Terça-feira, 8 de Agosto de 2017

SENHORES GOVERNANTES, VAMOS FAZER UM "PATO"?

 

Como? Não, não é cozinhar um pato, até porque adoro patos a deslizar nas águas, e não nos pratos.

 

É fazer um pato, um acordo, a condizer com o acordo ortográfico de 1990.

 

É que se há quem apresente fatos em vez de factos (do Latim factum), porque não se há-de fazer um pato em vez de um pacto (do Latim pactum)?

 

É que nunca entendi os critérios que levaram os acordistas a substituírem facto por fato (e não me venham dizer que é apenas no Brasil, porque não é) e acto (do Latim actus) por ato (do verbo atar) mas não fazem patos. Porquê isto…assim…? Apenas porque sim?

 

Se praticamos um ato, por que não fazer um pato?

E é esse pato que venho propor.

 

BENVINDOInkedDSC02405_LI.jpg

 

Estão a ver esta imagem? Conseguem ver como as Línguas Inglesa, Alemã e Francesa estão bem aplicadas?

 

Mas se repararmos no Benvindo que o Intermarché utilizou para alegadamente se expressar em Língua Portuguesa, espalhou-se ao comprido.

 

Isto lido assim à letra, significa que apenas quem se chama BENVINDO (nome próprio de homem) é welcome, willkommen e bienvenue ao hipermercado. Conclusão: como eu não me chamo Benvindo, não fui fazer compras ao Intermarché.

 

Mas não é isso que importa. O que importa é que quem fez o cartaz, sabe como se escreve bem-vindo nas outras línguas, mas não sabe bem-receber, ou seja, escrever bem-vindo em Língua Portuguesa. E os Ingleses, Alemães e Franceses (bem) recebem como deve ser. E nós não. Vejam se os alemães têm peneiras contra consoantes duplas. Mas se willkommen fosse uma palavra portuguesa, já estaria reduzida a wilkomen, para facilitar a vida aos cabeças-duras.

 

E já vi pior: já vi no site de um Hotel, na Internet, um BEMVINDO assim… muito escarrapachado, como se fosse uma preciosidade linguística.

 

E isto não será grave? Não é gravíssimo?

 

É que a política acordista do corta os hífens aplica-se à balda. Aliás, tudo no AO90 se aplica à balda. Cada um escreve como calha, como quer, como lhe dá na real gana, a começar pelos governantes, cujos textos são um autêntico monumento à ignorância da Língua Oficial Portuguesa (e não estou apenas a referir-me à ortografia acordista, refiro-me também á ortografia não alterada que poucos dominam.

 

Posto isto regressemos ao pato.

 

Os senhores governantes permitem-me que eu, na qualidade de ex-professora de Língua Portuguesa, vá à Assembleia da República ditar-vos um texto escrito inteiramente segundo as regras do AO90?

 

E o que proponho para o pato é o seguinte: se todos os deputados derem zero erros no ditado, isto é, se todos escreverem correCtamente conforme a ortografia acordizada, eu deponho as armas, e dar-me-ei por vencida.

 

Mas como estou convencida de que a esmagadora maioria, se não a totalidade dos senhores deputados, darão montes de erros ortográficos, ao aplicarem o AO90, que querem IMPINGIR-NOS a todo o custo, ao custo da perda da nossa própria IDENTIDADE, eu proponho que mandem às malvas o AO90, reponham a Língua Portuguesa nas escolas, devolvam a Portugal a sua dignidade de País livre e soberano, e com a vossa escrita façam o que quiserem.

 

Querem e gostam de escrever mal, escrevam. Mas não pretendam que os Portugueses embarquem nesse barco furado que é o AO90, nomeadamente as crianças a quem estão a enganar cobardemente.

 

Ou então não fazem o ditado, e decidem, uma vez por todas, acabar com esta fantochada do AO90, a escrita à balda, que está a generalizar-se.


E um povo que não sabe escrever é simplesmente analfabeto.

 

Aceitam fazer este pato comigo? Aceitam este desafio?

 

Aguardo uma resposta. Não uma resposta directa, obviamente. Mas uma ATITUDE firme e honesta acerca deste triste e pobre episódio da nossa História recente: a substituição de uma língua íntegra, por um arremedo ortográfico estrangeirado, que nos esmaga a identidade.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 19:02

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NA PÓVOA DE VARZIM É ASSIM: O QUE SE PROMETE NÃO É PARA CUMPRIR

 

A 12 de Janeiro de 2017 (passaram-se apenas oito meses) publiquei neste Blog a seguinte notícia (no título, à cautela, coloquei um ponto de interrogação):

 

«Na primeira reunião de Câmara Municipal da Póvoa de Varzim, o presidente Aires Pereira afirmou que não voltará a autorizar a presença de circos com animais selvagens no concelho, seguindo uma recomendação da Assembleia Municipal, e agora aprovada por unanimidade pelo executivonotícia que pode ser recordada neste link:

CIRCOS SEM ANIMAIS (SELVAGENS) NA PÓVOA DE VARZIM?…

 

PÓVOA1.JPG

 

Pois bem, na Póvoa de Varzim, o que se promete, não é para cumprir. Aliás, como em muitas outras localidades.

 

As promessas dos políticos, leva-as o vento. E só acredita nelas quem quer.

 

Por toda a cidade, que se autoproclamou “amiga dos animais” e livre de circos com animais, existem uns cartazes a anunciar um circo com o Gigante Peixe Gato, as Perigosas Piranhas do Amazonas e, pela primeira vez em Portugal, o Peixe Crocodiloooooo!!!! que no dicionário poveiro não são considerados animais, muito menos selvagens.

 

Serão peixes de plástico a boiar num aquário doméstico?

 

PÓVOA2.JPG

 

O mesmo aconteceu com as touradas. Em 2015 disse-se, touradas na Póvoa? Nãoooo…! O que isso?!!!

 

No ano seguinte, foram três; e este ano, já lá vão duas, e ainda faltam mais…, anunciadas em cartazes terceiro-mundistas, que conspurcam a cidade, bem como através de um altifalante, que as apregoam como se fossem banha da cobra.

 

PÓVOA3.JPG

 

E para afugentar os turistas cultos, que visitam a cidade, idos ao engano, existe uma indicação, na principal via pública, do caminho da praça de touros, a lembrar a todos que estão numa cidade civilizacionalmente atrasada.

 

A este propósito, uma escritora italiana, minha amiga, que, enganada pela publicidade de uma agência de viagens, quis conhecer a cidade, ficou horrorizada. Nos panfletos publicitários, disse-me ela, a treta não dizia com a careta. E é que não diz mesmo.

 

Desviei-a para Vila do Conde, na tentativa de salvar a Pátria.

 

Ao regressar à Itália, desabafou comigo: «Não voltarei à Póvoa de Varzim. A Vila do Conde regressarei sempre».

 

Questo è molto vero e dice tutto!

 

Será bom viver numa cidade assim?

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:08

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