradas/photos/a.215152191851685/3559279827438888/?type=3&theater&ifg=1

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 10:53

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Sábado, 12 de Setembro de 2020

«Nos trinta anos da morte de David Carneiro, um dos raros historiadores brasileiros amigos de Portugal»

 

Um interessante texto publicado no Facebook por Arthur Virmond de Lacerda (professor universitário brasileiro, que me dá a honra de ser meu amigo)  e que nos faz este apelo:

 

«David Carneiro foi dos raros historiadores brasileiros amigos de Portugal (e cuja produção valeu-lhe a comenda da ordem do Infante D. Henrique). Edificou morada, em Curitiba, inspirada no Ramalhete, de Os Maias. Neste ano passam-se 30 de sua morte e gostaria de que ele fosse mais conhecido em Portugal.» 

 

O texto é muito esclarecedor, e penso que de leitura obrigatória, para se compreender muito do que por aqui também escrevo, sobre esta relação Brasil/Portugal, e que a maioria dos leitores preconceituosos não entendem.

 

Espero que entendam agora, com a publicação deste texto.

Obrigada, Arthur Virmond de Lacerda, por esta excelente lição.          

 

Isabel A. Ferreira

 

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David Carneiro1.jpg

 

Nos trinta anos da morte de David Carneiro.


Arthur Virmond de Lacerda Neto. 2020.


Em agosto de 2020 transcorreram 30 do traspasse de David Antonio da Silva Carneiro (1904 — 1990), o mais prolífico e conspícuo historiador paranaense.


David nasceu na rua Mateus Leme, na residência em que habitavam seus pais em 1904, no lado direito do atual Museu Alfredo Andersen. Criança, viveu na Vila Tranqüila, mansão de seus pais (sede do antigo Buffet do Batel e já demolida); jovem, morou em apartamento nos fundos dela, em que acomodou as primeiras peças de seu museu. Adulto, erigiu vivenda na rua Desembargador Mota e, em 1949, seu solar de número 1828 da rua Brigadeiro Franco, cuja fachada inspirou-se na descrição que Eça de Queiroz fez, em seu romance Os Maias, da casa Ramalhete, que remanesce e em cujo interior existe o (aliás, inexpressivo) Espaço Cultural David Carneiro, em que se expõem alguns de seus livros, fotografia sua em tamanho grande, mercadejam-se lembranças de Curitiba e que andou encerrado por anos a fio, até que desencadeei campanha nas redes sociais pela sua reabertura. David merece mais e melhor.


De 1918 a 1922 estudou no Colégio Militar de Barbacena e, seguidamente, no Colégio Militar do Rio de Janeiro, em que, graças a professores como Alfredo Severo dos Santos Pereira e Heitor Cajati, adeptos do Positivismo de Augusto Comte, conheceu-o e aderiu-lhe, em convicções que lhe foram vitalícias.


De volta ao torrão e ainda moço, de 1930 a 1932 (contava de 26 a 28 anos) presidiu ao Banco do Estado do Paraná.


Ele formou-se em engenharia civil pela Universidade do Paraná, em 1927, porém mal atuou como engenheiro. Dada a morte prematura de seu pai, no ano subseqüente (o coronel da Guarda Nacional também nomeado David Carneiro), assumiu a administração da Ervateira Americana, engenho de erva mate de enorme dimensão, que ocupava toda a largura da rua Brigadeiro Franco, entre as ruas Emiliano Perneta e Comendador Araújo, em Curitiba.


Não se graduou em história (sequer havia tal curso, ao tempo), porém foi historiador de avultada produção; octogenário foi admitido na Academia Brasileira de História. Também foi ensaísta (com ensaios dispersos em revistas), contista (de produção escassa, porém interessante e inédita). Não era mestre nem doutor — era douto, o que muitos doutores brasileiros não são. Repugnavam-lhe a mediocridade como padrão pessoa e a incultura como traço dos povos. Sua vida foi de aprendizado constante, por leituras em que era ávido: aspirava a saber sempre mais e sabia muito, dotado de vasta cultura, de que raros humanos são capazes.


Sua biblioteca de cerca de sete mil volumes (encadernados) foi vendida em alfarrabista de Curitiba, logo após seu decesso e dispersou-se. Teria sido meritório que a mantivessem intacta e com destinação social; não houve vontade política para tal (dispusesse eu de meios financeiros, tê-la-ia comprado, por inteiro, e aberto ao público).


Difundiu seu conhecimento por livros, ensaios, artigos que publicou em revistas várias e cursos que ministrou na Escola de Belas Artes do Paraná (Arquitetura Analítica), no departamento de Economia da UFPR (Evolução da Conjuntura Econômica), no de história da Universidade de Brasília (História do Brasil), na Escola Superior de Guerra; também no Chile e, várias vezes, nos EUA: em Nebraska, em 1961; na Ucla, da Califórnia, em 1966; na Universidade Harvard; já septuagenário, em 1975, em Ohio, do que produziu My sojourn in Ohio, acessível por via eletrônica paga.


Quando estudante, recebeu medalha de ouro no Colégio Militar do Rio de Janeiro; ao longo da vida foi agraciado com oito condecorações nacionais e metecas, de que três no grau de comendador: comendador David Carneiro, condição de que se não bazofiava. Preferia ser tratado por “professor”: professor David Carneiro.


No ambiente brasileiro, a lusofobia ou antiportuguesismo era e ainda inculcada nas escolas, por livros e lentes tendenciosos, e cultivado no meio universitário e intelectual. Culpa-se a formação portuguesa do Brasil pelos seus males presentes e pretéritos, embora da independência por diante os brasileiros houvessem se tornado responsáveis pelos destinos de seu país. Como bode expiatório, acusa-se a “herança colonial”, com que se dissimula a incapacidade de os brasileiros corrigirem o que julgam estar mal. A “herança colonial” é-o no que os brasileiros não a desejaram retificar. Autores como Salgado Freire, José Honório Rodrigues, Valfrido Piloto, Renato Janine Ribeiro, Júlio José Chiavenato, Laurentino Gomes encarnam os depreciadores do passado brasileiro; por outro lado, vultos respeitáveis da historiografia nacional atuaram sem o vezo lusófobo e até em defesa da formação portuguesa do Brasil, como David Carneiro, Gilberto Freyre, Manuel Bonfim, Tito Lívio Ferreira, Eduardo Metzer Leone, Rocha Pombo; hodiernamente João Paulo Garrido Pimenta.


Porque esquadrinhasse, no Brasil e em Portugal, a figura de Afonso Botelho de Sampaio e Sousa, construtor do Paraná em o século XVIII, David foi agraciado com a comenda portuguesa do Infante Dom Henrique, em 1963, quando publicara em fascículos a biografia daquele, que republicou em 1986 em livro.


Ao longo de 19 anos (nos anos de 1980 e 1990) manteve coluna diária na Gazeta do Povo, a Veterana Verba: crônica de atualidades, temas de história, assuntos vários, e também poesia: periodicamente publicava trios de sonetos. A totalidade da Veterana Verba é testemunho de época e fonte riquíssima de sabedoria e cultura, que merece publicação integral em coleção especial que se lhe dedique. Oxalá algum particular, amigo da cultura paranaense, ou os órgãos oficiais tomem tal iniciativa. Também deixou artigos dispersos em revistas várias (como a do Rotary Clube e a Revista Interamericana de Bibliografia, nos anos 1970 e 1980, de circulação internacional, em que resenhou livros).


Produziu cerca de 60 livros, com inéditos. Manteve aberta ao público, por décadas, a sua imensa coleção de objetos da história do Paraná e do Brasil, o Museu David Carneiro, adquirido, postumamente, pelo Museu Paranaense. Continha cerca de quatro miríades de peças (armaria, mobiliário, pinacoteca, vestuário, veneras, pianos, cristais, porcelanas e muito mais).


Construiu a Capela da Humanidade, pertencente ao Centro Positivista do Paraná, como positivista e humanista que era, adepto de Augusto Comte, entusiasta das virtudes da Humanidade, da cultura pessoal, do pacifismo, do valor da educação. Em sua condição de positivista, produziu a História geral da Humanidade através dos seus maiores tipos, em sete volumes (de extensão díspar, publicada de 1939 por diante), em que expõe a biografia de vultos selecionados do calendário histórico de Augusto Comte, com o respectivo contexto. É bela exposição de história e da participação de agentes decisivos do desenvolvimento humano, que bem merece nova edição.


Moço, recém-casado (nos anos 1920) dedicou-se a registrar o episódio da epopeia da Lapa, em sua célebre resistência de 1894: publicou O cerco da Lapa e seus heróis (1934; republicado pela Biblioteca do Exército, em 1991), Os fuzilamentos de 1894 no Paraná (1937), A revolução federalista no Paraná (1944, 1982), Rastros de sangue (romance; anos 1970), Gomes Carneiro e a consolidação da república (anos 1980).


Um de seus livros valeu-lhe processo judicial: História psicológica do Paraná, de 1934. Reputava A marcha do ateísmo (1936) sua obra-prima: nele expôs princípios do Positivismo (que perfilhou), bem assim nos Ensaios de interpretações morais. Traduziu o Testamento político de Richelieu, integrante da biblioteca positivista, acervo de livros de leitura recomendada por Augusto Comte (Atena,1955; reedição da Edipro, 1995).


Deixou inéditos Novos ensaios de interpretações morais e interessantes contos de fundo verídico, cujo manuscrito acha-se depositado no Museu Paranaense.


Tomou a iniciativa da construção do monumento a Benjamin Constant, inaugurado em 1940, na praça Tiradentes, após o malogro de junta oficial destinada a erigi-lo. David promoveu-lhe a execução, com fundos próprios. Quatro anos depois, por sua idealização e iniciativa, inaugurou-se (no cinquentenário do cerco da Lapa) o Panteon dos Heroes, monumento cívico em que jazem Gomes Carneiro, Joaquim Lacerda, Dulcídio Pereira, Amintas de Barros. Bastaria essa realização para assinalar-lhe o papel cívico.


A Escola Superior de Guerra (que cursou em 1956, no Rio de Janeiro) publicou-lhe súmula dos cursos que lá expendeu (1957), a editora Civilização Brasileira deu à luz o seu A vida gloriosa de José Bonifácio de Andrada e Silva (1977), a Universidade de Brasília publicou-lhe História da guerra cisplatina (1983), a coleção Farol do Saber (da prefeitura de Curitiba) republicou-lhe O Paraná na guerra do Paraguai (1995). O Museu Paranaense dispõe, em PDF, o texto de O drama da fazenda Fortaleza.


Graças a pesquisas pioneiras em arquivos ingleses, revelou o incidente da belonave inglesa Cormorant, que em 1850 tiroteou com a fortaleza de Paranaguá e suscitou a lei Eusébio de Queiroz, proibidora do comércio negreiro no Brasil. Neste domínio, publicou História do incidente Cormorant (1950).


Em comemoração ao centenário do Paraná (1954) publicou A História da História do Paraná, especialmente importante porque:


1) na sua primeira parte, constitui teoria da história: história como saber, em seus fins, métodos, fontes, critérios, domínio em que se serviu notadamente das doutrinas de Ortega y Gasset e de J. Shotwell. Trata-se de importante teorização, de valor universal, um dos pontos máximos da sua obra e que merece consideração em cursos de história, ciências sociais, sociologia.


2) na sua segunda parte, avalia o papel dos historiadores paranaenses e a respectiva contribuição. É a parte em que David Carneiro, com sua erudição ímpar e com seu excelso critério, julga o valor da obra de Afonso Botelho de Sampaio e Sousa, Ermelino de Leão, Francisco Negrão, Romário Martins e não só.

 

Não datilografava: manuscreveu todos os originais do quanto produziu. A Gazeta do Povo talvez conserve as miríades de laudas pautadas que lhe fornecia e em que ele redigia seus artigos da Veterana Verba. Se existirem, são relíquias por depositar-se no Arquivo Público ou no Museu Paranaense. Ele recortava os textos publicados de sua coluna e colava os retalhos em cadernos que mandava encadernar e que compõe coleção de algumas dezenas, conservados por seus descendentes. Também merecem ser doados para o Museu Paranaense.


A exploração do material pletórico da Veterana Verba ensejará novos estudos; sua publicação integral será serviço em prol da alta cultura paranaense e é dívida que o Paraná e os paranaenses têm para com uma de suas mais indiscutíveis superioridades. Caderno de contos (de fundo vero e interessantes, com personagens locais, dissimulados sob nomes fictícios) depositado no Museu Paranaense aguarda iniciativa de sua publicação. Também deixou várias dezenas de cadernos manuscritos de diários, manancial para estudiosos, pesquisadores e historiadores.


Berenice Mendes, em 1988, produziu documentário em curta metragem intitulada Memória de David, em que lhe gravou voz e imagens, em sua residência. Em 2012, Daiane Vaz Machado graduou-se como mestre em História da UFPR com dissertação sobre David, em que lhe registrou a ação e a vida; Maria Julieta Weber Córdova publicou Bento, Brasil e David (editora da UFPR) em que lhe estuda a contribuição (bem assim as de Bento Munhoz da Rocha Netto e Brasil Pinheiro Machado) na elaboração da identidade paranaense.


Empresário da cinematografia, com a Empresa Cinematográfica David Carneiro, construiu as primeiras salas de exibição confortáveis de Curitiba e nelas instalou os cinematógrafos Ópera (na alameda Luís Xavier), Arlequim (no largo Frederico Faria de Oliveira), Marajó e Guarani.


David Carneiro jaz no cemitério municipal de Curitiba, em tumba que lhe abriga a mulher e os filhos, encimada pelo aforismo de Augusto Comte: “Os vivos são governados pelos mortos”: as gerações influenciam umas às outras, o presente é produto do passado.


Gigantesco na sua cultura, imenso no seu legado cultural, é figura verdadeiramente egrégia do Paraná. Levou vida intensíssima, como a de raros, no sentido de aprender continuamente e trabalhar sempre e bastante, na produção intelectual que lhe foi modo de ser e de estar. Lembrem-se dele os paranaenses como um de seus mais ilustres coestaduanos, os brasileiros como um de seus mais egrégios valores e os homens como um de seus mais conspícuos exemplos.


TAREFAS DOS PARANAENSES, POR CUMPRIR: PUBLICAR A TOTALIDADE DA VETERANA VERBA E OS CONTOS DE DAVID CARNEIRO. Que se mobilizem particulares, órgãos oficiais, Imprensa Oficial, mecenas, família.»

 

Fonte:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=3365542953484758&set=pcb.3365540323485021&type=3&theater

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:59

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