Sexta-feira, 17 de Novembro de 2017

O MUNDO INSANO DA TAUROMAQUIA

 

E quando pensamos que já ouvimos todos os disparates a respeito do mundo insano da tauromaquia, eis que vem a público alguém dizer a maior das idiotices:

«Ser toureiro é a profissão mais bonita e inquietante do mundo».

 

IDIOTA2.png

 

Não tenho de ser politicamente correcta com quem não RESPEITA a VIDA. Não tenho.

 

E se não lhes dissermos que são uns atrasados mentais, eles não terão capacidade de o saber por si próprios.

 

As palavras existem para serem USADAS adequadamente.

 

E não me venham dizer que estou a insultar quem proferiu tal absurdo. Chamar atrasado mental a um atrasado mental não é insultar, é dizer a verdade. E por que não dizê-la alto?

 

Sabem o que significa ser atrasado mental? É ter comportamentos pouco adequados a uma sociedade evoluída. É um idiota. É alguém que não acompanha o progresso, apesar de toda a informação disponível. É um retrógrado.

 

É isto que significa atrasado mental.

 

A pessoas não têm bem a noção do significado das palavras. E é preciso ter essa noção para que se compreenda do que estamos aqui a falar.

 

Aqui estamos a falar de TORTURAR TOUROS, que alguém acha que é a “profissãomais bonita e inquietante do mundo. Primeiro, torturar touros teria de estar no rol das profissões dignas de um ser humano, o que não é o caso. Segundo, será uma prática inquietante apenas para os Touros. Isso é verdade.

 

E como diz a minha lúcida amiga Maria Do Carmo Tinoco: «Um ser que afirma que torturar animais é uma profissão e ainda por cima bonita, nem classificação tem. Está abaixo do atraso mental, da estupidez, da cretinice, da crueldade e de qualquer insulto que exista. E de facto é inquietante… mas apenas o facto de ele existir, de lhe darem atenção e de seres iguais a ele ainda circularem por aí. Já foram mais, mas esta maldade pura, esta bestialidade que os alimenta tem vindo, felizmente, a secar. Um dia, menos longínquo do que eles gostariam, os barracos da tortura hão-de fechar as portas. Que vão esperneando com o fim anunciado. Nesse dia estaremos, os do lado de cá, na bancada a aplaudir».

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:31

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Segunda-feira, 13 de Novembro de 2017

TORTURA DE TOUROS NÃO É ARTE NEM CULTURA. PONTO FINAL.

 

No programa Voz do Cidadão, que pode ser revisto aqui:

https://www.rtp.pt/play/p3305/voz-do-cidadao

transmitido na RTP 1, no passado dia 11/11/2017, a pergunta crucial foi: «Deve a televisão pública transmitir touradas?» O actual Provedor do TelespeCtador da RTP, Jorge Wemans, respondeu: «Eu penso que não…»

Mas…

Quem mada na RTP não é o senhor Wemans; nem a esmagadora maioria dos telespectadores que para lá escrevem, indignados com a transmissão de tortura ao vivo; nem é o senhor Daniel Deusdado, director de programas; nem é o aficionado Gonçalo Reis, presidente do conselho de administração… Ninguém manda… Então quem manda?

Manda o lobby tauromáquico, instalado na Assembleia da República, disse (por outras palavras obviamente), o senhor Wemans.

Só o facto de a RTP, no ano 2017 d. C., estar a discutir esta matéria, já diz do baixo nível civilizacional em que Portugal está mergulhado.

Veja-se o que a RTP transmite em directo. E a questão é a seguinte: isto é arte? Isto é cultura? Isto faz parte de alguma tradição civilizada, digna do Homem civilizado?

 

 E a loucura é tal, que acham que não se passou nada. Nem sequer se respeitam uns aos outros. Para os aficionados, a vida dos tauricidas não vale nada.

Vi e ouvi este programa da Voz do Cidadão com a atenção de um lince. E pasmei com as declarações de alguns dos envolvidos, nomeadamente dos que querem, porque querem, fazer da tortura de seres vivos sencientes, da violência, da crueldade, da estupidez que é este costume bárbaro (nada tem a ver com tradição) , uma “coisa” cultural e artística, como se todos nós fossemos muito estúpidos.

 

Comecemos por Luís Capucha, que acha, porque acha, que lá por, em tempos que já lá vão, a selvajaria tauromáquica ter dado alguma audiência à RTP, as coisas continuam iguais. Não continuam iguais. O mundo evoluiu. Já há mais informação sobre esta prática selvática. A RTP só perde audiências com a transmissão desta barbárie. Luís Capucha ainda não se deu conta de que Portugal está no século XXI d. C.. Vive metido na caverna, e não vê que o mundo avançou no tempo.

 

Depois vem o Jorge Palma, que eu não sabia que era aficionado (e perdeu uma fã, e até já o coloquei na lista de

NOMES DE FIGURAS PÚBLICAS PORTUGUESAS QUE APOIAM E/OU ACTUAM EM TOURADAS

a fazer a apologia da tourada, como se a tourada fosse um concerto de música.

Este também ficou especado na Idade Média.

 

TOURADA1.jpg

 

Os aficionados dão respostas chapa 5. Enchem a boca com palavras das quais não sabem o significado.

 

Gonçalo Reis, presidente do conselho de administração da RTP,  numa tourada,  transmitida pela RTP, no campo pequeno, logo após a primeira pega (pega que lhe foi brindada) veio a público falar em património cultural, em tradição que é preciso preservar… Sabe lá o que é património cultural e tradição! Veja aqui a espécie de património cultural que é a selvajaria tauromáquica, que mata Touros e Cavalos, e mata também forcados e toureiros, ou deixa-os estropiados.

 

Um forcado que ficou tetraplégico, e depois foi abandonado pelos aficionados...

 

A ARTE não mata, nem estropia. E se a crueldade, a violência, o sangue derramado nas arenas é cultura, será apenas cultura troglodita, que nem os homens das cavernas cultivaram. Eles deixaram-nos a Arte Rupestre, e os tauricidas deixam-nos esta obra de arte estendida no chão:

 

ROURADA2.jpg

Esta é arte final de uma tourada, ensinada aos que virão a ser os sádicos do futuro, com o aval de todas as autoridades…

 

Depois ficam muito ofendidos, quando lhe chamamos cobardes, carrascos, ignorantes, pois a tauromaquia não passa da arte da mais pura cobardia e estupidez.

 

Depois veio o Paulo Pessoa de Carvalho, da prótoiro exigir respeito e liberdade. Respeito e liberdade por e para carrascos? Por e para torturadores de seres vivos? A pretender opções? Escolhas? Como se a tortura pudesse ser melhorada! Não há nada a melhorar na tortura. Tortura é tortura. Ponto final. E carrascos não merecem respeito. E a tortura não faz parte do conceito de liberdade.

 

Até as crianças bem formadas sabem o que são as touradas. Este conjunto de imagens fazem parte de um trabalho elaborado por alunos do 9º ano, e que pode ser visto na íntegra neste link:

https://pt.slideshare.net/paulamorgado/touradas-contra

 

 

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 Espero que os aficionados de selvajaria tauromáquica tenham aprendido alguma coisa, com estas crianças.

Lá mais para o final do programa, vem novamente Luís Capucha, que dizem ser professor (se é, pobres alunos), que disse esta coisa extraordinária:

 

«Os ataques à tauromaquia nunca têm a ver com os maus-tratos aos animais, mas sim com a imposição de uma ditadura cultural…».

 

Imposição de uma ditadura cultural? A Civilização? A Cultura Culta? São ditadura cultural?

 

Se isto não fosse extremamente trágico, daria para nos rirmos.

Senhor Luís Capucha o que ensina aos seus alunos?

 

Veja do que falamos, quando falamos da selvajaria tauromáquica:

TOURADA6.jpg

 

Concluindo: a tauromaquia é uma prática macabra, cruel, violenta, medievalesca, que só mentes completamente deformadas acham que é arte e cultura.

 

E há mais a ter em conta:

 

TOURADA7.jpg

 Isto, diz quem sabe, quem viu, quem conhece os bastidores de uma tourada. Escusam de desmentir.

 

A tauromaquia a ser arte, é a arte da cobardia, e a ser cultura, é a cultura de trogloditas.

 

Tenham todos vergonha na cara, e evoluam. Dêem o salto para o século XXI depois de Cristo. Quanto à RTP, saia da caverna! Envergonham Portugal e a Humanidade com essa vossa postura medievalesca.

 

E para que não morram sem saber das coisas, aconselho a todos que leiam estes textos:

 

O MODERNO VOCABULÁRIO DA TAUROMAQUIA

http://arcodealmedina.blogs.sapo.pt/o-moderno-vocabulario-da-tauromaquia-491355

 

CULTURA E CIVILIZAÇÃO

http://arcodealmedina.blogs.sapo.pt/22410.html

 

 

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 11:19

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Domingo, 12 de Novembro de 2017

«TAUROFILIA»

 

Breve reflexão sobre a tauromaquia, da autoria de Paulo Borges

O texto publicado na revista CAIS, nº 178 (Novembro de 2012), foi-me enviado via e-mail.

 

TAUROFILIA.jpg

 Passados séculos, os taurófilos continuam sem evoluir, divertindo-se com o sofrimento de um ser vivo…

 

«A tauromaquia, o combate do homem com o touro, tem a sua origem na ritualização de mitos dualistas acerca do combate originário entre a luz e as trevas, o bem e o mal, para que o cosmos possa vencer o caos. Estes mitos expressam na verdade o sentimento humano de uma divisão e combate interno entre a luz da consciência e da razão ética e as trevas da irracionalidade dos instintos e das emoções destrutivas.

 

Neste ciclo de civilização antropocêntrica, o homem foi identificado com o positivo e o animal com o negativo, sendo convertido num bode expiatório de toda a violência, conflitos e tensões dos instintos reprimidos pela vida social. Projectar a necessidade de triunfo da luz sobre as trevas interiores, do melhor sobre o pior de nós, num combate exterior com um animal, como se humilhá-lo, torturá-lo e vencê-lo, pela morte na arena ou mais tarde no matadouro, tornasse alguém melhor, é uma manifestação grosseira de ignorância da dimensão simbólica daqueles mitos arcaicos.

 

Esquecida de tudo isto, a tauromaquia converteu-se num espectáculo de pura agressão gratuita contra um ser senciente e pacífico, que é forçado a sofrer terrivelmente num confronto que não deseja. Na tauromaquia há uma dissimulação do mal da violência e do sofrimento, ficando anestesiada a tendência humana para a empatia e para se colocar no lugar do outro: em primeiro lugar pela convicção, entranhada desde há milénios no subconsciente humano, de que o homem é o “bom” e o animal o “mau”; em segundo lugar pela estética do espectáculo, estimulante dos sentidos com as luzes, as cores, a música, as vestes e os movimentos rituais; em terceiro lugar, pelo êxtase emocional de uma multidão a vibrar em uníssono, onde se esquecem os problemas da vida e as razões da consciência em momentos fugazes de diluição numa festa social com parentes, amigos, comida e bebida.

 

Para além dos que estão directamente ligados aos interesses económicos da indústria tauromáquica, a maioria dos aficionados vê apenas nas corridas de touros a estética do espectáculo e o convívio social, que lhes confere um sentimento de identidade e participação comunitária numa era de globalização e fragmentação das relações humanas. É por isso que ganadeiros, cavaleiros, toureiros, forcados e aficionados não vêem nas corridas de touros senão isso e nunca o evidente sofrimento do animal, seja o cavalo ou o touro. Mas esse sofrimento dos animais, capazes como nós de sentir a dor e o prazer psicofisiológicos, é o que acima de tudo vêem os que lutam pela abolição da tauromaquia, pois esse sofrimento e a transgressão da regra de ouro de toda a ética – o não fazer ao outro o que não desejamos que nos façam a nós – surgem em toda a sua injustificada e brutal nudez quando despidos dos véus da mítica superioridade humana, da tradição cultural, da beleza estética e da festa social. A tortura, a violação e o assassínio serão sempre tortura, violação e assassínio, e inaceitáveis, por mais que nalgum lugar do mundo se convertam numa tradição cultural apreciada por alguns e numa festa social encenada com requintes estéticos de luz, cor, som e movimento.

 

Todavia, a abolição da tauromaquia, que lenta mas firmemente se desenha no horizonte da civilização, apenas exige o fim da presença dos animais, touros e cavalos, no espectáculo, e não o do próprio espectáculo. Tal como os montados e os touros bravos podem sobreviver ao fim da tauromaquia, convertendo-se em santuários da vida selvagem, reservas ecológicas e pólos de atracção turística, também o actual espectáculo, sem animais, se pode converter numa encenação não-violenta, mantendo a sua estética tradicional, a exemplo do que aconteceu com práticas semelhantes em todo o mundo, hoje apreciadas como artes lúdicas livres de sangue e morte, como as antigas artes marciais do sabre japonês, o kendo, e da capoeira afro-brasileira. Livre de animais, o actual espectáculo continuará a ser uma festa de convívio e coesão social, mas deixará de ser a festa da violência e da dor que actualmente indigna e envergonha a nossa consciência e fere o mais fundo da nossa sensibilidade humana à dor do outro, à aflição do próximo, humano ou não-humano.

 

Paulo Borges, 2012»

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:09

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Sexta-feira, 10 de Novembro de 2017

A HISTÓRIA DO ZÉ DA BURRA…

 

… é a história chapa 5 dos aficionados de selvajaria tauromáquica. Obviamente cobardes.

 

Faço esta denúncia publicamente, para que corra mundo (e já são 90 os países de todos os continentes aonde chega este Blog) e se saiba que em Portugal isto acontece, com o aval das autoridades portuguesas, que teimam em apoiar o miserabilismo moral e cultural gerado pela cruel e violenta prática da tauromaquia.

 

Esta história vai ao cuidado do primeiro-ministro de Portugal, dos partidos políticos com assento na Assembleia da República, da Procuradoria-Geral da República, e do senhor Presidente da República.

 

É que este bullying cibernético acontece frequentemente, e nós, que defendemos a Vida Animal (humana e não-humana), a Ética, a Cultura Culta, a Civilização, a Evolução de Portugal, e combatemos o obscurantismo e a ignorância, não somos os touros que esta espécie de gente está habituada a atacar e a torturar, para gáudio dos sádicos. Não somos obrigados a aturar esta gente, que não pode ficar impune.

 

ZÉ DA BURRA.png

 

Esta história começou com a publicação deste texto:

TAUROMAQUIA: SE A IGNORÂNCIA MATASSE O FADISTA JOSÉ DA CÂMARA ESTARIA MORTO E ENTERRADO…

 

A propósito disto, alguém muito incomodado, que vive lá para as bandas do Alentejo, forjou um perfil de Facebook falso, com o nome de ZÉ DA BURRA, e enviou-me uma mensagem privada, com ameaças e “mimos” próprios dos aficionados de selvajaria tauromáquica. Nada a que já não esteja habituada. Desta vez coloquei uma bolinha no palavrão, para não parecer muito mal, uma vez que isto está em formato de imagem.

 

Então, aceitei a mensagem, só para enviar ao , que será da Burra, e ele lá saberá porquê) o seguinte recado: «Aceitei esta mensagem só para lhe dizer que é bastante fácil chegar ao Zé da Burra, que não será bem da Burra, mas da Cela.

 

Estas ameaças estão a caminho da Polícia Judiciária. Tem a noção do crime que cometeu, não tem? Um crime que tornarei público».

 

Escusado será dizer que mal eu enviei esta mensagem, o Zé da Burra eliminou o perfil, não sem antes deixar mais um palavrão, desta vez em inglês (fuck you…) à moda dos grosseirões dos filmes americanos.

 

São assim os aficionados de selvajaria tauromáquica, de “fabrico” parlamentar. Uns grandes cobardes. Não são HOMENS para enfrentar um TOURO inteiro, de frente… nem para enfrentar uma mulher.

 

O Zé da Burra eliminou o perfil, mas deixou o traseiro de fora…

 

Sei que não sou a única a receber este tipo de ameaças, enxovalhos e grosserias. Já as recebi de deputados. Esta é a linguagem típica dos aficionados, sejam doutores, engenheiros ou simples guardadores de vacas. Estas situações devem ser denunciadas publicamente. Quem recebe este tipo de ameaças tem de reagir, denunciar e apresentar queixa.

 

São todos muito “valentes” a ameaçar mulheres atrás de um ecrã de computador. Mas quando confrontados, cara a cara, tremem de medo. Como já aconteceu. Típico dos cobardes.

 

Comportam-se com as mulheres do mesmo modo que se comportam com os touros. São a coisa mais cobarde que existe. Quando pensamos que já não há mais nada para ver neste mundinho medievalesco da tauromaquia, eis que aparece um Zé da Burra ou da Cela para nos mostrar que ainda não vimos tudo. A escala ainda está mais abaixo do que o que podemos imaginar. Os homens das cavernas eram muito mais civilizados do que esta espécie pré-humana. Não tinham esta crueldade, esta maldade entranhada na pele. Viviam para sobreviver, e não andavam a torturar animais, para se divertirem. Tinham, respeito pela Vida e pela Natureza, dois bens preciosos naquela e em todas as épocas. Até os animais não-humanos têm essa percepção. Mudei de ideias quanto ao primitivismo dos homens das cavernas, quando comecei a entrar no mundinho tauromáquico. Chamar Neanthertais aos aficionados de tauromaquia é INSULTAR o homem primitivo, que era moralmente muito mais superior do que estes desumanos.

 

Excelentíssimas autoridades, não têm a percepção de que já BASTA disto? Está na hora de Portugal evoluir.

 

Manter uma franja populacional, ainda que minoritária, neste nível tão baixo, tão reles, tão incivilizado, não dá prestígio alguma a Portugal e às suas autoridades.

 

Basta de fabricar Zés da Burra.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:38

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Segunda-feira, 6 de Novembro de 2017

TAUROMAQUIA: SE A IGNORÂNCIA MATASSE O FADISTA JOSÉ DA CÂMARA ESTARIA MORTO E ENTERRADO…

 

… aliás, estariam mortos e enterrados todos os aficionados de selvajaria tauromáquica, e este assunto estaria resolvido; os Touros (que ficam bravos só quando são torturados pelos seus carrascos) viveriam em paz, no seu habitat natural (que não são as arenas); o mundo ver-se-ia livre desta gente pouca, feia e má; e nós não seríamos agredidos, todos os dias, com estes atentados à nossa inteligência.

 

JOSÉ DA CÂMARA.jpg

 O fadista José da Câmara

 

O fadista José da Câmara numa recente entrevista, onde lhe fazem umas perguntas sobre selvajaria tauromáquica ele diz esta coisa espantosa: «Se desaparecerem as corridas de touros há uma coisa que é certa, os toiros bravos desaparecem e perdem-se milhares de postos de trabalho».

 

Primeira regra: quando se vai para uma entrevista, é da inteligência ir preparado para as eventuais perguntas que possam fazer-nos.

 

O José da Câmara espalhou-se ao comprido, com esta resposta. Pois demonstrou não só uma ignorância crassa sobre os Bovinos, nada sabendo de Biologia, de bois, de vacas, de touros, de bezerros, como também nada sabe do mercado de trabalho, ou sequer o que é TRABALHO.

 

Que grande bojarda! Mais valia ir cantar fados para o meio das arenas.

 

Se não quer morrer ignorante leia estes artigos, José da Câmara, faça esse favor a si próprio:

 

O CHAMADO “TOURO BRAVO”, DIZEM OS AFICIONADOS, AFINAL É UM “PRODUTO ARTIFICIAL”

http://arcodealmedina.blogs.sapo.pt/o-chamado-touro-bravo-dizem-os-396144

 

«A TOURADA, RAZÃO DA EXISTÊNCIA DO TOURO BRAVO?» OU A QUEDA DE UM MITO

http://arcodealmedina.blogs.sapo.pt/98835.html

 

Pois fique sabendo que quando (não é SE, é QUANDO) as touradas desaparecerem, a coisa que é certa, é que quem desaparece é a raça dos carrascos que os torturam, para divertir os sádicos que ficaram especados na Idade Média. Isso é que é certo, porque os touros, esses, continuarão a existir. O Touro dito bravo não existe na Natureza, logo não se extingue algo que não existe. Não é óbvio?

 

Quantos anos tem, José da Câmara? Nasceu no século XX depois de Cristo, obviamente, conseguiu sobreviver e passou ao século XXI, mas tem os pés fincados no século XIII. Não é coisa de velho?

 

Os aficionados já nasceram velhos. Vivem no passado, têm ideias velhas e carcomidas. Não evoluíram nada, e o pior é que se recusam a evoluir. Triste, muito triste.

 

Quanto aos milhares de postos de trabalho que se perdem, primeiro, não são milhares, nem pouco mais ou menos; segundo, os que vivem à custa da tortura de Touros, não trabalham, exploram os animais, o trabalho dignifica o homem, e esta actividade só desonra quem a pratica, por isso, nem milhares nem postos, e muito menos de “trabalho”; e nada se perderá, e se quem andava a torturar touros quiser fazer alguma coisa de útil DEPOIS de acabarem as touradas, poderão dedicar-se à agricultura: plantem hortas e campos de cereais e vinhas e oliveiras e pomares e sobreiros e façam alguma coisa de útil na sociedade, deixem de ser parasitas que vivem à custa dos nossos impostos. Terão muito trabalhinho pela frente. Deixem os animais em paz, pois o mundo caminha para o vegetarianismo, é mais saudável e condizente com a evolução do homem. Dediquem-se ao cultivo da terra. É mais digno de um ser humano.

 

Dizer que se perdem milhares de postos de trabalho é enganar o ceguinho.

 

E o José da Câmara continuou a dizer disparates. Disse esta coisa ainda mais espantosa: «Eu acho que às vezes é um bocado exagerado ali nos ferros, uns ferros a mais e tal. Agora se um touro bravo não é um bocadinho espicaçado também não reage». Pois acha, porque pensar não consegue, e tal… Os ferros, pois são exagerados, assim como é exagerado tudo o que diz respeito à selvajaria tauromáquica. E trocou tudo. Devia dizer: «Se um touro  não é bastamente espicaçado não fica bravo». E aqui entra a ignorância dos aficionados: um Touro é simplesmente um bovino, um herbívoro manso, e esse sim, existe na natureza. O “bravo” só existe, na arena, quando é torturado. Qualquer animal, humano ou não humano, espicaçado fica bravo.

 

Eu fico uma Isabel brava se investirem contra mim. E Isabéis bravas não existem na Natureza. Existem apenas quando a circunstância o exige. Com os Touros é a mesma coisa.

 

Para a próxima, quando der uma entrevista, o José da Câmara prepare-se melhor, para não dizer disparates que ficam mal  a um fadista.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:43

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Segunda-feira, 30 de Outubro de 2017

TAUROMAQUIA

 

Um magnífico texto que destrói mitos tauromáquicos e as mentiras que, ao longo de séculos, os aficionados de tauromaquia acreditaram, por simples ignorância, serem verdades.

 

Um magnífico texto escrito por um Biólogo experiente e sapiente na questão animal. E se depois de lerem este texto, os aficionados optarem por continuar a teimar na sua ignorância, melhor é atiraram-se ao mar, pois não servem para serem seres humanos.

 

Um texto precioso para desfazer em cacos a tauromaquia.

 

(O negrito do texto de Luís Vicente é da minha lavra. I.A.F.)

 

JOÃO ALMEIDA.png

 

por Luís Vicente

 

Patrícia Caeiro·Segunda-feira, 16 de Outubro de 2017

 

Aqui vai um longo longo longo comentário que por ser longo longo longo tem que ir dividido por pontos, porque o fb não aceita comentários longos longos longos...

 

1 - Começo a ficar cansado da argumentação balofa, hipócrita, ignorante e desonesta em defesa das touradas. Andava aqui a cuscar o mural da Patrícia e a minha irritação cresceu ao ler este post a respeito dos actos corajosos do Sr. João Almeida, insigne deputado da Nação pelo CDS-PP. Aproveito então (desculpa, Patrícia, o espaço que te ocupo) para responder aos pseudo-argumentos dos aficionados. Advirto que possivelmente utilizarei alguma linguagem um pouco mais hermética, mas trata-se de um assunto sério que quero tratar com rigor e seriedade. De qualquer forma, se houver palavras “mais difíceis”, o seu significado será facilmente encontrado com recurso à internet. Antes, contudo, como sou eu a contra-argumentar, quero deixar claras as minhas limitações. Todos nós somos construções sociais e temos, por isso, limitações culturais (no sentido antropológico) condicionadas pelo ambiente social em que crescemos. Eu sou biólogo e tenho 42 anos de ensino e investigação em comportamento animal, neurobiologia e história e filosofia da ciência na Universidade de Lisboa e em várias outras universidades em países estrangeiros. Isto serve apenas para lhe explicar que o meu pensamento é limitado e constrangido pela minha experiência de vida e, por isso, vale o que vale. Uma das coisas que todo o meu trabalho de investigação me ensinou foi que os seres humanos são animais, nem mais nem menos que todos os outros que povoam e viajam nesta nave especial que é a Terra. São apenas diferentes, porque é a diferença que caracteriza cada uma das espécies. Mas não existe qualquer argumento científico que permita estabelecer uma hierarquia de importância ou de valores que, quantitativamente, diferencie umas espécies de outras. Nem tal faria sentido. O próprio Darwin afirma em “The Descent of Man” que as diferenças entre os humanos e os outros animais são qualitativas e não quantitativas. Esta afirmação de Darwin é conhecida na comunidade científica por “Lei da Continuidade de Darwin”.

 

2 - Não há muitos anos não era considerado crime matar um negro porque simplesmente era considerado um ser inferior. É elucidativo constatar que a última exposição de um negro enjaulado num jardim zoológico foi em Bruxelas em 1958. Hoje, a isto, chama-se racismo e é altamente condenado. Só em 20 de Novembro de 1963 a Assembleia Geral das Nações Unidas na sua resolução 1904-XVIII proclama a Declaração sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial, na qual se afirma, entre outras coisas “que qualquer doutrina de diferenciação ou superioridade racial é cientificamente falsa, moralmente condenável, socialmente injusta e perigosa, e que não existe qualquer justificação para a discriminação racial, quer na teoria, quer na prática”. Negros, brancos, asiáticos, índios, etc., etc., etc., pertencem todos a uma única espécie: Homo sapiens.

 

Mas porquê por o limite na espécie? Poderíamos pôr a fasquia nos grandes símios. Assim ficaríamos nós, bonobos, chimpanzés, orangotangos e gorilas no saco dos “superiores”. Seria feio tratar mal os grandes símios e quem o fizesse seria legitimamente acusado de “simiísmo”, o que seria considerado moralmente muito feio.

 

E por que ficar pelos grandes símios? Poderiam ser todos os Primatas, ou mesmo todos os Mamíferos ou até todos os Vertebrados… e a história não teria fim até que chegaríamos ao especismo, vocábulo introduzido por Richard Ryder em 1975, num livro intitulado “Victims of Science”.

 

Porquê pensarmos que a nossa espécie é o centro do universo? Simplesmente porque é um constrangimento cultural sem base científica de raiz muito antiga e de reforço judaico-islâmico-cristão. No princípio Deus criou o Homem à sua imagem e semelhança, logo abaixo dos anjos, para dominar a Terra. Podemos substituir “Homem” por “Grandes Símios”, por “Primatas”, por “Mamíferos”, por “Vertebrados”, por “Cordados” (para incluir as lampreias), ou por “animais” (para incluir os polvos). O sentido seria o mesmo!

 

3 - E vamos aos touros e o que escreverei sobre os touros é válido para, pelo menos, todos os Vertebrados. Começo por alguns dos argumentos deles, aficionados, num texto lapidar intitulado “Tauromaquia: a indústria responsável pela vida feliz dum dos animais mais protegidos em Portugal” da autoria de um conjunto de aficionados do Departamento de Fisiologia da Faculdade de Ciência Veterinária da Universidade Complutense de Madrid e referido na página da net "O TOURO - Tudo o que precisa saber sobre o Touro Bravo"

(http://www.touradas.pt/tauromaquia/otouro)

 

Cá vai: “De acordo com os estudos científicos mais recentes sobre o touro bravo, sabemos que este tem reacções hormonais únicas no reino animal. Sabemos, por exemplo, que este tem um hipotálamo (parte do cérebro que sintetiza as neurohormonas encarregues, nomeadamente, da regulação das funções de stress ou de defesa), 20% superior ao de todos os outros bovinos, e que, por isso, tem uma capacidade superior de segregação de beta-endorfinas (hormona e anestesiante natural encarregada de bloquear os receptores da dor) o que faz com que o touro perante a colocação de uma bandarilha redobre as suas investidas em vez de fugir, que é a reacção natural de qualquer animal à dor. O touro é seleccionado tendo em conta a sua combatividade, sendo um animal que tem evoluído, ao longo dos séculos, estando fisiologicamente adaptado para a lide”. O TOURO - Tudo o que precisas saber sobre o Touro Bravo

 

4 - E agora começo a responder. Tanto quanto sei, nunca nenhuma revista científica credível aceitou publicar o manuscrito dos indivíduos do Departamento de Fisiologia da Faculdade de Ciência Veterinária da Universidade Complutense de Madrid, manuscrito no qual se baseia o texto do referido site. O texto começa por referir uma hipertelia intracefálica ao nível do infundíbulo do terceiro ventrículo. Pergunte aos autores onde leram tal coisa? Qual a base amostral? Fundamenta-se num nível alfa inferior a 0,05? Esclareçam-me. Mais, eles que demonstrem que as hipertelias estruturais têm consequências metabólicas. Se mo demonstrarem proporei à Academia de Estocolmo que lhes seja atribuído o Prémio Nobel.

 

Continuando. A beta-endorfina que é um polipéptido de cadeia curta (31 aminoácidos) é produzida não só ao nível hipotalâmico, mas também ao nível hipofisário e noutras zonas. Aliás ela foi descoberta em 1976 ao nível hipofisário e não ao nível hipotalâmico. Os autores da descoberta foram Choh Hao Li e David Chung. O seu a seu dono!

 

Um dos erros formais do texto é a afirmação de que algo no organismo está encarregue de alguma coisa. É um raciocínio teleológico aceite em religião, mas inaceitável no discurso científico. Não está “encarregue”, mas “tem por consequência”, o que é totalmente diferente. A teleologia demonstra uma ignorância avassaladora sobre os processos evolutivos.

 

Uma das principais inconsistências do manuscrito e que leva ao seu “chumbopela comunidade científica, é afirmar que o touro, uma vez lidado (ou seja, já cadáver) apresenta níveis de cortisol (hormona do stress) inferiores aos que apresenta um touro transportado num camião, deduzindo os autores que o touro sofre mais no camião do que durante a tourada. Erro crasso. Falam de touros durante a tourada, mas a maior parte dos touros estavam mortos durante a extracção do sangue. Um estudo que se realiza no cadáver de um animal não nos diz rigorosamente nada sobre o que se passava quando o animal estava vivo.

 

5 - Outro disparate vem logo na frase seguinte: “o touro perante a colocação de uma bandarilha redobra as suas investidas em vez de fugir, que é a reacção natural de qualquer animal à dor”.

 

Não, meus caros, em qualquer animal a reacção é a fuga se tiver condições para isso. Se estiver encurralado como o touro na arena, portanto se não tiver condições de fuga, só tem duas alternativas: ou luta ou fica estático. Nesta situação o animal avalia o inimigo. Se considera que tem condições para vencer, luta. Se considera que não tem, inibe a acção e fica estático. O que é que o leva a lutar? É activado um conjunto de feixes nervosos denominado “sistema periventricular” que o leva a lutar. O sistema periventricular é constituído por vias eferentes hipotalâmicas (na parede do terceiro ventrículo) que atingem principalmente os núcleos supra-ópticos posterior e tuberal e confinam com a substância cinzenta periventricular. Uma das consequências da activação do sistema periventricular (atenção, só há estudos em humanos) é a produção do neuropéptido-y que, ao que tudo indica, pode estar associado à resiliência em relação ao stress pós-traumático e à resposta de medo, permitindo aos indivíduos uma melhor resposta sob stress extremo (Julie Steenhuysen, 2009).

 

E o que é que leva a inibir a acção? Os poucos estudos conhecidos levados a cabo pela equipa de Laborit (1974, 1977) foram realizados em ratos. Em situações em que não pode lutar nem fugir é activado um conjunto de feixes nervosos denominado “sistema inibidor de acção” (área septal média, hipocampus, amígdala lateral e hipotálamo ventromediano).

Tanto quanto sei são desconhecidos os mecanismos neuroquímicos envolvidos, apesar de existirem algumas conjecturas sobre isso.

 

6 - Bom, e vamos discutir um pouquinho o valor de sobrevivência da inibição dos centros de dor. Antes de mais a dor tem um imenso valor de sobrevivência. Se não houvesse dor o animal não se aperceberia da gravidade dos seus ferimentos e morreria. Assim, ao longo do processo evolutivo, foi seleccionada a capacidade de produção de endorfinas. Esta anestesia endógena é de curta duração e é uma atenuação e não uma eliminação da dor (não existe um único estudo que refira “eliminação”).

 

Os neuropeptídos que constituem as endorfinas são neuropéptidos de vida curta (short-term). Permitem ao animal, num curto período após o trauma, a serenidade necessária à organização de uma resposta adequada à situação. Dou um exemplo humano. Uma pessoa está a cortar pão e a faca resvala cortando-lhe um dedo. É muito doloroso. Mas, após algumas fracções de segundo, o seu sistema nervoso responde com a produção de endorfinas. A sua dor é significativamente atenuada. Pensa, vai desinfectar a ferida, decide ir ao hospital para a suturar, etc.. Se tivesse uma dor insuportável não teria a serenidade necessária para encontrar uma solução. As endorfinas permitem-lhe essa serenidade por um curto período mas, passado pouco tempo, vai sentir imensa dor. Contudo o problema está resolvido e sobreviveu. Mas as endorfinas são de vida curta. Apenas lhe dão tempo para resolver o problema, e muito pouco tempo.

 

Quando uma gazela é caçada por uma leoa, o seu sistema neuro-endócrino produz endorfinas. A dor diminui à espera de uma solução para o problema. Diz-se que a gazela sofre pouco. Mas isso será porque a morte é suficientemente rápida, mais rápida que o tempo de vida das endorfinas produzidas.

 

O período de lide de um touro na arena é demasiado longo. Não há endorfina que persista durante todo o tempo da lide.

 

7 - E vamos agora ao resto, à lide. As bandarilhas? Em Portugal espetadas ou a cavalo, ou a pé. Para quem não sabe, são varas de madeira com uma ponta de aço de 6 cm que se prendem à área dorsal do touro e que aí se mantêm pelo facto de, na sua ponta, possuírem um arpão de 16 mm. Existem ainda o matador e os forcados. O matador faz uma série de passes com a capa e também espeta bandarilhas no animal. Os forcados desafiam o touro e, em grupo, agarram-no toldando-lhe a visão e tentando imobilizá-lo. Nesta parte poderá não ser causada dor física ao animal, embora lhe seja imposto um enorme esforço físico e psicológico.

 

As bandarilhas, pela força da gravidade e do movimento do touro, causam danos aos nervos, músculos e vasos sanguíneos. No caso dos danos causados nos vasos sanguíneos, é significativamente reduzida a irrigação sanguínea dos músculos importantes para o movimento. Além do mais, as bandarilhas podem ferir os ramos nervosos dorsais da medula espinal, o que causa claudicação temporária e leva à inibição reflexa do plexo braquial (o centro nervoso que inerva as extremidades anteriores).

 

Podem ainda causar hemorragias no canal medular e ferir a parte superior das costelas. Portanto, o sistema nervoso do touro sofre danos significativos durante a tourada, tornando uma resposta normal impossível em termos de libertação de ACTH e cortisol.

 

8 - O “estudo” dos aficionados do Departamento de Fisiologia da Faculdade de Ciência Veterinária da Universidade Complutense de Madridconclui”, entre outras coisas sem qualquer fundamento científico credível, que os touros que só tenham sido transportados ou que estão na arena sem ser toureados, portanto sem danos físicos, produzem mais cortisol do que aqueles que sofreram danos. Portanto é maior o stress de não ser toureado do que o de ser toureado. Fantasticamente ilógico!!!

 

O que se passa na realidade é que o seu sistema nervoso está intacto, o que é essencial para a resposta hormonal.

 

9 - José Laguía, membro do Colégio Oficial de Veterinários de Espanha refere que em pessoas envolvidas em acidentes com grandes lesões na coluna vertebral, a resposta hormonal que resultaria na liberação de cortisol é reduzida ou mesmo ausente. Pode haver alguma situação mais stressante para alguém do que pensar que poderá passar o resto da vida numa cadeira de rodas? É que o que se passa na realidade é que o sistema nervoso está de tal modo danificado que se torna impossível a resposta adequada.

 

A outra parte do estudo dos indivíduos do Departamento de Fisiologia da Faculdade de Ciência Veterinária da Universidade Complutense de Madrid refere-se à produção de beta-endorfina que, como referi atrás, é produzida em situações de dor. Segundo esses senhores, durante a tourada, o animal, aparentemente, liberta uma enorme quantidade de beta-endorfina. Então os ditos senhores concluem que neste caso a beta-endorfina seria capaz de evitar a dor do touro. Dizem esses senhores que o touro liberta dez vezes a quantidade de beta-endorfina do que um ser humano. Fantástico!

 

Para o mínimo de credibilidade científica desta afirmação, os ditos seres humanos, para que o estudo comparativo fosse fidedigno, teriam que estar sujeitos rigorosamente às mesmas condições que o touro. É o controlo de variáveis – chama-se método científico.

 

Portanto o ser humano teria que ser toureado, bandarilhado, pegado, etc.. Tanto quanto sabemos isso não foi feito e, portanto, as conclusões não têm qualquer validade. Ainda por cima, como já referi, os níveis hormonais foram medidos no sangue recolhido em touros mortos, por isso é impossível saber em que altura da tourada a beta-endorfina foi libertada.

 

10 - Numa crítica ao manuscrito dos senhores da Universidade Complutense de Madrid, o atrás referido José Laguía defende que a resposta hormonal depende da “integridade das estruturas nervosas, pois sabe-se que, quando há um dano neurológico, a beta-endorfina pode ser libertada no local da dor, devido a determinados mecanismos celulares, sem o envolvimento do sistema nervoso. (…) quando a agressão é repetida frequentemente ou tem lugar durante um período prolongado de tempo, e quando os recursos do animal para alcançar o nível de adaptação são inadequados (…) as respostas hormonais à dor, ou seja, a liberação de grandes quantidades de beta-endorfina tais como são encontradas no sangue de touros após uma tourada, são a resposta normal do organismo a grande dor e stress, e têm muito pouco a ver com capacidade para os neutralizar; Na verdade, ao contrário, os níveis de hormona indicam o grau de dor experimentada e não a capacidade do animal para a neutralizar”.

 

11 - Portanto os cérebros, nossos e dos touros, são praticamente iguais (outra coisa seria estranha). Hoje já sabemos alguma coisa sobre o funcionamento do sistema nervoso (ou dos sistemas nervosos). Permitem a nossa sobrevivência e o nosso relacionamento com o meio. E o nosso relacionamento com o meio permite-nos matar a fome e a sede, ter medo, fugir, defendermo-nos, amarmo-nos uns aos outros, por vezes odiarmo-nos, ser felizes ou infelizes, estar tristes, etc., etc., etc..

 

O sistema nervoso funciona através de mecanismos físicos e químicos a que chamamos normalmente neuro-químicos ou neuro-endócrinos. Os nossos e os dos touros são rigorosamente os mesmos. As substâncias químicas implicadas nos processos são rigorosamente as mesmas, as áreas do cérebro estimuladas por cada sensação são rigorosamente as mesmas, as áreas de interpretação cerebrais são afectadas exactamente da mesma forma. É o que sabemos.

 

Portanto não se pode afirmar que o touro não sofre como nós sofreríamos exactamente na mesma situação. Seria enfiar a cabeça na areia (informo que nunca foi vista uma avestruz fazê-lo).

 

Sim, há casos interessantes. Aparentemente os nossos cães são capazes de um amor muito mais profundo do que aquele que nós alguma vez seremos capazes de sentir? A quantidade de oxitocina (hormona do amor, aquela que nós, vertebrados, produzimos quando sentimos amor por alguém) que os nossos cães produzem quando estão connosco é significativamente superior à nossa. Estou certo de que nunca nenhum de nós será capaz de imaginar quanto os nossos cães nos amam. Nunca pelo simples facto de um ser humano não ser capaz de amar tão intensamente como um cão. E tenho que terminar referindo o ilustre deputado do CDS-PP João Almeida: “Não foi a primeira vez que saltei a uma arena. Já tinha saltado também à do Campo Pequeno, há dois ou três anos, numa Festa do Forcado. Também não foi a primeira vez, nem há-de ser a última, que salto em defesa da tauromaquia. Faz todo o sentido fazê-lo. Na Assembleia da República, representamos os portugueses e não podemos esquecer que há muitos portugueses, muitos mesmo, que se revêem da tradição tauromáquica e a apoiam. Somos muitos!”.

 

Saiba que o especismo é moralmente uma generalização do racismo. É narcisismo, é considerarmo-nos entes superiores, que não somos. Somos apenas diferentes. Racismo seria senhor deputado ser caucasiano e considerar negros, judeus, palestinianos, asiáticos, etc., seres inferiores. Sendo seres inferiores considerava-se, não há muitos anos, que não tinham alma e, portanto, podiam ser mortos em campos de concentração ou noutros processos genocidas.

 

Por generalização, o especismo consiste em considerar que os outros animais, cães, gatos, porcos, touros, burros, etc. não têm alma e que, portanto, podem ser mortos. Pessoas congratularem-se com a tortura pública de um outro animal é um sentimento baixo, reles, primitivo, repugnante. Nem se trata de matar um ser vivo numa situação de fome para comer, trata-se de torturar e matar por puro prazer.

 

Se estas pessoas que se comprazem com o sofrimento dos animais tivessem vivido nos séculos XVI, XVII ou XVIII, certamente que se divertiriam com os Autos de Fé no Rossio em que pessoas eram queimadas na fogueira. Talvez tivessem um imenso prazer na matança dos cristãos-novos. Se tivessem vivido na antiga Roma, muito se divertiriam com os cristãos lançados aos leões para gáudio da população.

 

E era tradição, e as tradições devem ser acarinhadas, protegidas e mantidas. Provavelmente, como o senhor deputado diz, haveria muitos portugueses que se reveriam e apoiariam estas tradições.

 

E outras. O apedrejamento de mulheres na Nigéria e as mutilações genitais em muitos países de África. Vivam as tradições.

 

Também devem pensar que Deus colocou o homem no centro do universo à sua imagem e semelhança logo abaixo dos anjos.

Divirtam-se nas vossas touradas, divirtam-se nos autos de fé no Rossio, divirtam-se na praça da revolução em Paris enquanto as cabeças dos guilhotinados rolam para um cesto de serradura, divirtam-se nos circos romanos, divirtam-se nos fornos crematórios de Auschwitz, vão à República Árabe Sahraui Democrática e regalem-se com o massacre do povo saharaui pelo governo de Marrocos. Ainda vos sugiro um espectáculo mais recente, levado à cena em Agosto do ano passado na Faixa de Gaza. Os bombardeamentos sionistas que, só crianças palestinas, mataram 408. E ainda me ia esquecendo, Guernica. Deveriam regozijar-se naquele dia 26 de Abril de 1937 em que os aviões nazis da Legião Condor arrasaram aquela povoação massacrando quase toda a população. Ainda devem haver lugares na plateia. Aproveitem. Divirtam-se com a morte e o sofrimento dos outros, sejam cúmplices!!! Façam o favor de serem felizes com as vossas mãos conspurcadas de sangue alheio! A mim certamente o senhor deputado não me representa no parlamento.

 

Luis Vicente

 

Em resposta a: https://protouro.wordpress.com/2016...

 

Luis Vicente é licenciado em Biologia, doutorado em Evolução e agregado em Comportamento Animal pela Universidade de Lisboa. Professor na Universidade de Lisboa, foi também professor convidado em várias universidades (ISPA, U. Aberta, U. Madeira, U. Açores, U. Nottingham, U. Paris VI, Museu Nacional de História Natural de Paris, U. Montpellier, NATO Advanced Studies Institute, USALMA, U. Nova de Lisboa, U. Badajoz) onde leccionou várias matérias, entre as quais: Comportamento Animal, Cognição Animal, Ecologia, História do Pensamento Biológico, Neurobiologia, Bioética. É actualmente membro do Centro de Filosofia das Ciências da Universidade de Lisboa onde preside à linha “Ciências da Vida”, é presidente do Instituto de Gestão e Reordenamento do Território e membro da presidência do Conselho Português para a Paz e Cooperação. É activista pelo bem-estar animal e por uma relação sustentável entre as comunidades humanas e a natureza.

 

Obrigada Luis Vicente pelas tuas palavras e pelo facto de lutares incansavelmente contra a injustiça!

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 19:37

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Quinta-feira, 26 de Outubro de 2017

DEPOIS NÃO GOSTAM QUE LHES CHAMEM CARRASCOS

 

Estas são farpas usadas na tauromaquia para castigar o Touro, quando ele é demasiado manso e não investe.

 

É isto e/ou o enforcamento nos curros…

 

Diz quem sabe: «Por isso os "artistas" da tortura detestam as corridas de velcro (USA e Canadá), porque os touros, sem a dor provocada pelas bandarilhas, mantêm-se "mansos". Assim, tentam meter picos entre o velcro e o dorso dos touros, os quais picam quando os toureiros carregam com as "bandarilhas" de ventosas. Então, os touros reagem com alguma fúria. Se forem descobertos são multados» (Dr. Vasco Reis, Médico Veterinário)

 

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Fonte da imagem: 

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1714696645207301&set=a.847852941891680.1073741839.100000009460864&type=3&theater

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:36

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Sexta-feira, 13 de Outubro de 2017

CARTA ABERTA A GONÇALO REIS, PRESIDENTE DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO DA RTP

 

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ESTA É UMA ENORME COVARDIA DO ANIMAL-HUMANO QUE EXIBE A SUA INVIRILIDADE DIANTE DO ANIMAL NÃO-HUMANO EXAURIDO, NO CHÃO... QUEM PODERÁ APLAUDIR TAL IGNOMÍNIA SENÃO SÁDICOS E PSICOPATAS?...

 

Senhor Gonçalo Reis,

 

Estando o senhor comprometido com a falta de excelência, não o tratarei por “Excelentíssimo Senhor”, como é da praxe, porque de “excelência” não tem nada.

 

Tem esta Carta Aberta o objectivo de esmiuçar as suas lamentáveis e obtusas declarações públicas relativas à transmissão de selvajaria tauromáquica, ao vivo e a cores, na passada quinta-feira, dia 12 de Outubro, na RTP 1, estação pública, que vive à custa dos impostos dos portugueses, e que o senhor administra segundo a vontade de um lobby que, ao que parece, serve servilmente.

 

Disse o senhor:

 

«Faço questão de ir à corrida de toiros da Casa do Pessoal da RTP no campo pequeno. Antes de estar à frente da RTP não ia a touradas, não sou aficionado e confesso que passo metade do tempo a fazer perguntas básicas para o lado sobre o que se passa na arena.»

 

O senhor fez questão de ir aos “toiros” porque o senhor não passa de um servo da plebe, e isso ficou bem claro. Antes de estar à frente da RTP, não ia a touradas. Agora, que está à frente da RTP, tem não só de ir às touradas, como de transmiti-las e dizer bem dessa aberração moral e cultural, desse cancro social, porque é pago para isso. Infelizmente, com os impostos de milhares de Portugueses, que não se revêem nesse divertimento medievalesco e bruto.

 

E disse mais:

«Mas também sei que há que valorizar o património e as tradições; que há que dar espaço à diversidade das preferências dos públicos; que há que promover o país descentralizado e os ambientes não urbanos; que devemos ter presentes as posições sucessivas da ERC e da Assembleia da República no sentido de assegurar graus de liberdade na programação e divulgação das várias manifestações da sociedade; que, como diz o Sérgio Sousa Pinto, os bilhetes das touradas são caros e os cidadãos têm o direito de as ver na TV em aberto.»

Há que valorizar que património? Que tradição? Que diversidade de preferências? Que promoção? Que ERC? Que Assembleia da República? Que assegurar graus de liberdade? Que direito de quais cidadãos? A tortura de bovinos indefesos numa arena, para divertir sádicos e exorcizar a invirilidade e os maus instintos dos envolvidos nestas práticas medievalescas e selváticas, não cabem nisso que considera ser património, tradição, liberdade, direitos. Não sei se já reparou que a Idade Média ficou lá muito para trás, e que o que era, já não é, o mundo evoluiu e apenas oito tristes países entre 193, existentes em todo o mundo, ficaram plantados na Idade das Trevas, e infelizmente Portugal é um deles. E o que sabem a ERC e a Assembleia da República de Ética, Evolução e Civilização?

E disse ainda mais:

«De facto, as minhas preferências pessoais são outras, mas assim como defendo que os amantes de artes plásticas merecem tê-las na RTP, também acho que cabe à RTP ser plural na programação, agindo com tolerância e cobrindo os interesses dos vários públicos.»

 

As suas preferências ficaram aqui bem vincadas: está-se nas tintas para a qualidade da programação da RTP, e é lamentável que ponha no mesmo saco uma prática selvática assente na mais profunda ignorância, e artes plásticas, que é puro saber. Não tem a mínima noção do que são as artes plásticas. A pluralidade de uma programação jamais passou pela tortura de seres vivos, em directo, em estações televisivas livres. Ao transmitir touradas na RTP, o senhor está apenas a cobrir os interesses de uma minoria constituída por psicopatas e sádicos, incluindo nessa minoria aquelas duas dezenas de famílias que exploram este “negócio carniceiro” que causa repulsa ao mundo civilizado. Ser plural e tolerante não passa por dar cobertura a práticas cruéis e repulsivas, que as sociedades modernas rejeitam.

 

Com estas declarações, o senhor demonstrou estar tão-só a cobrir os interesses do lobby tauromáquico, que é poderoso porque os fracos obedecem-lhe cegamente, sem o mínimo sentido crítico; o senhor revelou falta de lucidez e não ter personalidade própria, uma vez que ao dizer que a tortura é um “bom espectáculo” ou um “espectáculo familiar”, como declarou numa entrevista, é de alguém que não sabe o significado de bom e de familiar, e é manifestamente servil.

 

Deixar-lhe-ei aqui DEZ RAZÕES PARA NÃO TRANSMITIR MAIS TOURADAS NA RTP porque nunca é demais fornecer argumentos para chamar a atenção de pessoas como o senhor, que demonstrou não ter a mínima Cultura Crítica.

 

1 - Porque é desumano usar animais para entretenimento humano, especialmente quando o “espectáculo” é conseguido à custa do sofrimento cruel e desnecessário dos animais. Os Touros são seres vivos pacíficos e dóceis e não merecem o tratamento cruel que o "homem" lhes dá, para se divertir e divertir os sádicos.

 

2 - Porque a tourada é um costume bárbaro e cruel (não é uma tradição, porque as tradições dignificam o Homem, e a selvajaria tauromáquica coloca o "homem" abaixo da escala animal) o qual (costume) tem como objectivo provocar dor e sofrimento a um animal não-humano, para exorcizar a invirilidade dos animais-humanos que nela intervêm, e com isso encher os bolsos a uns tantos energúmenos.

 

3 - Porque a tourada é um “jogocobarde e injusto, em que os únicos intervenientes sujeitos ao perigo são os Cavalos e os Touros, e nunca os animais-humanos. A tourada não é desporto nem arte. É um confronto desleal e cobarde entre os sádicos "humanos" armados de bandarilhas e espadas e um animal senciente, indefeso, inocente e inofensivo.

 

4 - Porque o sofrimento dos animais não se resume à arena. Os jovens Touros e Vacas são repetidamente torturados em treinos. Durante toda a sua vida, estes animais não conhecem mais do que a dor e a agonia lancinantes.

 

5 - Porque no mundo da tauromaquia nenhum animal é tratado com respeito e dignidade. Os próprios Cavalos sofrem as investidas desesperadas dos Touros. Para os sádicos tauromáquicos, os animais não têm direitos nem sentimentos: significam apenas um sujo lucro.

 

6 - Porque horas antes da entrada na arena, os Touros são enclausurados num lugar escuro, espicaçados, drogados, espancados, os seus chifres são cortados a sangue-frio, por isso quando os soltam na arena eles correm esbaforidos, parecem “bravos”, mas estão apenas angustiados, assustados, acossados, a tentar, desesperadamente, fugir dali. Mas os Touros não têm qualquer hipótese de fuga e protecção, ficam à merce de psicopatas, por vezes, lá reúnem as derradeiras forças para defenderem o que lhes resta de vida, e ferem e matam os seus carrascos. Legitimamente.

 

7 - Porque os Touros sofrem lesões gravíssimas provocadas pelos ferros espetados no dorso. Quando são reencaminhados para os curros, os ferros são-lhes arrancados da carne com o auxílio de facas, sem qualquer tipo de anestesia, sem qualquer compaixão, como se não fossem feitos de carne e osso, como os seus carrascos.

 

8 - Porque depois de ser “lidado”, o animal permanece na maioria das vezes, dois a três dias em sofrimento angustiante e atroz, à espera que o matadouro mais próximo reabra para que possa finalmente ser abatido.

 

9 - Porque a tourada deseduca e insensibiliza o público. A tourada não é cultura, é pura crueldade e maldade e apela aos maus instintos, aos maus-tratos dos animais. Levar crianças a ver tourada seja na televisão ou na arena, contribui para a sua deformação mental, e continuidade desta actividade degradante, cruel e medievalesca.

 

10 - Porque os Seres verdadeiramente Humanos não alimentam a crueldade e ganância de indivíduos que vivem da tauromaquia e à custa dos nossos impostos, e que ao torturar seres inocentes, inofensivos e indefesos, envergonham Portugal e toda a Humanidade.

 

Para terminar, senhor Gonçalo Reis, recomendo-lhe que leia estes dois textos, para que tenha a noção daquilo que aqui pus em causa:

 

CULTURA E CIVILIZAÇÃO

http://arcodealmedina.blogs.sapo.pt/22410.html

 

A CARTA DO GRANDE CHEFE SEATTLE

http://arcodealmedina.blogs.sapo.pt/15806.html

 

E agora despeço-me com fé e esperança no triunfo da lucidez,

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 19:46

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Quarta-feira, 27 de Setembro de 2017

A VERDADE QUE A INDÚSTRIA TAUROMÁQUICA QUER ESCONDER

 

(Um texto actualíssimo de André Silva – PAN)

 

Mais uma vez, as a estatísticas oficiais vêm colocar a indústria tauromáquica numa situação embaraçosa e comprometedora

 

O Relatório da Actividade Tauromáquica de 2016, da Inspecção Geral das Actividades Culturais (IGAC) vem demonstrar o crescente desinteresse dos portugueses pela tauromaquia, uma prática que é cada vez mais rejeitada pela violência que encerra e que continua em declínio acentuado.

 

img_153x153$2017_02_15_22_40_58_207150.jpgPan (o) p´ra mangas

André Silva

 

As touradas atingiram mínimos históricos de corridas e de público no nosso país. O número de touradas realizadas em 2016 foi pela primeira vez inferior a 200 e os 362.057 espectadores contabilizados pela IGAC representam o valor mais baixo de sempre em Portugal desde 1998, ano que começaram a ser publicadas as estatísticas oficiais. Desde 2010 as touradas já perderam mais de 53% do seu público. A tauromaquia tem um peso cada vez mais insignificante no panorama dos espectáculos ao vivo em Portugal, sendo já superada pelos eventos de Folclore que em 2015 contabilizavam 462.081 espectadores, segundo o Instituto Nacional de Estatística.

 

Fazendo umas contas simples, se aos 362.057 espectadores contabilizados tiver correspondido sempre uma pessoa diferente, conclui-se que, no máximo, apenas 3% dos portugueses assistem a touradas. Mas se admitirmos sensatamente que cada aficionado assistiu a pelo menos duas corridas num ano, pode afirmar-se que, no máximo, apenas cerca de 1,5% de portugueses assistem a touradas em Portugal. Ou que 98,5% dos portugueses não assiste a touradas.

 

No entanto, e para que esta ínfima minoria continue a divertir-se nestes espectáculos que, nas palavras do Professor Fernando Araújo, consistem "na exibição da mais abjecta cobardia de que a espécie humana é capaz, o gozo alarve com a fragilidade e com a dependência alheias", o Estado tem tido um papel determinante. Com fortes apoios directos e indirectos, através de dinheiros públicos, de apoios institucionais e de isenções fiscais, o Estado tem garantido autênticos balões de oxigénio a esta actividade decadente.

 

Os portugueses não conseguem entender o papel de um Estado que isenta os artistas tauromáquicos do pagamento de IVA, aqui equiparados a desportistas, médicos ou enfermeiros. Um Estado evoluído e justo deve recompensar, através de isenções fiscais, apenas as actividades económicas e profissionais que acrescentam valor, unificam a sociedade e que passam, necessariamente, pela não-violência. Equiparar a tauromaquia a profissões de cariz humanitário ou de utilidade pública é uma forma de anular o significado das palavras e corromper a razão de ser das isenções. Também não se compreende como é possível, contra o sentimento geral da população portuguesa, inclusivamente contra a opinião do Provedor do Telespectador, que o serviço público de televisão continue a transmitir touradas, financiando assim esta prática com o dinheiro público que, a tanto custo, os cidadãos contribuem.

 

A própria reacção do sector aos factos vem reforçar o seu desespero pelo envelhecimento natural de uma actividade que as novas gerações claramente repudiam. Então é preciso doutrinar os mais novos para a violência com o nobre objectivo de defender a tradição e os bons costumes. Como? À moda antiga. Quem tem dinheiro, logo "poder", investe em "comunicação" para nos trazer a primeira edição do BullFest já neste mês de Fevereiro, e que a indústria chama de Festival de Cultura Portuguesa.

 

Mas haverá lá acontecimento mais emblemático da ruralidade, cultura e tradição portuguesas que um evento em Lisboa designado de BullFest, num shopping repleto de boutiques e de cadeias de fast food?

 

No programa deste evento pode ler-se que "este é um momento perfeito para os mais pequenos terem uma introdução à tauromaquia em família." Esta frase diz tudo sobre as intenções da indústria tauromáquica. Um dia em cheio que começa logo de manhã repleto de animação infantil com muitas actividades, divertidas e aparentemente inofensivas, que têm sempre como pano de fundo o inefável universo tauromáquico. Muita animação e brincadeira, que sob a capa de momentos recreativos e lúdicos, tem como objectivo único o doutrinamento das crianças. O cornetim, a seda e as lantejoulas já não conseguem cativar os mais novos para esta tradição bafienta, por isso cabe ao marketing tentar descobrir outros caminhos.

 

As crianças que desde tenra idade se "educarem" (leia-se condicionarem) para um relacionamento com o outro baseado no utilitarismo, na agressão e na dominação, serão adultos que terão uma visão da violência da tauromaquia como um ritual vulgar. Controlar e condicionar crianças para a banalização da tauromaquia hoje é continuar a garantir a institucionalização da violência amanhã.

 

Cultura, senhoras e senhores, corresponde a um sentido humanista com um contributo concreto para nos tornar melhores seres humanos e caracteriza a evolução mental e civilizacional das sociedades. Crianças e jovens expostos à violência como uma actividade supostamente cultural e natural serão adultos que organizam os seus próprios sistemas de valores com bases mentais pouco sadias.

 

E nem as marcas portuguesas no cumprimento dos seus programas de responsabilidade ética e social se querem associar às máquinas do marketing usadas para a manipulação dos "inocentes", pelo que os patrocinadores desta iniciativa são praticamente inexistentes ou desconhecidos. São cada vez mais os agentes económicos que se divorciam e recusam patrocinar uma tradição que já não pertence a este tempo.

 

Há contingências que são evitáveis com coragem política, que muito tem faltado. As minorias que o Estado deve apoiar e proteger, com "pão, saúde e educação", são outras.

 

Continuam a destapar-se os véus… cá estaremos até ao derradeiro toque a cabrestos.

________

André Silva nasceu a 2 de Abril de 1976, formado em Engenharia Civil e vegetariano, é deputado e porta-voz do PAN, Pessoas - Animais – Natureza

 

Fonte:

http://www.sabado.pt/opiniao/convidados/andre-silva/detalhe/a-verdade-que-a-industria-tauromaquica-quer-esconder

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:09

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Terça-feira, 26 de Setembro de 2017

QUANDO UM TOURO É UM ANIMAL SELVAGEM NA IMAGINAÇÃO DOS AFICIONADOS…

 

 

Recebi este comentário no Blog, cujo conteúdo não será muito diferente de muitos outros que costumo receber, à excepção da linguagem utilizada. Depois de ser bombardeada por uma enxurrada de ordinarices, ler este comentário do António, na sua ingenuidade de aficionado (que acha que não é) pareceu-me estar no paraíso.

 

Destaco-o aqui, por esse motivo, mas também para poder levar mais longe o que tenho para dizer ao António Estrela.

 

TOURO.jpg

Eis o belo e poderoso “animal selvagem” que, se não fossem as touradas, o António Estrela nunca teria oportunidade de ver… assim...

 

 ANTONIO ESTRELA comentou o post A CRUELDADE ESCONDIDA DA TAUROMAQUIA às 22:49, 25/09/2017 :

 

Eu não gosto de touradas, mas sou grato a quem as vê. Pois sem elas não teria podido ver um belo animal, como o touro. Um animal selvagem poderoso. Que desde sempre foi venerado em lutas iguais. pelo homem. Só haveria chocas, ou simplesmente hambúrgueres . Vale a pena lutar por uns centímetros a mais nas gaiolas das galinhas ou pela melhoria dos transportes de gado. Mas o que me choca realmente, é o conceito de biodiversidade dos limousines, dos charoleses, dos BBB ou dos bois da raça zebuína com cupim enorme.

 

***

António Estrela,

 

Vamos lá esmiuçar o seu comentário. Começa por dizer esta coisa espantosa:

 

«Eu não gosto de touradas, mas sou grato a quem as vê».

 

Isto significa tão-só que o senhor GOSTA de touradas, mas não sabe, e é cúmplice dos sádicos e psicopatas, mas também não sabe.

 

«Pois sem elas não teria podido ver um belo animal, como o touro. Um animal selvagem poderoso».

 

Pois digo-lhe que se NÃO HOUVESSE touradas, o senhor PODERIA VER o belo animal, que é um Touro, nos prados, a pastar tranquilamente, como é da sua natureza. E JAMAIS, em tempo algum, veria um ANIMAL SELVAGEM chamado Touro, porque os Touros não são animais selvagens. São herbívoros, de natureza mansa e extremamente pacífica. Mas para saber isto é preciso estudar BIOLOGIA. Portanto, sugiro-lhe que nunca se meta a falar do que não sabe.

«Que desde sempre (o touro) foi venerado em lutas iguais, pelo homem».

 

Desde sempre o Touro foi venerado como um deus, por exemplo, no antigo Egipto. O Touro, na cultura micénica, foi venerado, NÃO para lutas, mas para acrobacias, sem sangue, sem sofrimento, sem tortura. JAMAIS o homem o venerou em LUTAS IGUAIS. À medida que a humanidade foi avançando, em vez de se avançar também no respeito a ter pelos magníficos animais que são os Touros, regrediu-se irracionalmente, e o animal homem-predador começou a utilizá-los, a explorá-los para LUTAS COMPLETAMENTE DESIGUAIS, onde os Touros vão para as arenas completamente desfeitos, quase cegos, já bastamente mortificados, e os homens-predadores, armados de bandarilhas e espadas, mais não fazem do que demonstrarem a sua DESCOMUNAL COBARDIA diante de um animal MAGNÍFICO, sim, mas completamente arrasado, indefeso, inocente e inofensivo.

 

«Só haveria chocas, ou simplesmente hambúrgueres».

Só haveria chocas, ou simplesmente hambúrgueres nas alucinações de quem apenas consegue ver carne de cadáveres para se alimentar, quando na Natureza existe tudo o que é necessário à alimentação do homem, sem necessidade de recorrer à morte dos animais que connosco partilham o Planeta, não para que o homem os coma ou os explore para tortura ou trabalhos forçados, mas porque foram criados para servirem unicamente a Natureza.

Isto de chocas e hambúrgueres está desactualizadíssimo. Tente actualizar-se, António Estrela. Até porque chocas sem Touros não existiriam. E vice-versa.

Por fim, o senhor diz isto:

«Vale a pena lutar por uns centímetros a mais nas gaiolas das galinhas ou pela melhoria dos transportes de gado. Mas o que me choca realmente, é o conceito de biodiversidade dos limousines, dos charoleses, dos BBB ou dos bois da raça zebuína com cupim enorme».

Não se trata de lutar por uns centímetros a mais nas gaiolas das galinhas ou pela melhoria dos transportes de animais.

Trata-se de retirar as galinhas das gaiolas, e de acabar com o transporte de gado vivo. O conceito de que os animais nasceram para servir o homem está ultrapassadíssimo. Deu-se um passo gigantesco a este respeito. Mas há os que ficaram para trás e ainda estão no século XXI antes de Cristo.

 

Quanto ao que o choca realmente não me surpreende. Gosta de touradas, e de ver os magníficos Touros estraçalhados nas arenas, mas o mais chocante, para si é a diversidade das raças bovinas.

A mim também me ofende bastante a manipulação genética.

 

Porém, a tortura de magníficos bovinos, mansos, indefesos e inofensivos, para divertir um punhado de sádicos e satisfazer os maus instintos de psicopatas; o martírio de seres vivos, que só investem se forem atacados pela besta humana, esmaga-me a alma.

Por conseguinta, da próxima vez que queira comentar sobre esta matéria, senhor António Estrela, venha munido de Saber. Dê uma vista de olhos, por este Blog. Estão aqui todas as informações necessárias, provas científicas, depoimentos de cientistas, desmistificações, enfim, tudo o que é preciso saber para sair do obscurantismo em que a tauromaquia tem mergulhado os seus aficionados.

É que já estou farta de estar sempre a repetir a mesma coisa.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:55

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