Sexta-feira, 17 de Novembro de 2017

O MUNDO INSANO DA TAUROMAQUIA

 

E quando pensamos que já ouvimos todos os disparates a respeito do mundo insano da tauromaquia, eis que vem a público alguém dizer a maior das idiotices:

«Ser toureiro é a profissão mais bonita e inquietante do mundo».

 

IDIOTA2.png

 

Não tenho de ser politicamente correcta com quem não RESPEITA a VIDA. Não tenho.

 

E se não lhes dissermos que são uns atrasados mentais, eles não terão capacidade de o saber por si próprios.

 

As palavras existem para serem USADAS adequadamente.

 

E não me venham dizer que estou a insultar quem proferiu tal absurdo. Chamar atrasado mental a um atrasado mental não é insultar, é dizer a verdade. E por que não dizê-la alto?

 

Sabem o que significa ser atrasado mental? É ter comportamentos pouco adequados a uma sociedade evoluída. É um idiota. É alguém que não acompanha o progresso, apesar de toda a informação disponível. É um retrógrado.

 

É isto que significa atrasado mental.

 

A pessoas não têm bem a noção do significado das palavras. E é preciso ter essa noção para que se compreenda do que estamos aqui a falar.

 

Aqui estamos a falar de TORTURAR TOUROS, que alguém acha que é a “profissãomais bonita e inquietante do mundo. Primeiro, torturar touros teria de estar no rol das profissões dignas de um ser humano, o que não é o caso. Segundo, será uma prática inquietante apenas para os Touros. Isso é verdade.

 

E como diz a minha lúcida amiga Maria Do Carmo Tinoco: «Um ser que afirma que torturar animais é uma profissão e ainda por cima bonita, nem classificação tem. Está abaixo do atraso mental, da estupidez, da cretinice, da crueldade e de qualquer insulto que exista. E de facto é inquietante… mas apenas o facto de ele existir, de lhe darem atenção e de seres iguais a ele ainda circularem por aí. Já foram mais, mas esta maldade pura, esta bestialidade que os alimenta tem vindo, felizmente, a secar. Um dia, menos longínquo do que eles gostariam, os barracos da tortura hão-de fechar as portas. Que vão esperneando com o fim anunciado. Nesse dia estaremos, os do lado de cá, na bancada a aplaudir».

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:31

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Terça-feira, 14 de Novembro de 2017

«4379 CIDADÃOS PARA A LÍNGUA PORTUGUESA»

 

A existência do AO90 é insustentável — e, no entanto, o AO90 arrasta-se.

 

RUI VALENTE.jpgRui Valente

Opinião

4379 cidadãos para a Língua Portuguesa

A existência do AO90 é insustentável — e, no entanto, o AO90 arrasta-se.

 

14 de Novembro de 2017, 7:43

 

No Verão passado, fez agora um ano, tive o azar de dizer em voz alta: “Move-se. E, desta vez, não me parece que possa ser parada.”

 

Referia-me à Iniciativa Legislativa de Cidadãos (ILC) contra o Acordo Ortográfico (AO). Este movimento acabava de ganhar um novo fôlego com a redução do número de assinaturas necessárias para apresentar uma ILC no Parlamento (de 35.000 para 20.000) e com a possibilidade de recolhermos as assinaturas em falta por via electrónica. Para cúmulo das facilidades, até o vetusto n.º de eleitor desapareceu, deixando de ser necessário para a subscrição. Cheguei a ponderar um “não pode ser parada”. Felizmente, mantive o “não me parece” — salvei-me assim do pecado da soberba, limitando-me a ser ingénuo.

 

Em meu abono, convenhamos que o cenário era francamente animador. Se foi possível reunir mais de 14.000 assinaturas no tempo das vacas magras, quando era preciso assinar fisicamente um papel e enviá-lo pelo correio, não haveríamos de conseguir agora uns meros 5000 e poucos cliques de rato? Parecia fácil. Parece fácil, ainda hoje...

 

O Acordo Ortográfico sempre foi um desastre, sob todos os pontos de vista: científico, político, social. A fuga para a frente e a insistência na sua aplicação só tem servido para agravar ainda mais o estado da ortografia no nosso país. Neste contexto, reunir as assinaturas em falta parecia uma brincadeira de crianças. O que correu mal?

 

Aconteceu um pouco de tudo. Para começar, a plataforma Causes acabou — de uma assentada, perdemos o contacto com mais de 120.000 seguidores da ILC. As únicas vias de comunicação com os nossos subscritores passaram a ser a nossa página no Facebook, com cerca de 9500 seguidores, e o sítio oficial da ILC, em www.ilcao.com.

 

Aconteceu, também, a dispersão dos próprios anti-acordistas. É um fenómeno estranho, mas real: há quem assine tudo o que for contra o AO... excepto esta ILC. Queixas na Provedoria, petições, cartas abertas, pedidos de referendos, manifestações e até — pasme-se — uma petição “com valor simbólico de ILC”. Tudo é preferível à participação numa ILC a sério.

 

Nenhuma daquelas iniciativas produziu resultados. Mas, a cada revés, os seus promotores optam sempre por começar algo novo, a partir do zero. Apoiar uma ILC praticamente concluída parece estar fora de questão.

 

Que mais pode acontecer? Que tal uma nova mudança nas regras das ILC? Sim, a notícia do fim do n.º de eleitor revelou-se algo exagerada. Esta ILC pôs de pé um portal para subscrição online da Iniciativa mas, passado menos de um ano, eis que esse portal se torna obsoleto. Lá tivemos de meter novamente mãos à obra, acrescentando os campos que, aos olhos da Assembleia da República, são afinal imprescindíveis.

 

Tudo isto — "redes sociais" que não funcionam, tiros no pé de anti-acordistas e burocracia da Assembleia da República — afecta bastante a luta contra o Acordo.

 

Mas nada é tão pernicioso como o muro de indiferença que continua a rodear este assunto. A existência do AO90 é insustentável — e, no entanto, o AO90 arrasta-se. Este paradoxo, alimentado pelo desnorte de sucessivos governos no capítulo da Língua, é um duro teste à nossa capacidade para resistir ao disparate.

 

A própria Assembleia da República contribui para o marasmo ao criar (mais) um Grupo de Trabalho para avaliar o impacto do AO90, cuja única conclusão, até ao momento, é a de que deve continuar a avaliar.

 

Mas há mais e pior: a anunciada "revisão" do AO90, que ameaça tornar-se a machadada final no Português Europeu. Para já, o único resultado desse anúncio parece ser uma anestesia ainda maior da luta contra o Acordo.

 

Vêm-me à memória as palavras de Nuno Pacheco, redactor-principal deste jornal: "Valha-nos, ao menos, a insistência da Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o acordo. Deviam assiná-la todos os que ainda não perderam a coragem."

 

Subscreva gratuitamente as newsletters e receba o melhor da actualidade e os trabalhos mais profundos do Público.

 

SUBESCREVER A ILC AQUI:

https://ilcao.com/subscricoes/subscrever.

 

Pela parte que nos toca, não contem connosco para deitar a toalha ao chão. O “endereço” para a subscrição electrónica aqui fica: https://ilcao.com/subscricoes/subscrever.

 

Se estão fartos de petições, de iniciativas de referendo ou de promessas de revisão, assinem. Se nunca ouviram falar desta ILC, assinem. E se tiverem 4379 amigos*, tragam-nos também. O futuro da Língua Portuguesa está nas vossas mãos.

 

*N.º de assinaturas que faltam para as 20.000

 

Fonte:

https://www.publico.pt/2017/11/14/culturaipsilon/opiniao/4379-cidadaos-para-a-lingua-portuguesa-1792332?page=/opiniao&pos=1&b=list_opinion

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:08

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Segunda-feira, 13 de Novembro de 2017

UM GOVERNO QUE NÃO RESPEITA A LÍNGUA (VIVA) OFICIAL DO PAÍS COMO PODERÁ RESPEITAR O LUGAR DOS MORTOS?

 

Eu não sabia que o Panteão Nacional, um lugar onde se honra a memória dos mortos, podia ser alugado para jantaradas. Não sabia.

 

Mas depois de saber, não me surpreendi, pois num país onde o seu maior símbolo de identidade - a Língua - é substituído pelo símbolo de identidade de uma ex-colónia, toda e qualquer vilania é expectável.

 

PANTEÃO.jpg

 

A polémica que se gerou ao redor do Panteão, nada tem a ver com o jantar da Web Summit, porque este foi apenas mais um, e o mais mediático.

O grande e grave problema é o Panteão Nacional, um lugar onde se recolhem os restos mortais dos mais ilustres portugueses, estar no rol dos lugares onde se pode comer, beber, cantar e brincar-se ao Harry Potter.

 

Aqui não interessa se no salão das jantaradas não existem restos mortais e só lá estão sarcófagos vazios.

 

O que aqui interessa é o Lugar onde se acolhem os Mortos, o Panteão Nacional, servir de palco para jantaradas.

 

António Costa, primeiro-ministro de Portugal, achou ofensivo e chocou-se com a realização do jantar da Web Summit no Panteão? Então e os outros jantares? Então e aquele jantar da Associação de Turismo de Lisboa, que o então autarca António Costa presidia?

 

Eu não sabia que se faziam jantaradas no Panteão. Mas isso sou eu, que não resido em Lisboa, não faço parte do governo, há coisas que às vezes me passam ao lado… Mas os governantes não sabiam? Antes da Web Summit outros jantares já lá se realizaram, e não sabiam? Logo no Panteão, cuja responsável é funcionária do Governo?

 

O que se passa no Panteão é um insulto à memória dos mortos que lá repousam.

 

Até agora, a única pessoa que pediu desculpa por esta ofensa, sem culpa alguma, foi o fundador da Web Summit, Paddy Cosgrave.

 

Senhor primeiro-ministro, tudo o que é agressão aos símbolos de Portugal ou à memória dos mortos, é ofensivo e choca os Portugueses.

 

Também é ofensivo para Portugal e choca os Portugueses a imposição da ortografia brasileira, defendida, com unhas e dentes, pelo ministro dos negócios dos estrangeiros, e não vejo nenhum governante português, incluindo o nosso tão prestimoso presidente da República, ofendidos e chocados com tal agressão à nossa identidade.

 

Sejamos mais honestos e menos hipócritas!

 

Isabel A. Ferreira

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:03

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TORTURA DE TOUROS NÃO É ARTE NEM CULTURA. PONTO FINAL.

 

No programa Voz do Cidadão, que pode ser revisto aqui:

https://www.rtp.pt/play/p3305/voz-do-cidadao

transmitido na RTP 1, no passado dia 11/11/2017, a pergunta crucial foi: «Deve a televisão pública transmitir touradas?» O actual Provedor do TelespeCtador da RTP, Jorge Wemans, respondeu: «Eu penso que não…»

Mas…

Quem mada na RTP não é o senhor Wemans; nem a esmagadora maioria dos telespectadores que para lá escrevem, indignados com a transmissão de tortura ao vivo; nem é o senhor Daniel Deusdado, director de programas; nem é o aficionado Gonçalo Reis, presidente do conselho de administração… Ninguém manda… Então quem manda?

Manda o lobby tauromáquico, instalado na Assembleia da República, disse (por outras palavras obviamente), o senhor Wemans.

Só o facto de a RTP, no ano 2017 d. C., estar a discutir esta matéria, já diz do baixo nível civilizacional em que Portugal está mergulhado.

Veja-se o que a RTP transmite em directo. E a questão é a seguinte: isto é arte? Isto é cultura? Isto faz parte de alguma tradição civilizada, digna do Homem civilizado?

 

 E a loucura é tal, que acham que não se passou nada. Nem sequer se respeitam uns aos outros. Para os aficionados, a vida dos tauricidas não vale nada.

Vi e ouvi este programa da Voz do Cidadão com a atenção de um lince. E pasmei com as declarações de alguns dos envolvidos, nomeadamente dos que querem, porque querem, fazer da tortura de seres vivos sencientes, da violência, da crueldade, da estupidez que é este costume bárbaro (nada tem a ver com tradição) , uma “coisa” cultural e artística, como se todos nós fossemos muito estúpidos.

 

Comecemos por Luís Capucha, que acha, porque acha, que lá por, em tempos que já lá vão, a selvajaria tauromáquica ter dado alguma audiência à RTP, as coisas continuam iguais. Não continuam iguais. O mundo evoluiu. Já há mais informação sobre esta prática selvática. A RTP só perde audiências com a transmissão desta barbárie. Luís Capucha ainda não se deu conta de que Portugal está no século XXI d. C.. Vive metido na caverna, e não vê que o mundo avançou no tempo.

 

Depois vem o Jorge Palma, que eu não sabia que era aficionado (e perdeu uma fã, e até já o coloquei na lista de

NOMES DE FIGURAS PÚBLICAS PORTUGUESAS QUE APOIAM E/OU ACTUAM EM TOURADAS

a fazer a apologia da tourada, como se a tourada fosse um concerto de música.

Este também ficou especado na Idade Média.

 

TOURADA1.jpg

 

Os aficionados dão respostas chapa 5. Enchem a boca com palavras das quais não sabem o significado.

 

Gonçalo Reis, presidente do conselho de administração da RTP,  numa tourada,  transmitida pela RTP, no campo pequeno, logo após a primeira pega (pega que lhe foi brindada) veio a público falar em património cultural, em tradição que é preciso preservar… Sabe lá o que é património cultural e tradição! Veja aqui a espécie de património cultural que é a selvajaria tauromáquica, que mata Touros e Cavalos, e mata também forcados e toureiros, ou deixa-os estropiados.

 

Um forcado que ficou tetraplégico, e depois foi abandonado pelos aficionados...

 

A ARTE não mata, nem estropia. E se a crueldade, a violência, o sangue derramado nas arenas é cultura, será apenas cultura troglodita, que nem os homens das cavernas cultivaram. Eles deixaram-nos a Arte Rupestre, e os tauricidas deixam-nos esta obra de arte estendida no chão:

 

ROURADA2.jpg

Esta é arte final de uma tourada, ensinada aos que virão a ser os sádicos do futuro, com o aval de todas as autoridades…

 

Depois ficam muito ofendidos, quando lhe chamamos cobardes, carrascos, ignorantes, pois a tauromaquia não passa da arte da mais pura cobardia e estupidez.

 

Depois veio o Paulo Pessoa de Carvalho, da prótoiro exigir respeito e liberdade. Respeito e liberdade por e para carrascos? Por e para torturadores de seres vivos? A pretender opções? Escolhas? Como se a tortura pudesse ser melhorada! Não há nada a melhorar na tortura. Tortura é tortura. Ponto final. E carrascos não merecem respeito. E a tortura não faz parte do conceito de liberdade.

 

Até as crianças bem formadas sabem o que são as touradas. Este conjunto de imagens fazem parte de um trabalho elaborado por alunos do 9º ano, e que pode ser visto na íntegra neste link:

https://pt.slideshare.net/paulamorgado/touradas-contra

 

 

TOURADA3.jpg

 

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TOURADA5.jpg

 Espero que os aficionados de selvajaria tauromáquica tenham aprendido alguma coisa, com estas crianças.

Lá mais para o final do programa, vem novamente Luís Capucha, que dizem ser professor (se é, pobres alunos), que disse esta coisa extraordinária:

 

«Os ataques à tauromaquia nunca têm a ver com os maus-tratos aos animais, mas sim com a imposição de uma ditadura cultural…».

 

Imposição de uma ditadura cultural? A Civilização? A Cultura Culta? São ditadura cultural?

 

Se isto não fosse extremamente trágico, daria para nos rirmos.

Senhor Luís Capucha o que ensina aos seus alunos?

 

Veja do que falamos, quando falamos da selvajaria tauromáquica:

TOURADA6.jpg

 

Concluindo: a tauromaquia é uma prática macabra, cruel, violenta, medievalesca, que só mentes completamente deformadas acham que é arte e cultura.

 

E há mais a ter em conta:

 

TOURADA7.jpg

 Isto, diz quem sabe, quem viu, quem conhece os bastidores de uma tourada. Escusam de desmentir.

 

A tauromaquia a ser arte, é a arte da cobardia, e a ser cultura, é a cultura de trogloditas.

 

Tenham todos vergonha na cara, e evoluam. Dêem o salto para o século XXI depois de Cristo. Quanto à RTP, saia da caverna! Envergonham Portugal e a Humanidade com essa vossa postura medievalesca.

 

E para que não morram sem saber das coisas, aconselho a todos que leiam estes textos:

 

O MODERNO VOCABULÁRIO DA TAUROMAQUIA

http://arcodealmedina.blogs.sapo.pt/o-moderno-vocabulario-da-tauromaquia-491355

 

CULTURA E CIVILIZAÇÃO

http://arcodealmedina.blogs.sapo.pt/22410.html

 

 

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 11:19

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Domingo, 12 de Novembro de 2017

«TAUROFILIA»

 

Breve reflexão sobre a tauromaquia, da autoria de Paulo Borges

O texto publicado na revista CAIS, nº 178 (Novembro de 2012), foi-me enviado via e-mail.

 

TAUROFILIA.jpg

 Passados séculos, os taurófilos continuam sem evoluir, divertindo-se com o sofrimento de um ser vivo…

 

«A tauromaquia, o combate do homem com o touro, tem a sua origem na ritualização de mitos dualistas acerca do combate originário entre a luz e as trevas, o bem e o mal, para que o cosmos possa vencer o caos. Estes mitos expressam na verdade o sentimento humano de uma divisão e combate interno entre a luz da consciência e da razão ética e as trevas da irracionalidade dos instintos e das emoções destrutivas.

 

Neste ciclo de civilização antropocêntrica, o homem foi identificado com o positivo e o animal com o negativo, sendo convertido num bode expiatório de toda a violência, conflitos e tensões dos instintos reprimidos pela vida social. Projectar a necessidade de triunfo da luz sobre as trevas interiores, do melhor sobre o pior de nós, num combate exterior com um animal, como se humilhá-lo, torturá-lo e vencê-lo, pela morte na arena ou mais tarde no matadouro, tornasse alguém melhor, é uma manifestação grosseira de ignorância da dimensão simbólica daqueles mitos arcaicos.

 

Esquecida de tudo isto, a tauromaquia converteu-se num espectáculo de pura agressão gratuita contra um ser senciente e pacífico, que é forçado a sofrer terrivelmente num confronto que não deseja. Na tauromaquia há uma dissimulação do mal da violência e do sofrimento, ficando anestesiada a tendência humana para a empatia e para se colocar no lugar do outro: em primeiro lugar pela convicção, entranhada desde há milénios no subconsciente humano, de que o homem é o “bom” e o animal o “mau”; em segundo lugar pela estética do espectáculo, estimulante dos sentidos com as luzes, as cores, a música, as vestes e os movimentos rituais; em terceiro lugar, pelo êxtase emocional de uma multidão a vibrar em uníssono, onde se esquecem os problemas da vida e as razões da consciência em momentos fugazes de diluição numa festa social com parentes, amigos, comida e bebida.

 

Para além dos que estão directamente ligados aos interesses económicos da indústria tauromáquica, a maioria dos aficionados vê apenas nas corridas de touros a estética do espectáculo e o convívio social, que lhes confere um sentimento de identidade e participação comunitária numa era de globalização e fragmentação das relações humanas. É por isso que ganadeiros, cavaleiros, toureiros, forcados e aficionados não vêem nas corridas de touros senão isso e nunca o evidente sofrimento do animal, seja o cavalo ou o touro. Mas esse sofrimento dos animais, capazes como nós de sentir a dor e o prazer psicofisiológicos, é o que acima de tudo vêem os que lutam pela abolição da tauromaquia, pois esse sofrimento e a transgressão da regra de ouro de toda a ética – o não fazer ao outro o que não desejamos que nos façam a nós – surgem em toda a sua injustificada e brutal nudez quando despidos dos véus da mítica superioridade humana, da tradição cultural, da beleza estética e da festa social. A tortura, a violação e o assassínio serão sempre tortura, violação e assassínio, e inaceitáveis, por mais que nalgum lugar do mundo se convertam numa tradição cultural apreciada por alguns e numa festa social encenada com requintes estéticos de luz, cor, som e movimento.

 

Todavia, a abolição da tauromaquia, que lenta mas firmemente se desenha no horizonte da civilização, apenas exige o fim da presença dos animais, touros e cavalos, no espectáculo, e não o do próprio espectáculo. Tal como os montados e os touros bravos podem sobreviver ao fim da tauromaquia, convertendo-se em santuários da vida selvagem, reservas ecológicas e pólos de atracção turística, também o actual espectáculo, sem animais, se pode converter numa encenação não-violenta, mantendo a sua estética tradicional, a exemplo do que aconteceu com práticas semelhantes em todo o mundo, hoje apreciadas como artes lúdicas livres de sangue e morte, como as antigas artes marciais do sabre japonês, o kendo, e da capoeira afro-brasileira. Livre de animais, o actual espectáculo continuará a ser uma festa de convívio e coesão social, mas deixará de ser a festa da violência e da dor que actualmente indigna e envergonha a nossa consciência e fere o mais fundo da nossa sensibilidade humana à dor do outro, à aflição do próximo, humano ou não-humano.

 

Paulo Borges, 2012»

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:09

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«STIGMA - SAGA POR UM NOVO MUNDO»

 

Novo livro da escritora brasileira Valdívia S. Beauchamp, que fala dos Holandeses em Nova Holanda - Recife, e New Amsterdam - New York, e a fuga dos Judeus Sefarditas com a chegada do Santo Ofício ao Brasil (1654).

 

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publicado por Isabel A. Ferreira às 15:07

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«A CULTURA E A LÍNGUA SÃO A ESSÊNCIA DE UM POVO»

 

 

digitalizar0001.jpg

Excerto do precioso livro «A Historia da Lingua Galega» onde podemos comprovar a ligação do Português e do Galego, duas línguas irmãs, que nada têm a ver com o linguajar sul-americano de expressão portuguesa ou de expressão castelhana. Um livro que recomendo aos acordistas para que vejam e sintam o absurdo que é a imposição da ortografia brasileira a Portugal. Não faz o mínimo sentido. É algo que foge ao domínio da sensatez.

 

Há dois anos, numa daquelas tertúlias que costumo frequentar, quando vou à Galiza, conheci Juan Manuel Castro, um galego interessado pela Cultura Portuguesa.

 

Trocámos ideias e saberes, e dizendo-lhe da minha ascendência galega e do meu interesse pela Cultura, Língua e Literatura galegas, logo ali combinámos iniciar um intercâmbio cultural, que se tem mostrado bastante frutuoso, para os dois: eu envio-lhe livros que falam da Cultura Portuguesa, escritos em bom Português, e ele envia-me livros sobre Literatura e Cultura galegas, escritos em boa Língua Galega.

 

Os últimos que recebi foram “Historia da Lingua Galega», um precioso livro que conta as aventuras e desventuras desta Língua irmã do Português (e sobre o qual ainda hei-de falar) e, há uns poucos dias, “Literatura Galego-Portuguesa Medieval”, onde as duas línguas, cultas e belas, se fundem.

 

Na nossa troca de correspondência foi inevitável falar da imposição a Portugal da ortografia brasileira, que dá pelo nome de Acordo Ortográfico de 1990, apenas para disfarçar, porque na realidade não existe acordo algum, e à qual me oponho visceralmente, pelos motivos mais óbvios. Portugal é um país europeu, cuja língua deriva do ramo indo-europeu, que nada tem a ver com a América do Sul e com um povo mesclado de muitos outros povos, e muito menos tem a ver com o que esse povo fez com a língua que adoptou, depois de se tornar independente.

 

A este propósito, o meu amigo Juan Manuel Castro escreveu o que passo a citar, já traduzido:

 

«Por Deus, estou impressionado com a vontade de mudar a ortografia portuguesa para a ortografia brasileira.

 

Isabel, isso não se pode permitir. Quem é o louco que pretende cometer semelhante barbaridade?

 

(Pois… quem será o louco?).

 

No tempo dos Descobrimentos, os nossos antepassados levaram a meio mundo (América, África, Ásia, etc.), a nossa Cultura, a nossa Língua, e eles não o fizeram tão mal assim, porque essa Cultura e essa Língua sobrevivem até hoje. E agora o governo quer impor a norma brasileira a Portugal?

 

Consegues imaginar, em Espanha, a Real Academia da Língua, constituída pelos melhores linguistas espanhóis, dizer que se iria impor, por exemplo, a normativa argentina do Castelhano? Isso é impensável e impossível, isso não passa pela imaginação de ninguém.

 

O Português e o Castelhano são de origem Latina, sem dúvida, basta ver o mapa antes e depois da romanização e estudar a raiz das palavras, e a origem comum é claríssima. De resto, isso é de gente inculta. Perdoa-me falar assim, mas há coisas que são inalienáveis, e esta, Isabel, é uma delas. A nossa Língua e a nossa Cultura são a nossa essência. Seria uma falta de respeito pelos nossos antepassados e por nós próprios, não as respeitar e honrar. Espero que a sanidade mental ponha as coisas no seu lugar e se respeite a História».

 

Trouxe à baila este episódio, apenas para partilhar o pensamento de um Galego (que é o pensamento de milhares de pessoas) com todos os que combatem a imposição a Portugal da ortografia que o Brasil utiliza desde 1911, e que, entretanto, para não dizerem que não se mexeu nesse modo de escrever, já com barbas brancas, de tão velho (não “nasceu” em 1990) disfarçou-se com a supressão de alguns acentos gráficos e hífens, que é apenas o que os Brasileiros têm de mudar, SE utilizarem este pseudo-acordo ortográfico de 1990.

 

Penso que qualquer pessoa lúcida dirá o que o Juan disse. E claro, só posso concordar com ele, e fazer minhas todas as palavras dele.

 

Ainda se nos impusessem a normativa angolana ou moçambicana, países que não mutilaram a Língua Portuguesa, outro galo cantaria

 

Estes argumentos são mais do que válidos e óbvios para que continuemos a exigir, junto do governo português e do presidente da República, que devolvam a Portugal, a Língua Portuguesa.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:58

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Sexta-feira, 10 de Novembro de 2017

A HISTÓRIA DO ZÉ DA BURRA…

 

… é a história chapa 5 dos aficionados de selvajaria tauromáquica. Obviamente cobardes.

 

Faço esta denúncia publicamente, para que corra mundo (e já são 90 os países de todos os continentes aonde chega este Blog) e se saiba que em Portugal isto acontece, com o aval das autoridades portuguesas, que teimam em apoiar o miserabilismo moral e cultural gerado pela cruel e violenta prática da tauromaquia.

 

Esta história vai ao cuidado do primeiro-ministro de Portugal, dos partidos políticos com assento na Assembleia da República, da Procuradoria-Geral da República, e do senhor Presidente da República.

 

É que este bullying cibernético acontece frequentemente, e nós, que defendemos a Vida Animal (humana e não-humana), a Ética, a Cultura Culta, a Civilização, a Evolução de Portugal, e combatemos o obscurantismo e a ignorância, não somos os touros que esta espécie de gente está habituada a atacar e a torturar, para gáudio dos sádicos. Não somos obrigados a aturar esta gente, que não pode ficar impune.

 

ZÉ DA BURRA.png

 

Esta história começou com a publicação deste texto:

TAUROMAQUIA: SE A IGNORÂNCIA MATASSE O FADISTA JOSÉ DA CÂMARA ESTARIA MORTO E ENTERRADO…

 

A propósito disto, alguém muito incomodado, que vive lá para as bandas do Alentejo, forjou um perfil de Facebook falso, com o nome de ZÉ DA BURRA, e enviou-me uma mensagem privada, com ameaças e “mimos” próprios dos aficionados de selvajaria tauromáquica. Nada a que já não esteja habituada. Desta vez coloquei uma bolinha no palavrão, para não parecer muito mal, uma vez que isto está em formato de imagem.

 

Então, aceitei a mensagem, só para enviar ao , que será da Burra, e ele lá saberá porquê) o seguinte recado: «Aceitei esta mensagem só para lhe dizer que é bastante fácil chegar ao Zé da Burra, que não será bem da Burra, mas da Cela.

 

Estas ameaças estão a caminho da Polícia Judiciária. Tem a noção do crime que cometeu, não tem? Um crime que tornarei público».

 

Escusado será dizer que mal eu enviei esta mensagem, o Zé da Burra eliminou o perfil, não sem antes deixar mais um palavrão, desta vez em inglês (fuck you…) à moda dos grosseirões dos filmes americanos.

 

São assim os aficionados de selvajaria tauromáquica, de “fabrico” parlamentar. Uns grandes cobardes. Não são HOMENS para enfrentar um TOURO inteiro, de frente… nem para enfrentar uma mulher.

 

O Zé da Burra eliminou o perfil, mas deixou o traseiro de fora…

 

Sei que não sou a única a receber este tipo de ameaças, enxovalhos e grosserias. Já as recebi de deputados. Esta é a linguagem típica dos aficionados, sejam doutores, engenheiros ou simples guardadores de vacas. Estas situações devem ser denunciadas publicamente. Quem recebe este tipo de ameaças tem de reagir, denunciar e apresentar queixa.

 

São todos muito “valentes” a ameaçar mulheres atrás de um ecrã de computador. Mas quando confrontados, cara a cara, tremem de medo. Como já aconteceu. Típico dos cobardes.

 

Comportam-se com as mulheres do mesmo modo que se comportam com os touros. São a coisa mais cobarde que existe. Quando pensamos que já não há mais nada para ver neste mundinho medievalesco da tauromaquia, eis que aparece um Zé da Burra ou da Cela para nos mostrar que ainda não vimos tudo. A escala ainda está mais abaixo do que o que podemos imaginar. Os homens das cavernas eram muito mais civilizados do que esta espécie pré-humana. Não tinham esta crueldade, esta maldade entranhada na pele. Viviam para sobreviver, e não andavam a torturar animais, para se divertirem. Tinham, respeito pela Vida e pela Natureza, dois bens preciosos naquela e em todas as épocas. Até os animais não-humanos têm essa percepção. Mudei de ideias quanto ao primitivismo dos homens das cavernas, quando comecei a entrar no mundinho tauromáquico. Chamar Neanthertais aos aficionados de tauromaquia é INSULTAR o homem primitivo, que era moralmente muito mais superior do que estes desumanos.

 

Excelentíssimas autoridades, não têm a percepção de que já BASTA disto? Está na hora de Portugal evoluir.

 

Manter uma franja populacional, ainda que minoritária, neste nível tão baixo, tão reles, tão incivilizado, não dá prestígio alguma a Portugal e às suas autoridades.

 

Basta de fabricar Zés da Burra.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:38

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Quinta-feira, 9 de Novembro de 2017

«PÃO, FRUTA, ARROZ, TUDO EM PORTUGAL TEM IVA MAS AS TOURADAS ESTÃO ISENTAS»

 

Estas coisas têm de ser ditas aos estrangeiros que pensam que Portugal é um paraíso. Que Portugal é o Algarve, Lisboa, Porto, gastronomia e muita bebedeira.

 

Taxa de IVA (2).png

 

André Silva, deputado parlamentar do PAN não desiste de lutar pelo fim da isenção do IVA nas touradas. Lamenta que «o pão, a fruta, o arroz, as massas ou os legumes estão sujeitos ao pagamento, mas os designados ‘artistas tauromáquicos’ estão isentos».

 

Num artigo de opinião, publicado pela revista Sábado, André Silva lembra que pela terceira vez consecutiva o PAN propõe “uma alteração ao Orçamento do Estado para revogar a isenção do pagamento de IVA para os profissionais da tauromaquia”, e por três vezes, as forças no Poder (PS, CDU e BE actualmente; PSD e CDS à data da primeira proposta) recusaram a proposta e mantêm a isenção que beneficia as touradas, enquanto muitas outras iniciativas culturais (e não só) são obrigadas a pagar IVA.

 

André Silva justifica esta proposta considerando que o fim desta isenção «justifica-se não só porque se trata de uma actividade puramente comercial, mas, e sobretudo, porque esta assenta no desrespeito pela sensibilidade de seres humanos e animais, recompensando os maus tratos e aplaudindo a exibição da violência extrema».

 

Fonte

http://ptjornal.com/andre-silva-pao-fruta-arroz-tudo-portugal-iva-as-touradas-estao-isentas-210374

 

***

A minha amiga, Maria do Carmo Tinoco é que tem razão, quando diz que «Torturadores de animais são mais importantes que o pão o arroz, a fruta, até a água, de todos os portugueses, pelos vistos. Chamar artista a essas criaturas é um insulto para qualquer pintor, escultor, actor, cantor e por aí, fora. Nem sei quem foi a mente brilhante que se lembrou de chamar artistas àquilo...enfim... uma Web Summit num Portugal que se pretende desenvolvido, "artistas da tortura", numa realidade de um Portugal hiper atrasado e vergonhoso...Era bom que alguém dissesse aos da Web Summit que o campo pequeno não serve só para espectáculos de música, dança e outras nobres artes, também serve para práticas medievais, sádicas e pouco dignas. O "pequeno" associado ao nome do edifício deve ter a sua razão de ser. Quando se mancha a arena com o sangue de inocentes herbívoros vê-se a pequenez, a baixeza de quem faz e de quem vai ver. Haja vergonha neste país».

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:26

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Segunda-feira, 6 de Novembro de 2017

TAUROMAQUIA: SE A IGNORÂNCIA MATASSE O FADISTA JOSÉ DA CÂMARA ESTARIA MORTO E ENTERRADO…

 

… aliás, estariam mortos e enterrados todos os aficionados de selvajaria tauromáquica, e este assunto estaria resolvido; os Touros (que ficam bravos só quando são torturados pelos seus carrascos) viveriam em paz, no seu habitat natural (que não são as arenas); o mundo ver-se-ia livre desta gente pouca, feia e má; e nós não seríamos agredidos, todos os dias, com estes atentados à nossa inteligência.

 

JOSÉ DA CÂMARA.jpg

 O fadista José da Câmara

 

O fadista José da Câmara numa recente entrevista, onde lhe fazem umas perguntas sobre selvajaria tauromáquica ele diz esta coisa espantosa: «Se desaparecerem as corridas de touros há uma coisa que é certa, os toiros bravos desaparecem e perdem-se milhares de postos de trabalho».

 

Primeira regra: quando se vai para uma entrevista, é da inteligência ir preparado para as eventuais perguntas que possam fazer-nos.

 

O José da Câmara espalhou-se ao comprido, com esta resposta. Pois demonstrou não só uma ignorância crassa sobre os Bovinos, nada sabendo de Biologia, de bois, de vacas, de touros, de bezerros, como também nada sabe do mercado de trabalho, ou sequer o que é TRABALHO.

 

Que grande bojarda! Mais valia ir cantar fados para o meio das arenas.

 

Se não quer morrer ignorante leia estes artigos, José da Câmara, faça esse favor a si próprio:

 

O CHAMADO “TOURO BRAVO”, DIZEM OS AFICIONADOS, AFINAL É UM “PRODUTO ARTIFICIAL”

http://arcodealmedina.blogs.sapo.pt/o-chamado-touro-bravo-dizem-os-396144

 

«A TOURADA, RAZÃO DA EXISTÊNCIA DO TOURO BRAVO?» OU A QUEDA DE UM MITO

http://arcodealmedina.blogs.sapo.pt/98835.html

 

Pois fique sabendo que quando (não é SE, é QUANDO) as touradas desaparecerem, a coisa que é certa, é que quem desaparece é a raça dos carrascos que os torturam, para divertir os sádicos que ficaram especados na Idade Média. Isso é que é certo, porque os touros, esses, continuarão a existir. O Touro dito bravo não existe na Natureza, logo não se extingue algo que não existe. Não é óbvio?

 

Quantos anos tem, José da Câmara? Nasceu no século XX depois de Cristo, obviamente, conseguiu sobreviver e passou ao século XXI, mas tem os pés fincados no século XIII. Não é coisa de velho?

 

Os aficionados já nasceram velhos. Vivem no passado, têm ideias velhas e carcomidas. Não evoluíram nada, e o pior é que se recusam a evoluir. Triste, muito triste.

 

Quanto aos milhares de postos de trabalho que se perdem, primeiro, não são milhares, nem pouco mais ou menos; segundo, os que vivem à custa da tortura de Touros, não trabalham, exploram os animais, o trabalho dignifica o homem, e esta actividade só desonra quem a pratica, por isso, nem milhares nem postos, e muito menos de “trabalho”; e nada se perderá, e se quem andava a torturar touros quiser fazer alguma coisa de útil DEPOIS de acabarem as touradas, poderão dedicar-se à agricultura: plantem hortas e campos de cereais e vinhas e oliveiras e pomares e sobreiros e façam alguma coisa de útil na sociedade, deixem de ser parasitas que vivem à custa dos nossos impostos. Terão muito trabalhinho pela frente. Deixem os animais em paz, pois o mundo caminha para o vegetarianismo, é mais saudável e condizente com a evolução do homem. Dediquem-se ao cultivo da terra. É mais digno de um ser humano.

 

Dizer que se perdem milhares de postos de trabalho é enganar o ceguinho.

 

E o José da Câmara continuou a dizer disparates. Disse esta coisa ainda mais espantosa: «Eu acho que às vezes é um bocado exagerado ali nos ferros, uns ferros a mais e tal. Agora se um touro bravo não é um bocadinho espicaçado também não reage». Pois acha, porque pensar não consegue, e tal… Os ferros, pois são exagerados, assim como é exagerado tudo o que diz respeito à selvajaria tauromáquica. E trocou tudo. Devia dizer: «Se um touro  não é bastamente espicaçado não fica bravo». E aqui entra a ignorância dos aficionados: um Touro é simplesmente um bovino, um herbívoro manso, e esse sim, existe na natureza. O “bravo” só existe, na arena, quando é torturado. Qualquer animal, humano ou não humano, espicaçado fica bravo.

 

Eu fico uma Isabel brava se investirem contra mim. E Isabéis bravas não existem na Natureza. Existem apenas quando a circunstância o exige. Com os Touros é a mesma coisa.

 

Para a próxima, quando der uma entrevista, o José da Câmara prepare-se melhor, para não dizer disparates que ficam mal  a um fadista.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:43

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