Quarta-feira, 29 de Setembro de 2010

UMA EXTRAORDINÁRIA DEFESA DOS VALORES HUMANOS

 

 

 

Carta aberta de Ernesto Barroso ao Dr. Moita Flores

 

Exmo. Sr. Dr. Francisco Moita Flores:

 

Chamo-me Ernesto Barroso. Não sou escritor (sou um simples e anónimo empregado de escritório de uma firma de seguros). Tenho dois filhos e não tenho netos. Não sou presidente seja do que for, nem escritor, nem autor de enredos de telenovela. Nem inspector da judiciária ou de qualquer outro órgão de defesa nacional. Sou um simples e anónimo português, defensor da extinção das touradas e…não lhe admito que julgue que tem o direito de me chamar analfabeto!

 

Relativamente ao seu comunicado de 05.09.2010, referente à iniciativa da Frente de Acção Pró Taurina, e na qualidade de um que defende a extinção deste tipo de espectáculo que, toda a gente minimamente civilizada deste mundo, compreende que os animais são sujeitos a sofrimento desumano – infligido por…humanos; Venho apresentar resposta a alguns considerandos que V. Exa. faz, tanto ao que se refere à acção das touradas em si, como contra aqueles que, pela sua consciência – e livres de o fazer, por viverem num país democrático – defendem a extinção das touradas.

 

 A determinado espaço da sua prosa, invoca “O touro bravo (bravo porquê se é criado em ganadarias – locais vedados e dirigidos pelos granadeiros?), fera negra, símbolo da morte (que lhe é infligida pelo Homem…seja porque razão for, não é justificação para que lhe sejam infligidos ferimentos em espectáculos onde a cambada ri e se diverte com o sofrimento do animal) e do medo (porquê? Desde quando um animal que é deixado em paz no seu habitat é ameaça para as pessoas?) olhava-nos arrogante e valente.”(arrogante? Porque será? Porque o “bicho acha que é mais que os outros seres vivos? Ou porque é confinado a um espaço físico, onde é criado às custas das venturas e desventuras dos seus criadores, à mercê das suas disposições ou indisposições? Quem é o arrogante nesta história?) e valente…sim, valente, a tentar defender a sua vida e o seu espaço, como qualquer outro animal faz e tem o direito de o fazer quando atacado, até o próprio homem, como V. Exa. decerto faria se acaso V. Exa. ou a sua família estivesse em perigo. A arrogância e a bravura de um animal justificam as touradas? O facto de haver ganadarias onde se cria gado, justifica um espectáculo onde se persegue e fere um animal…por representar arrogância e bravura? Então quem é mais arrogante? O touro ou quem o leva para um espectáculo para mostrar que é tão ou mais valente que o “bicho”?

 

V. Exa. escreve “Numa arena, em cada combate, vence a vida ou vence a morte. Não há meio-termo. Esta dimensão trágica do simbólico enredo taurino está presente em todas as manifestações populares, nomeadamente, nas largadas, que arrebatam milhões de entusiastas que procuram apostar a vida, nem que seja numa corrida medrosa com o touro a quinhentos metros de distância…” O que V. Exa. se esqueceu de acrescentar foi que numa corrida de touros, o animal está encurralado dentro de uma arena, onde é desafiado a combater (não é por vontade própria), rodeado de animais (humanos) que dão largas aos seus stresses e aos desesperos da vida, gritando e aplaudindo alguém que se quer mostrar valente ao ponto de enfrentar… uma fera - domesticada e criada em cativeiro).

 

O que V. Exa. se esqueceu de acrescentar é que a morte de que fala neste ponto é, invariavelmente, a do touro. Porque, quer ele consiga ripostar, ou não; quer consiga ferir ou matar algum dos seus antagonistas, acaba sempre em postas, depois do espectáculo porque, como dizem as pessoas da faena, um animal lidado não pode voltar a sê-lo porque acaba por apanhar as manhas do adversário e torna-se…perigoso (esta do torna-se perigoso é de gritos, vindo de alguém que vive às custas do sofrimento do touro). E, desde quando “Esta dimensão trágica do simbólico enredo taurino está presente em todas as manifestações populares” Todas? O circo; o futebol; os espectáculos de música; teatro; dança, também Sr. Dr? Afinal de contas quem é o analfabeto?

 

Um pouco mais à frente V. Exa. indica que “as culturas urbanas radicais desprezam os campos e desprezam os seus costumes, gostos, atitudes psico-afectivas.” Como se quem vive no e do campo tenha que, obrigatoriamente ser criador de touros ou gostar e/ou defender as touradas…caso contrário ainda é considerado um radical, membro de uma qualquer Al-Qaeda da agricultura pró-vida activa. E apelida de “Culturas, ou microculturas radicais…” a quem defende o fim das touradas. Ou seja, de uma forma pomposa e de prosa fácil (normal para um escritor) V. Exa. quer dizer que quem é contra aquilo que V. Exa. defende (quem defende a vida em oposição á morte; que defende a extinção de um espectáculo que inflige sofrimento e dor) é um radical. Então, eu considero que V. Exa. e todos aqueles que defendem o seu ponto de vista são radicais e extremistas, porque defendem a morte e o sofrimento, tal como qualquer outro grupo radical deste mundo, que defende que o fim a que se propõe justifica os actos, mesmo que esses actos signifiquem dor e morte – tal como extremistas islâmicos ou radicais Espanhóis e/ou Irlandeses bem conhecidos da opinião pública. A única diferença entre V. Exa. e os seus apoiantes, é a que os vossos actos são permitidos e ainda por cima motivo para espectáculo, tal como acontecia na idade média quando os criminosos eram motivo de reunião dos seus concidadãos, para assistirem à execução da pena – tal como os touros, alguns desses supostos criminosos, por vezes, eram tão, ou menos, criminosos, do que aqueles que ditavam as penas e aplicavam as sentenças – assim como aqueles que, actualmente, ditam a sorte dos touros que são lidados nas arenas.

 

Mais à frente V. Exa. refere-se àqueles que defendem a extinção das touradas como “Limpando a hipocrisia, a nenhum interessa os direitos dos animais, nem os direitos dos homens. Gritam o folclore politicamente correcto e giro!” É engraçado que em todo o texto que V. Exa. escreve, justifica a sua posição como defensor de um direito (o de matar outro ser vivo) por parte daqueles que são considerados o topo da cadeia alimentar, pelo simples facto de se tratar de cultura (?) e depois vem dizer que são os seus antagonistas (neste caso) que fazem o folclore. É engraçado que V. Exa. nunca se refere ao facto de estar a defender as touradas, por ser o Pres. da Câmara de uma edilidade que em 12.07.2010 reuniu 12 mil espectadores numa arena, para ver lidar touros, resultando daqui uma entrada de capital assinalável relativamente aos bilhetes vendidos para o espectáculo.

 

É engraçado que V. Exa. não faz referência ao facto de ser o Pres. da Câmara de um edilidade que, de acordo com pesquisa na Internet tem 10 (entre 36 - quase 50%) empresas de abate de animais em Portugal. Diga-nos Sr. Presidente da Câmara. Quem é que está aqui a ser politicamente correcto? Quem defende a extinção de um espectáculo que representa a falência de empresas registadas na edilidade a que V. Exas. preside? Ou quem vem, ao abrigo da cultura e tradição, justificar um espectáculo de dor; sofrimento e; morte, por causa dos dividendos económicos, sociais e políticos que daí advêm?

 

V. Exa. indica ainda que “Apenas contra a pretensa violência contra os touros bravos - (lá está V. Exa. outra vez com o bravo) - nem pelo outro argumento comodista e repetido de que não são contra o abate dos animais mas sim contra o espectáculo que, no caso português, nem os abate.” Então e Barrancos? E Monsaraz? Então e o que acontece com os touros depois de lidados? São devolvidos aos pastos para se reformarem, em paz e sossego querem lá ver? Um animal que foi acossado; picado, maltratado pelo Homem é libertado para depois sempre que vir um desses homens o atacar não? Não admira que V. Exa. considere que os defensores da extinção das touradas são analfabetos. “Maior hipocrisia não existe”, escreve V. Exa. logo de seguida. Realmente é verdade…da sua parte. “… já não há paciência para ser insultado por uma horda de analfabetos.” Escreve V. Exa. quase de imediato. Quem é que V. Exa. julga que é? Porque é ex-inspector da judiciária? Tenho um amigo que também o é. Porque se diz escritor? Eu também conheço quem escreve e leio livros. Por escrever enredos de telenovela? Tirando talvez as touradas é do piorzinho que se pode assistir numa televisão.

 

Por ser Presidente de uma Câmara, de um Concelho onde a vida e a morte dos animais está intimamente ligada à subsistência dos seus munícipes e à realização de espectáculos de sofrimento e morte? Julga-se no direito de ofender quem se opõe às suas convicções? E depois vem chamar aos seus antagonistas de radicais? Então o que é que o Sr. é? Um pacífico defensor do sofrimento; dor e…morte de animais. E todos os que são contra, são radicais e analfabetos. Não é assim? Já que estamos numa de analfabetos, recomendo a V. Exa. a visualização de http//anvetem.blogspot.com/2009/05/mvm-santarém.sessenta-cabeças-de-gado.htgl e da edição noticiosa da SIC de 13.09.2010, nomeadamente da notícia sobre touros de morte no castelo de Monsaraz. Favor notar a paixão e fervor quase religioso da “inteligente” que foi entrevistada, ao dizer “É tão bonito ver o touro matar” referindo-se à morte do touro. Se é este o tipo de gente que V. Exa. admira – que defende as touradas e a morte dos touros – então tenha V. Exa. todo o prazer em ficar rodeado por este tipo de pessoas inteligentes, enquanto nós, os analfabetos defensores da extinção das touradas, ficamos com a nossa falta de estudos e estupidez natural.

 

V. Exa. indica ainda “E sei que o combate passa por afirmar a defesa dos símbolos, dos valores, dos ritos, das cargas simbólicas que consolidam a nossa secular matriz identitária. E esse combate, feito de muitas frentes de luta, tem numa delas os “talibãs” que em nome dos direitos dos animais procuram destruir os animais, a economia que os sustenta e os animais sustentam, além da cultura a eles imanentes.”

 

V. Exa. deve mesmo pensar que o povo português é uma cambada de analfabetos, capazes de engolir prosa fácil e repleta de terminologia própria de escritor. Ó Sr. Pres. da Câmara. Então os talibãs não são aqueles que cometem atentados…contra os humanos? Então a economia toma conta dos animais? E de que forma não é Sr. Escritor? Dá-lhes vida, cria-os, e depois abate-os ou manda-os para dentro de uma arena para serem sujeitos a um espectáculo de sofrimento e morte. E também lhes “trata da saúde”, não é? E de que maneira. Uma secular matriz identitária? Sim. Claro. Também as feiras e romarias que não têm corridas de touros o são e não necessitam das touradas para sobreviverem. Também os espectáculos desportivos; musicais; de teatro, de dança, são um símbolo da identidade de um povo. E não resistem sempre aos tempos e às mudanças de hábitos das pessoas, para continuarem a existir, sem a necessidade de mostrarem sofrimento; dor e…morte.

 

Finalmente V. Exa. termina com um convite à associação daqueles que querem “…definitivamente mostrar ao país que não nos submetemos à ditadura do “hamburger” urbano (não precisava de entrar neste pormenor – quem lê o seu texto, vê de imediato que V. Exa. gosta é de “bife”, ainda que o mesmo venha do corpo de um animal que foi maltratado numa arena, antes de ser abatido). A propósito, muitos (talvez a maioria) dos defensores da extinção das touradas são vegetarianos e, um dos inimigos “figadais” (espero que tenha apreciado esta alusão ao fígado dentro do contexto de luta – tem que admitir que tem um certo ar de escritor de novelas, mesmo que baratas) deles são as firmas de hambúrgueres, como a Mcdonald por exemplo. V. Exa. continua “…Sem intolerância” (para quem apelida de horda de analfabetos aqueles que são contrários às suas convicções, até nem está nada mal não é Sr. ex inspector da judiciária), “em nome da liberdade” (esqueceu-se de acrescentar que isto significa matar publicamente sem ser preso por isso, nem pagar imposto – mas se for apanhado a urinar na via pública apanha por tabela) “…mas também em nome dos direitos naturais sagrados que nos tornaram portugueses” (Ah. Então é um direito natural e SAGRADO matar. Bolas e eu que pensava que as religiões defendiam o amor e a concórdia. Caraças. Começo a pensar que V. Exa. tem toda a razão. Eu devo ser mesmo um analfabeto – “que nos tornaram portugueses”, e eu que não sabia que o direito sagrado de matar animais é que define a minha condição de ser português. Raios partam isto Dr. Moita Flores, vou já começar pelo gato da minha vizinha – o sacana do bicho de vez em quando não me deixa dormir e, se isso faz de mim mais português do que os outros, vou já tratar-lhe da saúde).

 

Dr. Moita Flores. O facto de o Sr. ser tudo aquilo que muito pomposamente faz questão de mostrar no seu texto referente à Acção Pró Taurina, não lhe dá o direito de chamar analfabeto a quem defende o contrário daquilo que são as suas convicções. Assim como o facto de V. Exa. ser presidente da câmara municipal de um concelho cuja economia está bastante assente na criação; comercialização; e abate de animais, não me dá o direito de o apelidar de assassino sem escrúpulos, por defender espectáculos de sofrimento e morte, com a intenção de defender a economia do povo que o escolheu.

 

Assim sendo, convido-o a colocar-se mais na pele do animal – a besta – de que defende o sofrimento em praça pública, e a morte. V. Exa. acha que o animal não tem sentimentos? V. Exa. considera uma visão natural e aceitável um touro ensanguentado e espetado por bandarilhas a ser perseguido continuamente num redondel, com gritos e apupos da populaça, sedenta de sangue? V. Exa. considera isto um direito cultural e identificativo do Ser Português? Experimente V. Exa. um dia ser espetado por bandarilhas e depois perseguido numa arena até ficar sem forças e sem sangue. Depois venha explicar ao povo o que é que isto tem a ver com ser português. (Eu, de boa vontade me volutario para ser o que lhe espeta as bandarilhas). E considera-se V. Exa. um ser inteligente? Nem todos os graus de doutoramento do mundo; nem todos os cargos políticos ou sociais do país; nem todas as retóricas que V. Exa. escreveu ou venha a escrever o impedem de ser considerado pelos seus concidadãos e pela sua raça como alguém que defende o sofrimento; a dor e…a morte, em nome de uma economia – essa sim cada vez mais da cultura do “hamburger” urbano, ávida de sangue de quem quer que seja, considerando que os dividendos justificam os meios e os actos CRIMINOSOS que potenciam os fins.

 

Portimão, 2010-09-21

 

Ernesto Barroso (orgulhoso analfabeto português)

publicado por Isabel A. Ferreira às 19:08

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Sexta-feira, 24 de Setembro de 2010

«GUAICAIPURO CUATEMOC COBRA DÍVIDA DA EUROPA»

 

 

 

Monumento ao Cacique Guaicaipuro no ponto mais alto da cidade dos Teques (Venezuela)

 

 

 

MONUMENTAL LIÇÃO DE HISTÓRIA!

 

O texto que a seguir é reproduzido é uma obra de ficção, mas o seu conteúdo é de certa forma actual e merece ser lido e divulgado. O chefe Guaicaipuro existiu há pouco menos de quinhentos anos. “Cuatemoc” foi incluído pelo autor do texto, Luis Britto García*, que o publicou a 6 de Outubro de 2003, para marcar o Dia da Resistência Indígena (que se comemora a 12 de Outubro), sob o título de: “Guaicaipuro Cuatemoc cobra Dívida da Europa”.

 

Abandonemos, ainda que por momentos, o preconceito que se instalou nas nossas cabeças, em consequência da maneira como nos foi ensinada a História, e apreciemos este discurso, feito pelo embaixador Guaicaípuro Cuatemoc, de ascendência indígena, sobre o pagamento da dívida externa do seu país, o México, e que embasbacou os principais chefes de Estado da Comunidade Europeia.

 

A Conferência dos Chefes de Estado da União Europeia, Mercosul e Caribe, em Madrid, viveu um momento revelador e surpreendente: os Chefes de Estado europeus ouviram perplexos e calados, este discurso irónico, cáustico e historicamente exacto.

 

DISCURSO DO EMBAIXADOR MEXICANO

 

 «Aqui estou eu, descendente dos que povoaram a América há 40 mil anos, para encontrar os que a "descobriram" há 500... O irmão europeu da alfândega pediu-me um papel escrito, um visto, para poder descobrir os que me descobriram. O irmão financeiro europeu pede ao meu país o pagamento, com juros, de uma dívida contraída por Judas, a quem nunca autorizei que me vendesse. Outro irmão europeu explica-me que toda a dívida se paga com juros, mesmo que para isso sejam vendidos seres humanos e países inteiros, sem lhes pedir consentimento. Eu também posso reclamar pagamento e juros.

 

Consta no "Arquivo da Companhia das Índias Ocidentais" que, somente entre os anos de 1503 a 1660, chegaram a São Lucas de Barrameda 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata provenientes da América. Teria aquilo sido um saque? Não acredito, porque seria pensar que os irmãos cristãos faltaram ao sétimo mandamento!

 

Teria sido espoliação? Guarda-me Tanatzin de me convencer que os europeus, como Caim, matam e negam o sangue do irmão.

 

Teria sido genocídio? Isso seria dar crédito aos caluniadores, como Bartolomeu de Las Casas ou Arturo Uslar Pietri, que afirmam que a arrancada do capitalismo e a actual civilização europeia se devem à inundação dos metais preciosos tirados das Américas.

 

Não, esses 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata foram o primeiro de tantos empréstimos amigáveis da América destinados ao desenvolvimento da Europa. O contrário disso seria presumir a existência de crimes de guerra, o que daria direito a exigir não apenas a devolução, mas uma indemnização por perdas e danos.

 

Prefiro pensar na hipótese menos ofensiva.

 

Tão fabulosa exportação de capitais não foi mais do que o início de um plano "MARSHALL MONTEZUMA", para garantir a reconstrução da Europa arruinada pelas suas deploráveis guerras contra os muçulmanos, criadores da álgebra e de outras conquistas da civilização.

Para celebrar o quinto centenário desse empréstimo, podemos perguntar: Os irmãos europeus fizeram uso racional responsável ou pelo menos produtivo desses fundos?

 

Não. No aspecto estratégico, delapidaram-nos nas batalhas de Lepanto, em navios invencíveis, em terceiros reichs e várias outras formas de extermínio mútuo.

No aspecto financeiro, foram incapazes – depois de uma moratória de 500 anos – tanto de amortizar capital e juros, como de se tornarem independentes das rendas líquidas, das matérias-primas e da energia barata que lhes exporta e provê todo o Terceiro Mundo.

 

Este quadro corrobora a afirmação de Milton Friedman, segundo a qual uma economia subsidiada jamais pode funcionar, o que nos obriga a reclamar-lhes, para seu próprio bem, o pagamento do capital e dos juros que, tão generosamente, temos demorado todos estes séculos para cobrar.

 

Ao dizer isto, esclarecemos que não nos rebaixaremos a cobrar dos nossos irmãos europeus, as mesmas vis e sanguinárias taxas de 20% e até 30% de juros ao ano que os irmãos europeus cobram dos povos do Terceiro Mundo.

 

Limitar-nos-emos a exigir a devolução dos metais preciosos, acrescida de um módico juro de 10%, acumulado apenas durante os últimos 300 anos, concedendo-lhes 200 anos de bónus. Feitas as contas, a partir desta base e aplicando a fórmula europeia de juros compostos, concluímos, e disso informamos os nossos descobridores, que nos devem não os 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata, mas aqueles valores elevados à potência de 300, número para cuja expressão total será necessário expandir o planeta Terra.

 

Muito peso em ouro e prata... quanto pesariam se calculados em sangue?

Admitir que a Europa, em meio milénio, não conseguiu gerar riquezas suficientes para estes módicos juros, seria admitir o seu absoluto fracasso financeiro e a demência e irracionalidade dos conceitos capitalistas.

 

Tais questões metafísicas, desde já, não nos inquietam a nós, índios da América. Porém, exigimos a assinatura de uma carta de intenções que enquadre os povos devedores do Velho Continente na obrigação do pagamento da dívida, sob pena de privatização ou conversão da Europa, de forma tal, que seja possível um processo de entrega de terras, como primeira prestação de dívida histórica...».

 

***

 

(Quando terminou o discurso diante dos chefes de Estado da Comunidade Europeia, Guaicaipuro Guatemoc não sabia que estava a expor uma tese de Direito Internacional, para determinar a verdadeira Dívida Externa...)

 

 

 

* Luis Britto García (Caracas, 1940).

 

Escritor venezuelano. A sua obra de ficção, formalmente experimental, elabora uma crítica sobre a situação política e social de seu país («Rajatabla», 1970; «Abrapalabra», 1980; «La orgía imaginaria», 1983). Também tem se dedicado a ensaios, entre os quais: «El imperio contracultural: del rock a la posmodernidad» (1991)». Premio Casa de las Américas, em 1970, e Premio Nacional de Literatura, em 1980.

 

 

(Texto que me foi enviado por e-mail).

 

Web site das imagens:

radiomundial.com.ve

http://pt.wikilingue.com/es/Guaicaipuro

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:18

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Terça-feira, 21 de Setembro de 2010

IDEIAS, IDEAIS E IDEOLOGIAS...

 

Vou andando por aí em busca de um lugar onde possa sentar-me. Talvez à beira de um riacho, para ouvir o burburinho das suas águas límpidas e calmas, que me acalmam...

 

 

Nunca digo “não sei”, quando posso dizer “vou tentar saber”

 

 Ideias, ideais e ideologias, cada um com as suas.

 

 A não ser que te destruam o cérebro ou sejas cremado e as tuas cinzas lançadas aos ventos, o teu pensamento e o espaço ocupado pelo teu corpo, no Universo, são os únicos bens verdadeiramente só teus. De ninguém mais.

 

 Isto é uma das minhas ideias. Tu podes ter outra ideia.

 

Vou andando por aí em busca de um lugar onde possa sentar-me. Talvez à beira de um riacho, para ouvir o burburinho das suas águas límpidas e calmas, que me acalmam, e à hora em que o Sol, já cansado de me olhar, se afundar no oceano, trocar algumas impressões sobre a natureza das coisas, com o sábio mocho.

 

Este é um dos meus ideais. Tu podes ter outro ideal, tão válido quanto o meu.

 

Vou andando por aí e vou pensando... Que mais poderei fazer? Tantas coisas!... Não sou rei, não sou súbdito. Não sou pobre, nem sou rico. Não mando, também não desmando. Tenho ideias. Tenho ideais. Não sou pau, nem pedra. Nem cera que se derrete. Sou um simples ser humano. Respeito o meu semelhante. Considero de igual modo os meus irmãos animais, as minhas irmãs plantas. O ar, a água, a terra. Até as pedras dos caminhos.

 

Faço versos às águas do mar. Finjo que canto com as sereias, em noites de lua cheia, porque dou valor ao sonho.

 

Mas grito a minha indignação, quando tenho de gritar.

 

Choro, quando tenho de chorar.

 

Gosto de aprender. Nunca digo “não sei”, quando posso dizer “vou tentar saber”, uma vez que, deste modo, cresço, na minha própria consideração.

 

Abomino a violência, a covardia, a maldade, a tortura, o ódio, a inveja, a injustiça, a vingança, a raiva. Para mim, coisas menores, de seres ainda menores.

 

Não faço a guerra, simplesmente porque prezo a minha liberdade.

 

Sou corpo. Sou também espírito. E embora talvez não te interesse, Cristo, Buda, Confúcio, Maomé fazem parte do meu mundo. Uso a rosa amarela como símbolo da minha espiritualidade. Gosto de sonhar e de brincar à maneira das crianças. Conheço o valor da amizade. Tenho um rato, uma cadela, um gato e três pequenas gatas entre os meus maiores amigos.

 

Venero os valores humanos, mas as leis dos homens nada me dizem. A minha lei é a Lei Natural. Além disso, não fui eu quem inventou a política.Esta é a minha ideologia. A tua ideologia é outra?

 

Óptimo! Eu sei ser tolerante. Aceitá-la-ei com todo o respeito que te devo.

 Afinal, desprezo apenas a malvadez dos que são apenas “omens”.

 

 in «MANUAL DE CIVILIDADE»

Texto e foto © Isabel A. Ferreira

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:38

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Quinta-feira, 16 de Setembro de 2010

CARTA ABERTA A FRANCISCO MOITA FLORES

 

 

 

Conheci-o um dia, na Póvoa de Varzim. Foi à Cooperativa «A Filantrópica», na sua qualidade de Polícia, falar sobre a Droga e as suas consequências.

 

Tivemos, os dois, uma conversa interessante, profunda, acerca do sofrimento dos pais de toxicodependentes, os quais preferem vê-los mortos-mortos do que mortos-vivos. E isso feria a sua alma de homem-polícia.

Começou aí a minha admiração pelo Dr. Moita Flores. Nessa noite conheci um homem sensível. Coisa rara nos tempos que corriam (e ainda correm).

 

Depois vieram os filmes na TV, dos quais gostei muito. Vieram os livros, bem escritos. E a minha admiração continuou intacta.

 

Até ao dia 25 de Agosto de 2010, quando o Dr. Moita Flores divulga uma Petição a favor do «Massacre de Touros». Muito bem escrita, aliás. Um apelo brilhante ao que chama os “Direitos da Terra”. Quase convence as pedras dos caminhos campestres, bordejados de flores amarelas, que os seus pés pisaram na infância.

 

Quase.

 

Mas não convence. Sabe porquê?

 

Porque o que lhe interessa não é defender o «Massacre de Touros» a que chama Festa Brava, nem sequer o respeito pelos Direitos do Homem casados e em sintonia com os Direitos da Terra. Linda, esta frase. Gostei.

O que o Dr. Moita Flores defende é pura e simplesmente isto: uma “Festa” dita brava, em que um mamífero superior, que possui sistema nervoso central, tal como o Dr. Moita Flores, é massacrado até quase virar um picado de carne a sangrar por todos os buracos que lhe fazem quando lhe espetam as farpas.

 

Quando diz que defende «os valores da Terra, da Vida e dos ritos exorcizadores da Morte, em defesa dos animais, dos touros, dos cavalos, dos pastores e dos campinos, da economia agrícola e animal associada à Festa e ao espectáculo, em nome do PROGRESSO com Memória, em nome do DESENVOLVIMENTO sem perder o sentido da História», está a querer enganar quem?

 

Defender os valores da Terra, da Vida dos ritos exorcizadores da morte? Da morte de quem? Da sua, Dr. Moita Flores, ou da do Touro?

 

Em defesa dos animais, dos touros, dos cavalos, quando estes são sangrados lentamente, durante umas duas horas, impiedosamente, numa arena, cheia de criaturas a babarem-se diante do sangue desses mesmos animais?

 

Defender pastores, campinos? A quem quer enganar?

 

Da economia agrícola e animal associada à Festa e ao espectáculo, em nome do PROGRESSO com Memória, em nome do DESENVOLVIMENTO sem perder o sentido da História?

 

 

 

 

 

O que é isto?! Está a querer fazer do povo Português parvo?

 

Fale-me antes na DEFESA dos lobbies poderosos dos ganadeiros e de outros, à custa da tortura e do massacre de animais magníficos. Isso sim.

 

O Dr. Moita Flores perdeu toda a sua razão quando diz: «Cheguei à idade onde já não há paciência para ser insultado por uma horda de analfabetos».

 

Horda de analfabetos. Nós? Os que defendemos a VIDA, a CULTURA CULTA, a CIVILIZAÇÃO?

 

«Cheguei à idade da tolerância mas também ao tempo onde, mais do que nunca, acredito que só é possível salvar os Direitos do Homem se com eles salvarmos os Direitos da Terra».

 

Outra bela frase, para constar nos seus romances.

 

Quem pretende enganar com os Direitos do Homem e da Terra?

 

Nós estamos a falar de DIREITOS DOS ANIMAIS.

 

Já viu bem o que pede que assinem na sua petição? Vou repetir: «Convido-vos a todos. Aos meus irmãos homens, às minhas irmãs mulheres, que afirmem por este abaixo-assinado fora, este combate pela CIDADANIA e pelos DIREITOS DA TERRA para que ninguém se amedronte perante a gritaria histérica de alguns.

 

CIDADANIA? Qual? A do direito a torturar um animal?

 

DIREITOS DA TERRA? Quais? Os direitos da terra beber o sangue derramado pelos Touros e pelos Cavalos quando estão a ser massacrados?

 

Quem são os histéricos aqui?

 

São os que gritam «BASTA DE MASSACRAR ANIMAIS», ou os que gritam “OLÉS” quando uma farpa fura o corpo do Touro e um jorro de sangue lhe escorre pelas costas, e mancha a terra que há-de “beber” esse sangue?

Veja a incongruência das suas palavras: «E fazem abaixo assinados, procurando destruir sem compreender, protestar quando a verdadeira essência do seu protesto são as suas PRÓPRIAS CONSCIÊNCIAS.

 

Que consciências? Não somos nós que massacramos animais. As nossas consciências estão tranquilas. A sua não está?

 

E diz mais o Dr. Moita Flores: «Nem é o sofrimento do animal, como eles dizem, que os move. Pois se o fosse, estariam aos gritos em todos os locais em que se “fabricam”com hormonas, frangos, vacas, ovelhas para alimentar a cidade. Estariam às portas dos grandes matadouros escutando os urros de milhares de animais que adivinham o cheiro da morte. Estariam nas barricadas contra as guerras que matam homens e crianças, na linha da frente da luta pelo renascimento do campo e das culturas rurais, na linha da frente contra a violência doméstica.»

 

Anda cego e surdo o Dr. Moita Flores? Só lê e vê o que lhe interessa? Quem luta pela abolição do «Massacre de Touros», luta igualmente por todas as formas de tortura praticada contra seres humanos e seres não humanos também. Só não vê quem não quer ver. Só não sabe quem não quer saber.

 

E em seguida o Dr. Moita Flores diz esta barbaridade: «Não! Nada disto. Apenas (são) contra a PRETENSA violência contra os touros bravos. Nem pelo outro argumento comodista e repetido de que não são contra o abate dos animais mas sim contra o espectáculo que, no caso português, nem os abate. Maior hipocrisia não existe. Nem paciência para discutir a fé de angustiados.»

 

PRETENSA, Dr. Moita Flores? Esburacar um animal com farpas até o fazer sangrar é “pretensa violência”?

Pois quanto ao abate, do mal, o menos. Nesse aspecto os espanhóis são mais “humanos”, abatem logo o Touro na arena, e não o deixam em sofrimento atroz dias seguidos.

 

Os hipócritas aqui quem são, Dr. Moita Flores? Pretende chamar “água” ao sangue derramado do Touro?

Fé de angustiados, Dr. Moita Flores? Linda frase, para constar nos autos de fé, dos “outros que tais”, em outros tempos.

 

E agora vem o mais inconcebível: «É a minha crença profunda. E sei que o combate passa por afirmar a defesa dos símbolos, dos valores, dos ritos, das cargas simbólicas que consolidaram a nossa secular matriz identitária.»

 

Símbolos? Valores? Ritos (medievais)? Matriz identitária? Por quem é Doutor! Portugal não precisa de se identificar com a barbárie. Já lhe basta a incompetência dos governantes.

 

E esta então é hilariante: «E esse combate feito de muitas frentes de luta, tem numa delas os ‘talibãs’ que em nome dos direitos dos animais procuram destruir os animais, a economia que os sustenta e os animais sustentam, além da cultura a eles imanentes».

 

Talibans? Então saberei quem me chamou “taliban”, escondido sob um pseudónimo, no meu blog?

 

Em nome dos animais procuram destruir os animais? Iliteracia pura.

 

Já a economia que sustenta uns tantos à custa do Massacre de Touros, aí fale-me disso. A abolição desta tortura vai mexer nos bolsos de muita gente, que os tem a abarrotar com dinheiro manchado de sangue.

Cultura a eles imanentes? Que cultura? A Cultura da Morte?

 

DESILUDIU-ME COMPLETAMENTE, Dr. Moita Flores.

 

Sei que está-se nas tintas para a minha consideração, bem como eu estou-me nas tintas por me chamarem “taliban”. Direi como D. Manuel Martins, antigo Bispo de Setúbal, a quem um dia ouvi referir: «se ser comunista é defender os direitos dos mais necessitados, então eu sou comunista».

 

Se ser taliban é defender os DIREITOS DE TODOS OS ANIMAIS HUMANOS E NÃO HUMANOS, então eu sou TALIBAN.

 

Com muito gosto.

Isabel A. Ferreira

16 de Setembro de 2010

 

Web site da imagem: mgranti-touradas.blogspot.com

 

Web site da imagem de Moita Flores: estig.ipbeja.pt

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:04

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Quarta-feira, 8 de Setembro de 2010

«ÉTICA E TOURADAS»

 

 

 

 

 

Um excelente artigo de António Maria Pereira que vem corroborar tudo o que tenho defendido, neste blogue, acerca do assunto.

 

Quem um dia aqui escreveu, algures, a propósito de um texto meu a defender o TOURO, que eu era «pior que um taliban», aqui tem a minha “defesa”.

 

 

Por António Maria Pereira

 

 

O Boletim da Ordem dos Advogados, dando largas a uma surpreendente "aficion", publicou no seu último número quatro artigos sobre tauromaquia em que, com excepção do primeiro, da autoria de Silvério Rocha Cunha, que é imparcial, os três restantes, escritos por óbvios aficionados, procuram esforçadamente justificar a festa brava. Mas o entusiasmo do Boletim pelo espectáculo de touros é tal que foi ao ponto de acolher nas suas páginas um panegírico da tourada da autoria de um conhecido aficionado cuja profissão é de médico veterinário (!).

 

O elogio da festa brava num boletim da Ordem dos Advogados parece-me totalmente deslocado e desqualifica a revista. O Boletim fez-se para debater assuntos que possam interessar os advogados mas nunca para apoiar o lobby dos touros num debate que divide a sociedade portuguesa mas que não interessa particularmente aos advogados (com excepção de alguns aspectos jurídicos que praticamente não foram abordados).

 

De qualquer modo, para que não fiquem sem resposta os principais argumentos dos aficionados, vou tentar comentá-los nas linhas que se seguem.

 

O movimento universal de protecção dos animais corresponde a uma exigência ética e cultural universal, consagrada na Declaração Universal dos Direitos do Animal (1978), em numerosas convenções internacionais e em centenas de leis, incluindo leis constitucionais, dos países mais adiantados.

 

Nas suas diversas formulações todos esses diplomas têm um denominador comum: a preocupação com o bem-estar dos animais envolvendo antes de mais, a condenação de todos os actos de crueldade; mas além dessa preocupação, um número cada vez maior de correntes zoófilas defende o reconhecimento aos animais de autênticos direitos subjectivos.

 

O debate sobre esses temas, iniciado aquando do arranque da era industrial, na segunda metade do séc. XIX, ampliou-se a partir da criação, após a última grande guerra, das grandes instituições europeias e mundiais (Conselho da Europa, União Europeia e UNESCO) e actualmente trava-se em várias universidades onde se ministram cursos sobre os direitos dos animais (é o caso das Universidade de Harvard, Duke e Georgetown nos Estados Unidos e de Cambridge, na Inglaterra). Numerosos e qualificados autores têm intervindo nesse debate, iniciado com as obras pioneiras dos já clássicos Tom Reagan e Peter Singer. Em Portugal a discussão tem decorrido sobretudo na Faculdade de Direito de Lisboa graças designadamente aos contributos de António Menezes Cordeiro e Fernando Araújo e ainda nas Faculdades de Direito da Universidade Nova de Lisboa e da Universidade de Coimbra. Como nota Fernando Araújo em A Hora dos Direitos dos Animais, a bibliografia sobre este tema compreende actualmente cerca de 600 títulos (!).

 

Não se trata, portanto, de um assunto esotérico cultivado por uns tantos iluminados vegetarianos mas sim — tal como os direitos do homem — de uma componente muito importante da cultura ocidental; a tal ponto que a obrigação para os Estados da União Europeia, de garantirem o bem-estar animal está hoje formalmente consagrado em protocolo vinculativo anexo ao Tratado de Amesterdão.

 

Não há tempo, neste artigo, que tem como tema as touradas, para entrar no debate sobre os direitos dos animais. Partamos, por isso, de uma conclusão em que todos esses autores — mesmo os que não aceitam a atribuição de direitos aos animais — convergem: a de que são absolutamente contrários à ética os actos de crueldade gratuita para com os animais.

 

Esta é sem dúvida uma conclusão pacífica não só para os zoófilos mas também para o homem comum em geral e até para os próprios aficionados. Com efeito, se se perguntar a qualquer pessoa (incluindo aficionados de touradas, organizadores de combates de cães e de tiro aos pombos, etc.) se concordam que se torturem animais, é praticamente certo que responderão pela negativa. E no entanto, contraditoriamente, torturam ou organizam a tortura de touros, de cães e de pombos.

 

O ÓBVIO SOFRIMENTO DOS TOUROS

 

É óbvio que os touros sofrem quer antes, quer durante, quer após as touradas. A deslocação do animal do seu habitat, a sua introdução num caixote minúsculo em que ele se não pode mover e onde fica 24 horas ou mais, o corte dos chifres e as agressões de que é vitima para o enfurecer; ao que se segue a perfuração do seu corpo pelas bandarilhas que são arpões que lhe dilaceram as entranhas e lhe provocam profundas e dolorosas hemorragias; e finalmente, na tourada à portuguesa, o arranque brutal dos ferros; e tudo isto já sem se referir a tortura das varas e do estoque na tourada à espanhola — representam sem quaisquer dúvidas sofrimento intenso e insuportável para um animal tão sensível que não tolera as picadas das moscas e as enxota constantemente com a cauda quando pasta em liberdade.

 

A SIC exibiu há tempos um documentário sobre o que se passa na retaguarda das touradas. Quando chegou à fase final do arranque das farpas o funcionário da praça não permitiu a filmagem por a considerar demasiado impressionante. Mas pudemos ouvir os horrendos uivos de dor que o animal emitia do seu caixote exíguo e que eram de fazer gelar o sangue dos telespectadores.

 

Na tourada à espanhola com picadores o quadro ainda é mais cruel: o touro é perfurado ainda mais profundamente pela comprida e afiada ponta da "puya" que lhe rasga a pele, os músculos e os vasos sanguíneos, provocando-lhe intencionalmente uma dor intolerável e uma abundante hemorragia, enquanto um cavalo, de olhos vendados, é corneado pelo touro enraivecido e com frequência derrubado e ferido — e tudo isto para gáudio de uma multidão que a cada novo ferro cravado e a cada nova e mais profunda perfuração da vara, vibra com um gozo em que a componente sádica é óbvia.

 

Perante a evidência de que o touro sofre — e sofre intensamente — ao ser toureado, os aficionados desdobram-se em atabalhoadas tentativas de justificação que não obedecem a um mínimo de razoabilidade, atingindo algumas vezes as raias do surrealismo.

 

É o que faz Joaquim Grave no artigo publicado no Boletim ao afirmar que "só se pode pronunciar sobre os aspectos éticos da tourada quem conhece o espectáculo". Conclusão esta que, salvo o devido respeito, é completamente absurda, certo como é que os aspectos cruéis acima referidos são óbvios para quem quer que os presencie não sendo necessário estudar tauromaquia para chegar à conclusão de que o touro é objecto de grande sofrimento ao ser farpeado e estoqueado.

 

ÉTICA E TORTURA DOS TOUROS

 

Afirma ainda Joaquim Grave que "na corrida existe uma certa ética na relação homem/animal, ou, por outras palavras, e contrariamente ao que afirmam os que a não conhecem, na corrida o touro não é tratado como uma coisa, já que não se lhe pode fazer qualquer coisa indiscriminadamente".

Falar em ética para justificar a cruel agressão, com perfuração por ferros, a um animal abruptamente arrancado ao seu habitat é um absurdo, um "nonsense". Absurdo esse que atinge os limites do surrealismo ao sustentar-se que, no domínio do tratamento cruel, haveria crueldades que a ética permite (as farpas, a puya, o estoque) e outras que a tal ética não autorizaria. Como não se exemplifica de que crueldades se trata suponho que o autor se queria referir, por exemplo, às bandarilhas de fogo ou a cravar farpas nos olhos do touro.

 

Tudo isto é absurdo. A ética exige que não se inflija qualquer sofrimento cruel ao touro, ponto final. Se esse sofrimento resulta dos ferros cravados ou de qualquer outra coisa "que não é costume executar nas touradas", é um aspecto completamente irrelevante à luz da ética e insustentável em face da razão e do bom senso.

 

Tentando de novo invocar a ética para justificar a barbárie da tourada, Joaquim Grave mais adiante afirma que "a ética touromáquica é pois a seguinte: respeita-se a natureza do touro, combatendo-o, pois é um animal de combate".

 

Uma vez mais estamos perante um falso argumento em que a má-fé é evidente: o touro é um animal inofensivo quando no seu habitat; mas é evidente que tem, como todos os animais, o instinto de defesa que o leva a atacar quando agredido. Ele é vítima de uma maquinação cruel de quem o retira do seu habitat, o encerra numa praça e depois o agride cravando-lhe ferros.

 

A conclusão do artigo está à altura da argumentação: "sendo o touro um ser por natureza bravo, ele realiza o seu grande bem lutando, ele realiza a sua natureza de lutador na luta e ele realiza-se plenamente a ele próprio na corrida e pela corrida".

 

Lê-se e não se acredita: o infeliz touro, que é levado à força de seu habitat e depois perfurado com farpas, com a "puya", ou estoqueado, que quando não é morto acaba a tourada com feridas profundas e pastas de sangue a escorrer pelo lombo, esse sacrificado animal seria afinal uma espécie de bombista suicida, que se realizaria plenamente pelo seu próprio sofrimento e morte em combate...

 

Estamos aqui uma vez mais no reino do absurdo. Como é óbvio, ao contrário do bombista suicida, que procura alegremente a morte, o pobre touro, se pudesse falar, diria com certeza que o seu único desejo era nunca sair da lezíria e continuar a pastar pacificamente.

 

O TOUREIRO - GRANDE DEFENSOR DOS TOUROS!

 

Também o Dr. João Vaz Rodrigues, num artigo com pérolas de poesia surrealista, como aquela em que "repudia a hipocrisia de quem sacrifica de bom grado a vida de uma singela flor para preencher emocionalmente um desígnio de vaidade e verbera veementemente o sangue de um animal cujo o destino é exactamente o de morrer na arena", acrescentando "bem sei que a flor não se manifesta da mesma maneira mas morre igualmente sacrificada à emoção", remata com esta frase lapidar: "quem defende o touro é o próprio toureiro e os demais que respeitam a festa. Sem este aquele sofre sérios riscos de extinção".

 

Ao longo de todo este artigo, além da nostalgia do autor "por já não conseguir assistir à caça à baleia ou aos banhos de espuma sanguinolenta da "copejada" do atum de Tavira" (Freud poderia dar aqui um contributo importante para a explicação de tal "nostalgia") o único argumento que sobressai é o do receio da extinção da espécie taurina caso as touradas acabassem.

 

Tal como os outros, este argumento não procede, certo como é que, se necessário, se poderia facilmente criar reservas de touros, tal como existem reservas de búfalos.

 

Resta a pasmosa afirmação de que "quem defende o touro é o próprio toureiro". Na mesma linha de argumentação pode afirmar-se que quem defende a vítima da tortura é o torcionário. Ora aqui está um bom argumento para uso dos advogados defensores dos réus que no Tribunal Internacional de Haia e noutros tribunais são acusados de crimes contra a humanidade: ao torturarem e executarem barbaramente milhares de muçulmanos na Bósnia os torcionários estavam afinal a defender as suas vítimas! É claro que não vale a pena discutir nestes termos de irracionalidade.

 

Em conclusão, o certo é que nenhum dos aficionados autores dos textos publicados no Boletim da Ordem dos Advogados — como nenhum aficionado em qualquer parte do mundo — conseguiu ou conseguirá jamais demonstrar, de boa-fé, que os touros não sofrem ao serem lidados. Sofrimento esse que não tem qualquer justificação a não ser o prazer sádico e emotivo de quem a ele assiste.

E a confirmação desse sadismo está nesta atitude: quando se propõe a um aficionado que as farpas em vez de terem arpões de ferro tivessem ventosas — como já aconteceu nos Estados Unidos — a sugestão é logo afastada com indignação. O que o aficionado sobretudo quer é ver o sangue, é deliciar-se com o sofrimento do touro.

 

As touradas ofendem por isso um princípio fundamental da ética que impende sobre qualquer pessoa que se preocupe em pautar os seus actos pelos ditames da moral e da ética.

 

As touradas foram proibidas em Portugal por Decreto de 1836, da iniciativa do então primeiro-ministro Passos Manuel, por já então, conforme se lê no Decreto, "serem consideradas um divertimento bárbaro e impróprio das nações civilizadas, que serve unicamente para habituar os homens ao crime e à ferocidade".

 

De então para cá, e apesar do retorno das touradas, o certo é que cada vez mais se acentua a repulsa dos países civilizados por esse barbarismo medieval. Em Portugal, segundo sondagem recente, a percentagem de portugueses que não gosta de touradas é de 74,5 % contra 24,7 que ainda gosta (cf. Público, 26.08.2002).

 

Tal como os autos de fé, os suplícios e as execuções públicas e outros barbarismos próprios de séculos de obscurantismo — também, a médio prazo, as touradas estão condenadas a desaparecer

dos raros países onde ainda são toleradas.

 

Fonte: http://criticanarede.com/html/ed130.html

 

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publicado por Isabel A. Ferreira às 15:22

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Segunda-feira, 6 de Setembro de 2010

A VIOLÊNCIA QUE VEM DAS TREVAS

 

 

 

  

(E se enfeitássemos a Violência com florzinhas amarelas, para torná-la menos agressiva?...)

 

A inteligência humana é a única arma capaz de garantir a Paz

 

Será possível definir a Violência?

 

Talvez pudéssemos enfeitar a palavra com florzinhas amarelas, para torná-la menos agressiva!

 

Mas como?! A violência não se deixa enfeitar. Ela é tão primitiva, tão tosca! Vive entre as trevas, nas profundezas do espírito dos que são apenas “omens”, numa tão grande obscuridade, que enfeitá-la seria um sacrilégio. Além disso, porque está tão arredada da civilização e da civilidade só as mentes mais primitivas e toscas a ela têm acesso.

Ela faz parte de um mundo sombrio onde habitam os rudes, os grosseiros, os irracionais, os estúpidos, os covardes. Numa palavra: os brutos.

 

E o que é um bruto? É aquele que usa a força, a ameaça, a chantagem para impor o seu ponto de vista, por isso, a violência é a maior “qualidade” dos brutos, que não passando estes de requintados covardes.

 

Um bruto não conhece a linguagem da flor. Não sabe da brisa suave que faz ondular as searas. Só sabe de ventanias que sopram forte, de tufões, de furacões, de vendavais, que tudo destroem. Um bruto cavalga nos ventos, semeia tempestades por onde passa e vagueia depois, perdido, entre os escombros da sua malvadez, acabando por se afogar no sangue das suas próprias vítimas.

 

Mas tu não és um bruto.

 

Tu conheces a linguagem da flor. Não vives nas trevas. Fazes uso da tua inteligência, a mais eficaz arma de combate do ser humano.

 

Só os covardes se escudam na força bruta ou numa arma qualquer. Se lhe sugerirmos que sejam Homens e não usem a força da força, nem a ameaça das armas, nem a chantagem, nem algum outro tipo de violência, mas unicamente o poder da sua inteligência e combatam os combates com palavras, como seres civilizados, eles rirão um riso de dentes podres e depois, afundados na sua insignificância mental e às ceguinhas, por entre as trevas abismais do seu espírito, usarão da violência e mostrarão então toda a inferioridade dos seus actos.

 

Ninguém é superior a ninguém. Apenas os excrementos humanos e a malvadez dos “omens” são execráveis e passíveis de desprezo!

 

Pois é, ninguém é superior a ninguém a não ser pelos actos que comete.

 

Um bruto é um “omem” obscuro, oblíquo, desusado, ignorante, por isso, ao usar a violência que vem das trevas, transforma-se numa criatura inferior.

 

Mas tu conheces a linguagem da flor. Ensina-o a ser Homem com o teu pacifismo e a tua inteligência: a única arma capaz de garantir a Paz.

 

in «Manual de Civilidade» © Isabel A. Ferreira

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:37

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Quinta-feira, 2 de Setembro de 2010

«PORTUGAL É UM PARAÍSO ONDE AINDA PODEMOS VIVER PLACIDAMENTE...»

 

Castelo de Marvão (Portugal)

 

Quem visitar o Arco de Almedina pode verificar que um indivíduo chamado Fulano deixou um comentário no meu texto intitulado «Um Povo que não se sente não é filho de boa gente», onde diz: “«Portugal é um paraíso onde ainda podemos viver placidamente». Pimba!

 

Obviamente, que cada um pode interpretar como bem entender a minha frase. E não é isso que aqui vou pôr em causa.

 

É que, o Fulano deu-me uma ideia para uma pequena crónica, acerca do que entendo ser Portugal.

 

Normalmente ouvimos dizer mal de «Portugal» e são os próprios Portugueses que enchem a boca com «Portugal é um país atrasado», «Portugal está na cauda da Europa»... Claro, se os de “dentro” dizem isto, o que dirão os de “fora”?

 

 Não, não é Portugal que é um país atrasado. Não é Portugal que está na cauda da Europa.

 

Há que inverter esta tendência retrógrada.

 

Quem é atrasado e está na cauda dos europeus é um grupo, bastante considerável ainda (infelizmente) constituído por Fulanos que só sabem “dizer mal” mas em nada contribuem para dignificar o seu País, pelo contrário... e pelos Desgovernantes que andam a brincar aos governozinhos...

 

O Portugal físico, o território é, na verdade, um Paraíso, à excepção obviamente daqueles lugares onde os Fulanos retrógrados puseram os pés e as mãos. Onde os Fulanos governam, ou melhor, desgovernam.

 

Mas existe um Portugal selvagem (no sentido mais puro da palavra), quase virgem, e esse é, de facto, o meu Paraíso. E não o trocaria por lugar nenhum do mundo.

 

Quando pronuncio a palavra “Portugal” estou a referir-me ao meu País, e não ao Estado, à Nação ou aos Desgovernantes (não podemos confundi-los com políticos, porque a Política é uma Arte que apenas os sábios sabem pôr em prática – o que não é o caso) ou aos Fulanos.

 

Então o que acontece? Acontece que eu, como Portuguesa, intervenho activamente naquilo que entendo que desonra e humilha Portugal, o meu País, e destaco o que ele tem de bom.

 

Defendo-o das más-línguas, dos que só dizem mal e nada fazem de positivo, para inverter a má imagem que passam cá dentro e lá fora.

 

Defendi-o do jornalista brasileiro, Laurentino Gomes, que no seu livro «1808» (aliás um plágio do livro «Portugal à Deriva» do australiano Patrick Wilcken) considerou os portugueses porcos, feios, maus e ignorantes, e os portuguesinhos encolheram-se, e acharam que tudo isso era verdade; e até permitiram que se publicasse tal afronta em Portugal.

 

Obviamente que não defendo nem os Fulanos nem os Desgovernantes. Nem essa gente que fere a honra de Portugal. Nenhum merece a minha consideração.

 

Eu voto. Sim. Mas voto em branco. Descontentíssima com a oferta do mercado da governação.

Aponto caminhos, nas cartas que escrevo (às autoridades) e às quais ninguém responde. Não me admira. Não sabem o que fazer, muito menos o que dizer...

 

Quem, de entre os Fulanos que pensam que Portugal não é um Paraíso onde podemos viver placidamente, faz algo para mudar o rumo desastroso para o qual o conduzem os Desgovernantes e os maldizentes de sofá?

 

Portugal é o meu Paraíso, sim. Aproveito dele o que de melhor ele tem: os seus lugares selvagens; as suas magníficas paisagens; as suas flores; as suas florestas (aquelas que ainda não foram dizimadas pelo fogo – até isto nos querem tirar aqueles que não sabem governar); a sua riqueza arquitectónica; a sua Arte; a sua Música, os seus Artistas; os feitos dos seus grandes Homens; os seus Poetas; os seus Literatas (não os actuais “litretas”); a sua gastronomia; o seu folclore; a sua cultura popular, igualmente riquíssima (não me refiro à popularucha)... Enfim, esse Portugal que existe e que os treteiros menosprezam, porque não querem ver... Não lhes convém, ou não sabem...

 

Intervenho em tudo o que posso, numa tentativa de contribuir para uma mudança de mentalidades entre os Fulanos...

 

Não é Portugal que tem de mudar. São as mentalidades mesquinhas e retrógradas que têm de mudar, para que Portugal se liberte desse peso infame, e possa ter o brilho que merece...

 

Vivo no meu país placidamente, sim.

 

Em comparação com quase todos os países do mundo, aqui vive-se placidamente, sim.

 

Ainda há muita incivilidade. Há. Entre os Fulanos.

 

Ainda há muita fome, pobreza, insegurança. Há. Devido às más políticas dos Desgovernantes e à inactividade dos Fulanos que só sabem dizer mal e nada constroem, no sentido de pôr fim à situação caótica em que se vive.

 

A Cultura, a Educação, a Saúde, o Ensino, a Habitação, os Costumes ainda são os da Idade Média? São. Uma vez mais por culpa das políticas retrógradas e da incapacidade dos maldizentes de construir algo de positivo.

 

Portugal não tem a mínima culpa de albergar Fulanos e Desgovernantes que só o desprestigiam.

Ou mudam-se as vontades e as mentalidades medíocres dos Fulanos e dos Desgovernantes, ou melhor será atirarem-se todos a um precipício e deixar o caminho livre para a reconstrução de um País que merece recuperar o seu lugar ao Sol...

 

Portugal é um país pequeno territorialmente, sim, mas grande na sua riqueza intrínseca.

 

É essa riqueza que é necessário SALVAGUARDAR, HONRAR E PROMOVER.

 

É isso que faço.

 

Texto e Foto © Isabel A. Ferreira

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:58

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