Segunda-feira, 25 de Outubro de 2010

A LEI NATURAL

 

 

 

Será natural o homem desperdiçar o seu tempo, o seu engenho e arte e os seus recursos com coisas que servem apenas para o destruir a si e ao mundo que o rodeia?

 

Quanto mais civilizado é o Homem, menos precisa de leis

 

No início do mundo, no tempo em que o Homem desconhecia o caos, não havia leis. A ordem existia naturalmente. O Homem vivia em comunidade, com interesses comuns. A vida não era fácil. O maior problema era sobreviver, e só a união de esforços mantinha as sociedades vivas.

 

Todos trabalhavam para o mesmo fim. Todos eram iguais dentro da mesma caverna. Repartiam a caça, aqueciam-se ao redor do mesmo fogo, e porque não havia televisão, nem computadores, nem Internet, tiveram tempo para inventar a fala, muito útil à comunicação entre uns e outros, o que lhes permitiu o desenvolvimento da civilização e da cultura.

 

As coisas, porém, foram-se complicando. No início o Homem era nómada. Seguia o percurso da caça, para poder sobreviver. Um dia fixou-se. Tornou-se sedentário. Começou a cultivar a terra, a domesticar animais, e caiu na tentação de escravizar também outros homens, o que lhe facilitava a acumulação de riquezas, e quando tal aconteceu, foram precisas as tais leis, para pôr ordem nas coisas.

 

Começava assim a era da incivilização.

 

O homem deixou de seguir a Lei Natural, a única que entre o Homem devia vigorar por ser da condição humana e, a partir daí, passou a legislar à medida das suas fraquezas.

 

Contudo, eu não roubo, não porque existe uma lei que mo proíbe, mas porque sou um ser civilizado, e não roubo.

 

Não mato o meu vizinho, ainda que ele seja má pessoa, não porque existe uma lei que mo proíbe, mas porque sou um ser civilizado, e não mato.

 

Não maltrato um animal, não pico um touro, não abandono um cão, não porque existem os Direitos dos Animais que me aconselham a não o fazer, mas porque sou um ser civilizado, não maltrato outro ser que comigo partilha o mesmo planeta e tem direito à vida, tal como eu.

 

Esta é a minha Lei. A Lei Natural da minha condição humana.

 

Quanto mais civilizado for um povo, menos precisa de leis, de polícias, de juízes, de carrascos, de prisões, de exércitos, de armas, de torpedeiros, de bombas atómicas. E quanto menos um povo precisar destas inutilidades, mais recursos lhe sobram para o que vai gerar a verdadeira civilização: habitações condignas; alimentos q.b.; prevenção de doenças (mais saúde); educação; trabalho, isto é, ocupações úteis à sociedade. Tudo isto num plano de igualdade para todos, visando a construção da sociedade ideal.

 

É natural que o Homem lute por uma sociedade ideal. Será natural o homem desperdiçar o seu tempo, o seu engenho e arte e os seus recursos com coisas que servem apenas para o destruir a si e ao mundo que o rodeia?

 

É o único animal que o faz.

 

 © Foto e texto Isabel A. Ferreira

in «Manual de Civilidade»

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:56

link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
Segunda-feira, 4 de Outubro de 2010

NOS CEM ANOS DA REPÚBLICA PORTUGUESA O QUE HÁ PARA COMEMORAR?

 

 

 

 

© Isabel A. Ferreira

 

A 5 de Outubro de 1910 nascia a República Portuguesa, que se apresentava ao povo como a única via capaz de «devolver ao país o prestígio perdido e colocar Portugal na senda do progresso».

 

Ora, os republicanos ao dizerem que pretendiam devolver ao país o “prestígio perdido”, significa que admitiam que Portugal já tivera prestígio no mundo. Um prestígio que nunca mais recuperou.

 

E eles pretendiam restituir esse prestígio e colocar Portugal na senda do progresso.

 

Ora vejamos, cem anos passados sobre o dia em que os portugueses se libertaram da Monarquia, o nosso prestígio no mundo será reconhecido? Estaremos na tal senda do progresso, de um modo que possamos dizer que os problemas que existiam em 1910 já não existem em 2010?

 

Sim, podemos dizer que algo mudou. Porém...

 

Já não temos monarcas que esbanjavam fortunas, com o fausto da corte, mas temos Ministros, Gestores, Administradores, Chefes, Directores, Gerentes, que ganham fortunas para “governar bem” o país, e o país está mal governado e o povo a pagar as facturas desse esbanjamento (não diziam o mesmo da Monarquia)?

 

Não estamos sob o jugo dos Ingleses, é verdade. Mas estamos sob o jugo de uma União Europeia que envia gente ao nosso país, para dizer como havemos de gerir os nossos dinheiros e as nossas contas (não era assim mais ou menos, com os Ingleses, durante a Monarquia?). E também hoje estamos a ser “colonizados” por capital estrangeiro, em muitas das principais empresas ditas portuguesas.

 

Pretendiam os republicanos de 1910 acabar com a instabilidade política e social que então se vivia, e com a alternância de dois partidos no poder (os progressistas e os regeneradores).

 

Conseguiram?

 

Querem maior instabilidade política e social do que esta que vivemos nos tempos que correm?

 

E quanto à alternância entre dois partidos?

 

Os primeiros republicanos não se entenderam e guerrearam-se.

 

Os que vieram a seguir também não se entenderam e guerrearam-se, a tal ponto que foi necessária a Ditadura de Salazar, que como se sabe, durou como aquelas pilhas que duram, duram, duram e nunca mais acabam...

 

Um dia, porém, acabou. Fez-se uma revolução, para revolucionar o sistema. Correu-se com tudo e com todos, e implantou-se um regime livre e libertário: o 25 de Abril de 1974 acabou com a Ditadura, que toda a gente sabia que existia, e por isso vivia-se de acordo com o que se sabia. Quem quisesse arriscar, arriscava-se a morrer assassinado ou a ir parar à prisão, ou ao exílio, por pensar alto. Quem não quisesse arriscar, vivia a sua vidinha, caladinho e submisso, e nada lhe acontecia.

Com a Revolução de Abril veio o que se diz ser uma espécie de liberdade, que toda a gente pensa que existe, e quando vai a dizer algo que os que mandam não gostam, vê-se desempregado, corrido a pontapés, sem saber como nem porquê.

 

Implantou-se uma outra ditadura, fantasiada de Democracia, que todos pensam que existe ( a democracia) mas na verdade, esta apodreceu logo à nascença.

 

Depois da revolução, governaram os militares, e logo a seguir surgiu uma nova alternância de dois partidos, no poder: ora os Sociais-democratas, ora os Socialistas; ora os Socialistas, ora os Sociais-democratas. E não saímos disto. E isto não tem levado o país leva a lado nenhum.

 

O que mudou nas alternâncias que se queriam ver banidas da governação de Portugal?

 

NADA.

 

O que há para comemorar neste centenário de um República, que nasceu de um Regicídio (ficando logo amaldiçoada à nascença) e que está tão viciada como a Monarquia, em 1910?

 

NADA.

 

Acabou-se com os privilégios dos “poderosos”? NÃO!

 

Acabou-se com a pobreza de uns e o fausto de outros? NÃO!

 

Acabou-se com a fome? NÃO!

 

Somos um país que usufrui de um prestígio visível no estrangeiro, ou mesmo na União Europeia, da qual fazemos parte? NÃO!

 

Há liberdade de expressão? NÃO!

 

Então o que mudou?

 

Mudaram os homens. O Regime continua o mesmo: absolutista (como na Monarquia) e ditatorial (como nos anos em que governou Salazar), apenas com a diferença de que agora o povo vota, mas os votados não querem saber do povo, e o povo ficou viciado e não sabe fazer outra coisa senão votar nos mesmos.

 

Andamos todos a apertar o cinto devido à má governação dos Ministros, dos Administradores, dos Gestores, dos Chefes, dos Directores, dos Gerentes, que são às manadas por esse país fora. Há mais chefes do que pessoas para chefiar.

 

Eu, pessoalmente, não tenho motivo nenhum para comemorar os Cem Anos da República.

 

Não foi a Monarquia que me tirou o trabalho, por questões políticas, em pleno ano de 1999, ano em que já não havia Rei, mas também não havia Roque, nem Salazar.

 

Apenas havia e há uma República (que no sentido figurado é uma casa onde não há ordem, nem disciplina) muito, mas muito “Democrática”!

  

 

Origem da imagem:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Implanta%C3%A7%C3%A3o_da_Rep%C3%BAblica_Portuguesa

publicado por Isabel A. Ferreira às 19:20

link do post | Comentar | Ver comentários (2) | Adicionar aos favoritos

Mais sobre mim

Pesquisar neste blog

 

Outubro 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
14
15
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

Posts recentes

TREZE MEDIDAS QUE PODERÃO...

QUANDO NÃO HOUVER MAIS FR...

NOVA CARTA ABERTA A MARCE...

«ADULTERAÇÃO, NO BRASIL, ...

AFICIONADO DIZ QUE CORTA...

RESPOSTA DO PROVEDOR DO T...

PORTUGAL A ARDER NO FOGO ...

CARTA ABERTA A GONÇALO RE...

AS CRIANÇAS E OS ANIMAIS ...

A NATUREZA TEM RAZÕES QUE...

Arquivos

Outubro 2017

Setembro 2017

Agosto 2017

Julho 2017

Junho 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Direitos

© Todos os direitos reservados
RSS

ACORDO ORTOGRÁFICO

EM DEFESA DA LÍNGUA PORTUGUESA, A AUTORA DESTE BLOGUE NÃO ADOPTA O “ACORDO ORTOGRÁFICO” DE 1990, DEVIDO A ESTE SER INCONSTITUCIONAL, LINGUISTICAMENTE INCONSISTENTE, ESTRUTURALMENTE INCONGRUENTE, PARA ALÉM DE, COMPROVADAMENTE, SER CAUSA DE UMA CRESCENTE E PERNICIOSA ILITERACIA EM PUBLICAÇÕES OFICIAIS E PRIVADAS, NAS ESCOLAS, NOS ÓRGÃOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL, NA POPULAÇÃO EM GERAL E ESTAR A CRIAR UMA GERAÇÃO DE ANALFABETOS.

BLOGUES

O Lugar da Língua Portuguesahttps://blogcontraatauromaquia.wordpress.comhttp://mgranti-touradas.blogspot.pt/https://protouro.wordpress.comhttps://protouro.wordpress.comhttp://animasentiens.com/http://www.matportugal.blogspot.pt

CONTACTO

isabelferreira@net.sapo.pt