Segunda-feira, 19 de Junho de 2017

GRANDE TRAGÉDIA INCENDIADA PELA FALTA DE UMA POLÍTICA FLORESTAL E AMBIENTAL

 

Todos os anos, há uns anos a esta parte, o inconcebível acontece.

 

Mas desta vez, perderam-se demasiadas vidas (humanas e não humanas), para podermos calar a desgraça.

 

E a culpa foi da trovoada seca?

 

Desde que o mundo é mundo, a trovoada seca é tão natural como a chuva, a tempestade, o calor, o frio, o fogo, a neve, o vento, os terramotos, as erupções vulcânicas, os tsunamis, enfim, é tão natural como todas as grandiosas manifestações da Mãe Natureza, contra as quais o homem, que se julga o todo poderoso dono do mundo, nada pode.

 

E quando a Mãe Natureza se manifesta desta forma tão poderosa, é porque alguma coisa vai mal. E o homem chora, mas não aprende nada com estes sinais tão claros, de um Poder maior do que todos os poderes humanos.

 

mw-1280 INCÊNDIO.jpg

 Origem da imagem:

http://sicnoticias.sapo.pt/pais/2017-06-18-Fogo-em-Pedrogao-Grande-mantem-quatro-frentes-ativas-de-grande-intensidade

 

Desta vez, perderam-se demasiadas vidas (humanas e não humanas), floresta, habitações, pomares, searas, bens materiais, como se a fauna e a flora portuguesas, e tudo o resto não merecessem o olhar dos governantes.

 

Culpa-se o clima, as trovoadas secas, o vento, mãos criminosas, a falta de chuva, a falta de bombeiros, a falta de meios (terrestes e aéreos), culpa-se tudo, excepto a falta de uma Política Florestal e Ambiental, apta a minimizar as consequências naturais das Forças da Natureza, que o homem não pode evitar, mas pode atenuar.

 

Dispensaram-se os Guardas Florestais, os Engenheiros Florestais, os Biólogos Ambientais, como se Portugal não tivesse uma mancha florestal considerável. E dispensaram-se os guardiães das Florestas por causa da inexistência de verbas que são desviadas para o que é completamente dispensável, porque inútil?

 

Portugal arde. Extingue-se em várias frentes. E não só devido aos fogos florestais. Estamos a perder muito mais do que fauna e flora.

 

Todos os anos, há uns anos a esta parte, Portugal vai perdendo floresta e fauna autóctone, debaixo das barbas dos irresponsáveis políticos que, mal acaba o perigo, e depois de prometidas medidas, esquecem-se de que as prometeram e tudo volta à estaca zero.

 

Este ano, a reacção da Mãe Natureza contra a ineficácia humana foi implacável. Este ano, a Mãe Natureza fez lembrar ao homem de que quem manda nestas coisas é uma Força maior do que a força humana, por isso há que abrandar os desmandos dos homens.

 

E Pedrógão Grande incendiou-se, e demasiadas vidas (humanas e não humanas) foram ceifadas. Esperemos que não inutilmente.

 

Esperemos que todos, todos, políticos e povo, tivessem lido nas entrelinhas desta tragédia, o grande recado que a Mãe Natureza nos enviou.

 

O próprio povo, tem-se estado nas tintas para o que deve fazer. Acredita piamente nas falsas promessas que lhe fazem os políticos, e não actua como devia actuar.

 

A trovoada seca, que dizem estar na origem desta tragédia, poderia ser evitada? Obviamente que não. Os homens não têm poder para tal.

 

Porém, a tragédia poderia ser minorada? Poderia, se houvesse uma Política Florestal e Ambiental séria e coordenada.

 

Incêndios florestais sempre existiram desde o início dos tempos. São naturais. São necessários.

 

O que não é natural, nem necessário é a perda das vidas humanas e não humanas provocadas pelo desleixo a que as nossas florestas estão votadas.

 

Que esta tragédia possa servir para mudar a política. Para mudar a atitude do povo. Para abrir os olhos dos que se julgam “poderosos”.

 

Os meus mais sentidos pêsames a todos os que perderam os seus familiares e amigos e vizinhos, nesta tragédia.

 

E o meu mais veemente apelo aos governantes do meu País: mudem de atitude. Prendam-se ao que é essencial. Dediquem os vossos esforços a políticas de VIDA, não a políticas de MORTE.

 

Isabel A. Ferreira

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:22

link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
Quinta-feira, 11 de Maio de 2017

A DOR DA MÃE QUE PERDE UM FILHO É IGUAL EM TODAS AS ESPÉCIES

Esta extraordinária foto foi tirada por Avinash Lodhi, em Jabalphur, na Índia.

 

Diz o fotógrafo: «Esta fotografia diz-me muito porque em toda a minha carreira como fotógrafo nunca vi nada assim. Foi tudo tão rápido que nem me apercebi do que estava a acontecer quando a tirei, mas assim que olhei para ela fiquei em silêncio durante uma hora. É um momento raro, especialmente entre animais».

 

E ainda há quem ache que os animais não sentem dor, não têm sentimentos, nem se emocionam.

 

É preciso ser-se muito ignorante e não ter um pingo de essência animal, para desconhecer uma tão óbvia verdade.

 

SOFRIMENTO.jpg

 Origem da foto:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1384500868254690&set=a.430208190350634.93098.100000843695134&type=3&theater

 

Esta mãe, ao ver o seu filho sem sentidos, provavelmente morto, expressou deste modo “humano” a dor que então sentiu.

 

Na selva, não há hospitais, e os animais não humanos não têm como saber do estado de saúde uns dos outros. Mas a Mãe Natureza é sábia. O bebé macaco recuperou os sentidos e viveu.

 

Mas entre um momento e outro, o sofrimento desta mãe, que ficou perpetuado nesta magnífica foto, está estampado na sua expressão profundamente dolorosa, que apenas os idiotas não conseguem observar.

 

É por estas e por outras que não podemos meter no mesmo saco todos aqueles que têm uma aparência humana. É que nem todos são humanos, por serem desprovidos daquela essência que os iguala a todos os restantes animais.

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:32

link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
Terça-feira, 4 de Outubro de 2016

SOMOS FILHOS DA MESMA MÃE NATUREZA

 

Estes são os meus irmãos animais, entre todos os outros.

 

Partilhamos o mesmo Planeta. Temos as mesmas necessidades vitais.

 

Respiramos o mesmo ar. Somos aquecidos pelo mesmo Sol. Iluminados pela mesma Lua...

 

Somos filhos da mesma Mãe Natureza.

 

Mas Portugal é ainda um país primitivo, onde é permitido que psicopatas torturem animais não humanos, em "espectáculos" cruéis, macabros, medievais, sanguinários...

Porquê?

 

Animais[1].png

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:26

link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
Quinta-feira, 14 de Julho de 2016

TRIBUTO A MARIA HELENA CAPETO – A NATUREZA É A MEDIDA DE TODAS AS COISAS

 

Quando me vi com Tiiti de Gayport – Tributo ao Amor, o livro de Maria Helena Capeto, nas minhas mãos, o meu primeiro gesto foi acariciar o rosto de Tiiti, na capa do livro, numa espécie de ritual de boas vindas. E mal sabia eu o que esperar desta leitura.

 

Este é um livro que todas as pessoas devem ler, porque aprenderão a viver em harmonia com a Vida, com a Natureza e a compreender melhor o Universo, não o Universo que nos “mostra” a Ciência, mas o outro, aquele que é o verdadeiro Universo, onde toda a Vida está entrelaçada, e que apenas uns poucos alcançam.

 

TIITI.jpg

 

Li este livro avidamente.

 

Trata-se de uma fascinante declaração de amor eterno a um ser que escolheu a autora para com ela partilhar as alegrias e as tristezas da própria existência.

 

Quando temos um animal, não somos nós que o escolhemos. É ele que nos escolhe. É ele que, de um modo ou de outro, vem ter connosco, ou leva-nos até ele, para que o recebamos e com ele partilhemos a vida e as emoções, com uma cumplicidade única e inevitável.

 

Mas Tiiti é também um ponto de partida para uma reflexão intimista de uma outra realidade que foge aos nossos sentidos mais terrenos.

 

Com Tiiti, Maria Helena Capeto compreendeu que «tudo faz parte do mesmo tecido cósmico, tudo nele está entretecido e entrelaçado», e a partir daqui, reescreveu magistralmente os conceitos que temos da Vida, da Natureza, do Cosmos, da Ciência que não nos diz nada, ou quase nada, porque a essência do mistério da Vida não é para dizer, mas para sentir. Para intuir. Para ser, sem ter como ser provado.

 

Com Tiiti de Gayport confirmei o que sempre havia intuído: os homens não têm a capacidade de compreender a linguagem da Natureza, como têm os animais não humanos, que o homem tanto nega e menospreza. E no entanto, considera-se uma espécie “superior” a todas as outras espécies. E não tem motivo algum para tanto.

 

Saberá realmente o Homem quem é o Homem, de onde vem e para onde vai, e qual o seu verdadeiro lugar no Cosmos?

 

O animal humano vê o mundo à medida da sua estreiteza de espírito.

 

Fascinei-me com a lucidez com que Maria Helena Capeto nos coloca diante da nossa insignificante “civilização”, que pode ser destruída num segundo, se assim o entender a Mãe Natureza.

 

E o que é o homem perante a força ingovernável dessa Natureza?

 

O homem julga-se o dono do mundo, o dominador do mundo.

 

Como se engana!

 

Quem domina o Planeta são as poderosas forças da Natureza, que o homem não tem como vencer.

 

O homem é apenas uma pequena porção daquela poeira cósmica de que todas as coisas terrenas e não-terrenas são feitas. Todas, incluindo os animais, ditos não humanos, tão desvalorizados pelo homem.

 

Se a humanidade, e apenas a humanidade fosse exterminada hoje, os restantes animais e as plantas continuariam a viver, agora mais tranquilamente sem a predação humana.

 

O que dizer mais sobre Tiiti de Gayport?

 

Ocorre-me declarar que, a partir desta leitura, fiquei com a certeza de que a Natureza é a medida de todas as coisas, e não o homem, como ele julga que é.

 

Sejamos humildes.

 

Termos consciência de nós próprios é sabermos que não fazemos qualquer falta a nenhuma outra criatura. Pelo contrário, o homem sem a restante vida planetária não sobreviveria nem um só dia.

 

Obrigada, Maria Helena Capeto, por esta bela lição de Amor, que tão profundamente me tocou.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:03

link do post | Comentar | Ver comentários (4) | Adicionar aos favoritos
Domingo, 26 de Abril de 2015

AS TRAGÉDIAS DO NEPAL

 

Sei que posso chocar-vos, mas isto acontece no Nepal: sacrifício brutal de animais.

Em nome de quê?

 

f_279369 Sacrifício de animais no Nepal.jpg

 

f_279370 NEPAL.jpg

Foto: Roberto Schmidt/AFP

in: http://noticias.band.uol.com.br/mundo/noticia/?id=100000722641&

 

Então ocorre-me pensar algo terrível, que não devia pensar.

Mas é preciso saber ler os sinais que as forças do Universo nos enviam, todos os dias.

 

TERRAMOTO NEPAL.jpg

Um cismo de grande magnitude dizimou milhares de nepalenses

 

O mundo anda de olhos vendados e não sabe interpretar estes avisos da Mãe Natureza. É que somos todos (animais humanos e animais não humanos) filhos dessa mesma Mãe.

 

Diz quem sabe (não sou eu que o digo, porque nada sei) que o tempo do ajuste de contas já chegou, e pelo que está a acontecer por todo o mundo, acredito nisso plenamente.

 

https://www.facebook.com/UNFFT/photos/pcb.10152951203419825/10152951201509825/?type=1&theater

 

Sejamos então humildes, e reduzamo-nos à nossa insignificância.

É que nada mais somos do que simples grãos de poeira cósmica...

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:30

link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
Segunda-feira, 29 de Julho de 2013

A RAZÃO SEPARA OS SERES HUMANOS DOS SERES DESUMANOS

 

Eis um comentário que vou responder com um texto que escrevi, no meu livro Manual de Civilidade, e espero que o Tomás Tudela entenda que não é o dono do mundo, mas simplesmente uma pequena partícula do Universo, que se a Mãe Natureza quiser esmagar, esmaga sem que ele nada possa fazer.

 

Nem sei como é possível existir alguém que pense como o Tomás Tudela, nos tempos que correm… É de PASMAR!

 

 

Tomás Tudela, deixou um comentário ao post FEIRA MEDIEVAL NA FREGUESIA DE SÃO PEDRO DE SINTRA às 19:04, 2013-07-28.
 
Comentário:

A Isabel insiste em confudir seres humanos com os restantes animais e em colocá-los no mesmo patamar. Na comunidade internacional, a DUDA não tem o mesmo valor que a DUDH, e o mesmo se passa no nosso país e em muitos outros países. A DUDH é foi proclamada e aprovava pela ONU, com o apoio do nosso País. A DUDH consagra um conjunto de princípios que se impostos a todos os países pela comunidade internacional e está consagrada na nossa Constituição. Portugal não assumiu compromisso nenhum relativamente à DUDA. Eu não tenho o mesmo valor que um animal, por isso não faz sentido a Isabel tentar comparar a minha vida à vida dos animais. Os seres humanos não podem usar cavalos para o Hipismo, nem burros ou póneis para o trabalho? O entretenimento de crianças, neste caso, é o trabalho do dono do burro ou do pónei. Podemos ter cães em casa, ou isso é uma crueldade e um atentado à liberdade dos cães? Os animais não nascem com direitos invioláveis, dotados por qualquer entidade divina. Isabel, o facto de os animais nascerem selvagens ou livres não significa que tenham que o ser. Não significa que os seres humanos não os possam utilizar. Senão o ser humano também não podia utlizar as florestas, os campos, os mares ou os rios. Qual é o propósito desssa coisas? O propósito dessas coisas, tal como dos burros e dos póneis, é aquele que os seres humanos quiserem que seja. Os seres humanos são um fim em si próprios. Os animais têm o fim que os seres humanos lhes atribuam. A Razão separa-nos.

 

***

 

PRIMEIRA NOÇÃO: O RESPEITO

 

«Não faças aos outros o que não gostas que te façam a ti»

 

A primeira noção a reter é a do respeito.

 

O que é o respeito?

 

É a consideração pelo outro. Quem é o outro? É tudo o que existe à nossa volta. Tudo o que faz parte do nosso mundo, da nossa vida: pessoas, animais, plantas, águas, ar, terra, enfim, todas as coisas, o que é nosso, por exemplo, a chávena por onde tomamos o leite, e o que não é nosso, ou seja, a chávena por onde o nosso irmão toma o seu leite.

 

O Respeito está na base do equilíbrio de todo o Universo. Se o Sol não respeitasse a Lua, se a Lua não respeitasse as estrelas, se as estrelas não respeitassem os planetas, se os planetas não respeitassem o Sol, o Sol talvez não respeitasse a Terra e provavelmente morreríamos queimados, num dia em que ele – o Sol – acordasse mal disposto.

 

A noção de Respeito está intimamente ligada ao princípio: «não faças aos outros o que não gostas que te façam a ti». 

 

Repara:

 

Se não gostas que te rasguem as carnes com um punhal ou com outra coisa qualquer, deves rasgar as carnes de outro ser com um punhal ou com outra coisa qualquer?

 

Se não gostas que cuspam no teu prato de sopa, deves cuspir no prato de sopa de quem contigo come à mesma mesa, ou na mesa ao lado?

 

Todas as pessoas têm Direitos. Todas as pessoas têm também Deveres. Só podes exigir que respeitem os teus direitos, se respeitares os direitos dos outros. E esse respeito que deves aos outros é apenas um dos teus muitos deveres.

 

Terás o direito de exigir respeito, se não respeitas o tudo que te rodeia?

 

Lembra-te de que não és a única criatura do mundo. Há os outros seres, com quem tens a obrigação de partilhar o Planeta, que não é apenas teu. Tu não és a medida de todas as coisas. O erro maior do homem foi um dia julgar-se o centro do mundo.   

 

Todavia, o homem não passa de mais uma criatura entre milhares de outras criaturas, que antes dele já existiam.

 

O equilíbrio do Universo depende também do teu equilíbrio.

 

Primeira condição para saberes respeitar: começa por te respeitar a ti próprio, dizendo: «Sou uma pessoa, não importa se feia, se bonita. O que importa é que sou uma pessoa, e devo respeitar o que sou, para ser digno de mim mesmo e, a partir daí, digno de todos os outros seres».

 

A noção de respeito aparecerá muitas vezes ao longo deste Manual, porque o respeito é a medida de todas as nossas atitudes.

 

in «Manual de Civilidade» © Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 12:12

link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
Quinta-feira, 29 de Novembro de 2012

QUE RAZÕES CULTURAIS, TRADICIONAIS, IDENTITÁRIAS, SOCIAIS, ECONÓMICAS E ECOLÓGICAS PODEM LEGITIMAR A TORTURA DE TOUROS E CAVALOS?

 

 

Foto tirada nas traseiras do Campo Pequeno (Lisboa): imagem onde está estampado o enorme sofrimento do Touro, causado pelas “ervas daninhas”, com forma humana, que infectam as sociedades civilizadas.  

 

 

Vou ver se consigo ser politicamente correcta, perante as alucinações de um torcionário, publicadas na Revista CAIS (178), de Novembro de 2012, e redigidas por um indivíduo da prótoiro (federação portuguesa das associações taurinas), de nome José do Carmo Reis (JCR) – que além de ODIAR TOUROS E CAVALOS, é caçador desportivo e ADORA MATAR  ANIMAIS e exibi-los mortos publicamente – num texto que pretende defender o indefensável, caindo no ridículo dos inscientes.

 

Ora esse cidadão tenta sublimar e legitimar o que nós estamos a ver na imagem que ilustra este texto, como se essa fosse a missão maior e mais nobre do ser humano, isto é, TORTURAR seres vivos, por interesses económicos e sádicos.

 

Diz esse cidadão que «ser aficionado e defender a tauromaquia supera, hoje em dia, o exercício de apontar as razões culturais, tradicionais, identitárias, sociais, económicas e ecológicas que legitimam a Festa Brava».

 

Quem tem capacidade de discernir, basta olhar para o sofrimento estampado no semblante daquele Touro, para ficar elucidado quanto às razões que o ficcionista quer legitimar.

 

Depois o dito articulista diz que «quem a ela (à festa brava) se opõe (agora repararem na poética da cegueira), fá-lo vislumbrando o amanhecer de uma nova ética que suportará a tão almejada e moderna moral. O deslumbre do inócuo “não fazer aos outros aquilo que não gostaríamos que nos fizessem a nós”, está no caso do relacionamento do Homem com os restantes animais, além da quimera».

 

O JCR citou o preceito máximo de Jesus Cristo (“não fazer aos outros…”), já utilizado por grandes revolucionários mais antigos, e que bastava ser seguido por todos os seres humanos, para que a Humanidade pudesse até dispensar as mal engendradas leis dos homens.  

 

Mas o JCR, não sabe, porque a Igreja Católica também não sabe, embora ande enrodilhada lá pelas arenas, o significado e a profundidade desta mensagem.

   
Este é o efeito negativo da interpretação errada que a Igreja Católica faz da mensagem de Cristo, e a transmite aos falsos devotos que se benzem e pedem a protecção de Deus antes de ir TORTURAR Touros e Cavalos para uma arena.

 

Mas querem saber o que pensa o JCR a propósito deste preceito?

 

Diz que ROÇA AS MARGENS DA IRRACIONALIDADE e é uma ABSURDA ILUSÃO, porque «embate na inevitabilidade das constantes e impiedosas regras que a própria natureza impõe a todos

 

A mente deste aficionado é tão retorcida que confunde a MÃE NATUREZA e as suas regras implacáveis, mas sábias, com a natureza ignorante e cruel do homem predador, que se acha dono e senhor de todas as criaturas, inclusive das humanas, e inevitável a aniquilação delas pela bestialidade que lhe ocupa a mente.

 

A seguir o JCR diz uma coisa espantosa: «Sobrepondo-se à fantástica e pueril visão do mundo natural segundo Walt Disney, estão as filmagens da National Geographic Society, revelando a vida selvagem e relembrando o acordo, embora arrebatado que temos com a natureza. E esta verdade, nem o mais piedoso dos anti-taurinos poderá fugir

 

O JCR confunde a VIDA SELVAGEM com as suas regras cósmicas, primorosamente elaboradas, com a execrável SELVAJARIA praticada pelos tauricidas sobre Touros e Cavalos. Isto é de uma IGNORÂNCIA atroz.

 

Depois divaga com uma verborreia desviante, que não interessa nem ao papa nem ao bispo, e que nada acrescenta de útil à causa que pretende defender, isto é: a da TORTURA de Touros e Cavalos. 

Mistura terrorismo, veganismo, vegetarianismo, abortos, gatos vadios, braços armados, cancro na mama… bem aquelas coisas que eles dizem para fugirem à principal questão, que é a doença psicopata denominada “tauromaquia”.

 

E termina o JCR com algo, no mínimo, irracional. Diz ele:

 

«No fundo, e contrariamente ao que apregoam os movimentos anti-taurinos, ser aficionado no século XXI não deriva de nenhuma estagnação evolutiva, desvio comportamental, falta de ética, nem está directamente relacionado com uma falha moral. É, acima de tudo, não pactuar com a visão extremista que uma franja da sociedade pretende impor aos restantes membros. É rejeitar radicalismos, fanatismos estéreis, uniformizações e negar o abraço da globalização. É defender a nossa cultura, identidade e liberdade, mas no processo, assegurar ao Homem a sua dignidade. Sempre! »

 

Ora resumindo, o JCR quis dizer apenas isto: «ser aficionado no século XXI, é como ter sido aficionado no século XXI ANTES DE CRISTO, isto é, ser aficionado é sentir o prazer mórbido em TORTURAR ou VER TORTURAR Touros e Cavalos, assegurando ao homem a sua indignidade. Sempre!»

 

Porque a tauromaquia não passa de um desvio comportamental grave.

 

Obrigada, JCR. Prestou um bom contributo à Causa Abolicionista.

 

***

 

Na mesma revista CAIS (178) Paulo Borges, Presidente do PAN (Partido pelos Animais e pela Natureza), apresentou uma visão racional e lúcida em relação a este tema, num texto que publicarei noutro espaço, pois neste ficaria CONSPURCADO.

 

Apenas adiantarei um tópico:

 

« (…) A ABOLIÇÃO DA TAUROMAQUIA, QUE LENTA MAS FIRMEMENTE SE DESENHA NO HORIZONTE DA CIVILIZAÇÃO, APENAS EXIGE O FIM DA PRESENÇA DOS ANIMAIS, TOUROS E CAVALOS, NO ESPECTÁCULO, E NÃO O DO PRÓPRIO ESPECTÁCULO».

 

Isto não é algo brilhante?

 


 

publicado por Isabel A. Ferreira às 19:25

link do post | Comentar | Ver comentários (2) | Adicionar aos favoritos
Quarta-feira, 4 de Janeiro de 2012

PELA ABOLIÇÃO DA TOURADA - RESPOSTA A UM GANADEIRO ESPANHOL QUE ME INTERPELOU (II PARTE)

 

 

Pela ABOLIÇÃO DA CORRIDA DE TOUROS, transcrevo aqui a resposta

à resposta que o ganadeiro espanhol deu ao meu texto anterior.

 

 

(Obs: Abstenho-me de identificar o ganadeiro, por uma questão de delicadeza, uma vez que esta questão está a ser tratada em mensagens privadas, e só a torno pública pelo interesse do seu conteúdo para a Causa)

 

Senhor R.:

 

Gosto de ser desafiada. E Vd. desafiou-me. Eu respondi. O assunto (lembra-se?) era sobre TOUROS. Expus-lhe a minha ideia (repare que não disse a “minha verdade”, está no meu anterior texto) e o que faz Vd.? Sem argumentos para sustentar a sua própria ideia sobre a corrida de touros, apresenta-me este discurso, no qual não li, uma vez sequer, a palavra “tourada”, fugindo, deste modo, ao ponto principal da discussão que Vd. iniciou.

 

Diz-me Vd.: «Veo que se ha tomado muy en serio esta diatriba que tenemos acerca de las corridas de toros, pues ha escrito Vd. mucho sobre este asunto esta vez. Aunque desde la utopía y con razonamientos un tanto demagógicos».

 

Sim, senhor R., sempre tomo muito a sério as causas pelas quais luto e ACREDITO. Se não acreditasse nelas não as defenderia. Utopia? Não. Realidade. Luto por algo de muito concreto, e não é utopia o que pretendo: a ABOLIÇÃO DA CORRIDA DE TOUROS NO MUNDO. Como já houve a abolição de tantos horrores cometidos, até em nome de Deus. Por exemplo a Inquisição (da qual os nossos países, Portugal e Espanha foram grandes mestres). Argumentos demagógicos? Francamente senhor R.! Não estamos a falar de política. Estamos a falar de massacre de SERES VIVOS, para DIVERTIMENTO de sádicos. Nunca a demagogia caberia em tal discussão. Seria defraudar a esperança dos Touros e dos Cavalos poderem viver as suas vidas
tranquilamente como merecem. E isso, eu nunca faria.

 

Evidentemente que qualquer um de nós pode e deve colocar-se no lugar de qualquer outro ser. Basta querer. Eu não me empenho em dizer que somos iguais a um Touro, eu AFIRMO que somos BIOLOGICAMENTE iguais a um Touro. A minha formação académica implicou o estudo de Antropologia, nas suas várias vertentes, e sei do que estou a falar quando digo que os mamíferos não humanos são biologicamente iguais aos mamíferos humanos, na sua morfologia, nas suas necessidades vitais, nas suas dores, sofrimentos e emoções. Além disso, a minha convivência com animais, de várias espécies, desde criança, ensinou-me muito mais do que todas as teorias.

 

Diz Vd.: «En segundo lugar el mundo idílico que Vd. propone es absolutamente imposible de conseguir. Todos los animales necesitan depredar a otros seres vivos para alimentarse, unicamente las plantas están capacitadas para formar su alimento mediante el concurson de seres inanimados.
En consecuencia sólo ellas podrían sobrevivir sin hacer daño a otro ser vivo. Vd. y yo junto con todos los animales desapareceríamos y se acabarían para nosotros nuestros gozos y nuestras sombras, así como nuestras desavenencias

 

O mundo idílico que proponho seria possível se não houvesse HOMENS PREDADORES no Planeta. E é de homens predadores que falo. Não existe na Natureza animais não humanos predadores. Eles apenas tentam sobreviver como podem e sabem, e quando matam outro animal para se ALIMENTAREM, fazem-no SEM CRUELDADE. E o que faz o homem predador? É CRUEL para com os
animais não humanos para se DIVERTIR. DIVERTIR! A questão é esta, e não a da sobrevivência das espécies. Nenhum animal não humano é cruel para com outro para se DIVERTIR. Apenas o homem predador é cruel.

 

Diz Vd.: «Por último si Vd. está instalada, como creo por sus manifestaciones, en la idea de que es portadora de la verdad absoluta y de que su antagonista, en este caso yo, no tiene ni la más remota posibilidad de tener algo de razón en la polémica; no vale la pena que continuemos porque no le voy a convencer de nada y no me gusta perder el tiempo en empresas imposibles».

 

Não, não sou portadora da verdade absoluta, senhor R.. Agora que a RAZÃO e a LÓGICA não está do seu lado, isso tenho a certeza. Vd. não tem a mais remota possibilidade de ter razão porque não tem o direito de massacrar seres vivos para ganhar dinheiro; não tem o direito de ser negociante de sangue, de morte, de crueldade. Projectos impossíveis? O quê? A ABOLIÇÃO DA CORRIDA DE TOUROS? Não, não é um projecto impossível. Está muito mais perto de acontecer do que possa imaginar.

 

Diz Vd.: «Así como Vd. me pide que me ponga en el lugar del toro, yo le pido que cuando tenga que polemizar sobre algún tema, sea taurino o no, intente ponerse en el lugar de su oponente y piense que tal vez tenga algo de razón porque si no me concede ninguna posibilidad, el asunto debe cerrrarse».

 

Sim, quando polemizo com alguém, ponho sempre a possibilidade desse alguém ter razão. Mas não neste caso. Aqui trata-se da VIDA de Touros e de Cavalos. Não há a menor possibilidade de entendimento. Porque a VIDA não se joga aos dados. Porque com a VIDA não se brinca. Porque a VIDA não se discute. Porque a CRUELDADE não é coisa humana. Logo, não posso pôr-me no lugar do senhor R., porque o senhor R. é a favor do massacre cruel de seres vivos, e tem isso como
ARTE. E eu tenho isso como desvio patológico.

 

Diz Vd.: «Creo sinceramente que no vive Vd. en el mundo real, está asentada en la utopía y no se va sentir nunca realizada como persona porque lo que persigue es algo imposible.  Yo, de joven, como casi todos los jóvenes he sufrido muchísimo por haber sido excesivamente romántico pues me fabriqué un mundo imaginario y me dí muchos batacazos

Engana-se o señor Ruiz. Eu vivo no mundo real e luto para que esse mundo seja mais real ainda; não me sinto realizada, porque o mundo AINDA não é o paraíso que devia ser, porque os homens predadores AINDA existem por aí. Mas são já uma espécie em vias de extinção, mais do que os Touros, que viverão para sempre, tranquilamente nos prados, muito brevemente. Todas as lutas que já travei, ganhei-as. Ganharei também esta da ABOLIÇÃO DOS TOUROS com todos os meus companheiros de luta, pelo mundo fora. E isto não é um sonho impossível, como não foi impossível o fim do Circo Romano, o fim da Escravatura, o fim da Pena de Morte, o fim da Inquisição, o fim de práticas desumanas e de tradições desumanas. Nada é impossível quando se trata de devolver a VIDA À VIDA. Nada.

 

Diz Vd.: «No recuerdo en estos momentos quien fue el autor de esta frase: «Sería imperdonable que un joven no fuese comunista, pero más imperdonable aun sería que en la madurez de su vida siguiera siéndolo.» La foto elegida para mi perfil de facebook, una puesta de sol, refleja fielmente mi situación; me quedan pocos años, pero he vivido lo suficiente para saber que no se puede convencer a quien no está dispuesto a ser convencido. He sido profesor durante treinta y nueve años y siete meses y he podido comprobar a lo largo de mi vida docente que «no se puede enseñar a quien no quiere aprender».

 

O que tem o senhor professor para me ensinar? A massacrar Touros e Cavalos numa arena, para encher os bolsos dos ganadeiros, e para gozo de uma plateia histérica e sádica? Não obrigada, essa lição NÃO QUERO APRENDER. Vai contra tudo o que é a essência humana. E se o seu perfil do Facebook é uma imagem do pôr-do-sol, devia saber que esse mesmo Sol também aquece os Touros e os Cavalos, que partilham o Planeta Terra connosco, e o homem, que não passa de um animal entre tantos outros animais, devia RESPEITAR os desígnios da MÃE NATUREZA e deixar viver em paz o OUTRO, seja esse outro humano ou não humano.

 


 É esta lição que quer ensinar-me, senhor professor? Como transformar um magnífico ser vivo neste farrapo sangrento? Não, obrigada. Esta lição não quero aprender.

 

 Isabel A. Ferreira

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:54

link do post | Comentar | Ver comentários (10) | Adicionar aos favoritos

Mais sobre mim

Pesquisar neste blog

 

Julho 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
16
17
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

Posts recentes

GRANDE TRAGÉDIA INCENDIAD...

A DOR DA MÃE QUE PERDE UM...

SOMOS FILHOS DA MESMA MÃE...

TRIBUTO A MARIA HELENA CA...

AS TRAGÉDIAS DO NEPAL

A RAZÃO SEPARA OS SERES H...

QUE RAZÕES CULTURAIS, TRA...

PELA ABOLIÇÃO DA TOURADA ...

Arquivos

Julho 2017

Junho 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Direitos

© Todos os direitos reservados
RSS

ACORDO ORTOGRÁFICO

EM DEFESA DA LÍNGUA PORTUGUESA, A AUTORA DESTE BLOGUE NÃO ADOPTA O “ACORDO ORTOGRÁFICO” DE 1990, DEVIDO A ESTE SER INCONSTITUCIONAL, LINGUISTICAMENTE INCONSISTENTE, ESTRUTURALMENTE INCONGRUENTE, PARA ALÉM DE, COMPROVADAMENTE, SER CAUSA DE UMA CRESCENTE E PERNICIOSA ILITERACIA EM PUBLICAÇÕES OFICIAIS E PRIVADAS, NAS ESCOLAS, NOS ÓRGÃOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL, NA POPULAÇÃO EM GERAL E ESTAR A CRIAR UMA GERAÇÃO DE ANALFABETOS.

BLOGUES

O Lugar da Língua Portuguesahttps://blogcontraatauromaquia.wordpress.comhttp://mgranti-touradas.blogspot.pt/https://protouro.wordpress.comhttps://protouro.wordpress.comhttp://animasentiens.com/http://www.matportugal.blogspot.pt

CONTACTO

isabelferreira@net.sapo.pt